Ricardo Costa: “Estou a viver um momento bom a nível profissional”

 

 

A carreira profissional obriga-o a passar mais tempo em Gaia do que na sua terra natal, Aveiro, mas, sempre que pode, aproveita para passear na Avenida Dr. Lourenço Peixinho ou na zona das praias. E não hesita confessar-se um fiel cliente do Mercado da Costa Nova. “Adoro ir lá comprar uns peixinhos, marisco, falar com as senhoras, que me tratam muito bem. É quase um ritual”, revela Ricardo Costa. Nem todas as vendedoras saberão que estão perante um dos mais conceituados chefs portugueses, detentor de duas estrelas Michelin, mas não ignoram estar perante alguém “que vai aparecendo na televisão”. 

 

Aveirense dos sete costados, nascido (1979) e criado em Aradas, Ricardo Costa assume, em entrevista à Aveiro Mag, estar a viver “um bom momento a nível profissional”. Chefe executivo do The Yeatman desde a abertura do hotel, em 2010, reconhece viver bem com a pressão das duas estrelas Michelin, ao contrário do que acontece com outros chefes. “Já tinha sentido essa pressão na Casa da Calçada, que tinha estrela, depois perdeu e voltou a ter”, introduz. “Quando fui para o Yeatman era um projecto novo e tinha tudo para ter estrelas. Conseguimos uma logo ao final do primeiro ano, mas depois queríamos mais”, acrescenta. Conquistou a segunda em 2016 e, segundo garante, “manter este nível cria uma pressão diária”. “Mas já não conseguia viver sem ela”, assegura. 

 

À conquista (e manutenção) das estrelas Michelin, Ricardo Costa foi juntando, também, outros títulos individuais, como os de “Chefe do Ano” (2009), pela revista portuguesa Wine, “Chefe de l’Avenir” (2012), pela Academia Internacional de Gastronomia, “Melhor Cozinheiro de Portugal” (2013), nos prémios Arco Atlântico Gastro, em Espanha, ou o prémio “Chef Revelação” (“Rising Chef”), pela cadeia de hotéis de charme Relais & Châteaux. 

 

Aveiro também já lhe prestou algumas homenagens e reconhecimentos. “A primeira nem foi em Aveiro, mas sim em Ílhavo. Fui convidado para ser confrade de honra da Confraria do Bacalhau. Depois, veio o convite para fazer parte da Confraria dos Ovos Moles”, declara. Também foi distinguido pela câmara municipal de Aveiro, em 2016, com a Medalha de Mérito do Município de Aveiro (grau cobre) e pela organização da gala Litoral Awards.

 

Saudades dos verões da juventude

 

Foi em Aveiro que Ricardo Costa frequentou o ensino Básico e Secundário – primeiro, em Aradas; depois, na Escola João Afonso e, por último, na Mário Sacramento. Só depois, mais ou menos aos 17 anos, foi para Coimbra estudar “cozinha e pastelaria” e “gestão hoteleira”. Da infância em Aveiro guarda boas memórias. Também da juventude, apesar de o prematuro início da carreira o ter obrigado a “abdicar das saídas e de outras coisas que gostava de fazer em Aveiro”.

 

Dessa fase, recorda com especial saudade o tempo de Verão. “Quando nos encontrávamos todos na praia da Barra e era espetacular, em especial os finais de tarde”, lembra. Atualmente, passa mais tempo na praia da Costa Nova. Por causa do mercado de peixe, mas não só. É naquela praia que se situa o seu restaurante favorito de Aveiro. “O Dóri é o restaurante de que mais gosto aqui na região. É lá que encontro os melhores produtos, tratam-me muito bem, e a relação preço-qualidade é muito boa”, afiança. Entre os seus pratos favoritos estão o “arroz de lingueirão com peixe grelhado”, “marisco” e, sempre que é época dela, “a galeota”.

 

Como aveirense de gema que é, Ricardo Costa não consegue virar a cara a um ovo mole – os seus favoritos, confessa, “são os da Pastelaria Tricana” – e, cada vez que tem de visitar alguém de fora, gosta de levar uma caixa (ou várias) para oferecer.

 

 

Ricardo Costa no The Yeatman (Foto DR)

 

Um chefe que gosta muito do que faz

 

Formado na Escola de Hotelaria e Turismo de Coimbra, Ricardo Costa passou por vários hotéis e restaurantes portugueses, tendo ainda trabalhado em Espanha e Inglaterra. Entre as suas experiências profissionais, contam-se a sua passagem pelo restaurante “The Portal”, em Londres, onde foi chefe de cozinha durante dois anos. Em 2007, assumiu a função de chefe executivo no Restaurante Largo do Paço, no hotel Casa da Calçada, em Amarante – tendo conquistado uma estrela Michelin em 2009 e 2010. A partir de 2010, assumiu a liderança da cozinha do The Yeatman. 

 

Apaixonado por aquilo que faz, não se imagina a fazer outra coisa na vida. Perguntamos-lhe se ainda tem algum por realizar, Ricardo Costa diz que não. O grande sonho que vinha alimentando era conquistar a segunda estrela Michelin e concretizou-o em 2016. “Não tenho o sonho de conseguir a terceira estrela, apenas a ambição de chegar mais próximo dela. Por isso, a nível profissional acho que estou a viver um momento bom, tranquilo”, afiança.  

 

O chef aveirense diz estar a viver um “momento bom” (Foto DR)

 

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