Andebol: As “Ala Girls” mostraram o caminho aos “rapazes”

 

 

Com 250 atletas e dezasseis equipas em competição, tanto no masculino como no feminino, o Alavarium – Andebol Clube de Aveiro é, hoje, mais do que uma simples referência no desporto aveirense. É, principalmente, um exemplo de sucesso, baseado em dois alicerces fundamentais: Perseverança e Coragem.

Ancorado na máxima de com “pouco” conseguir sempre fazer “muito”, o clube aveirense soube crescer num espaço limitado ao antigo pavilhão do Indesp, paredes meias com as piscinas do Galitos e nas traseiras da Escola Secundária José Estevão. Essa limitação não serviu, contudo, para o discurso do coitadinho. Muito pelo contrário. Ajudou foi a saber dar os passos certos e seguros para um crescimento sustentado no rigor que, rapidamente, originou em resultados desportivos de exceção.

Para explicar o sucesso desportivo assim como as necessidades e o futuro do Alavarium, a Aveiro Mag esteve à conversa com o presidente do clube aveirense, Paulo Elísio Sousa.

 

Quando é que começou a aposta no feminino?

Foi na época de 2002/2003 que o clube inscreveu a primeira equipa feminina, uma equipa de iniciadas. A partir dai existiu continuidade com a captação de novas atletas e a criação de novas equipas. Com trabalho de boa qualidade foi possível melhorar a qualidade das equipas e em 2007/2008 o clube apresentou a sua primeira equipa sénior feminina. Depois de duas épocas de aprendizagem, em 2009/2010 o Alavarium participou pela primeira vez na 1ª divisão de seniores femininos. Os títulos chegaram pouco tempo depois.

 

Em que consiste, em poucas palavras, o conceito das “Ala Girls”?

As “Ala Girls” são apaixonadas pela vida e pelo andebol e treinam com alegria todos os dias para melhorarem as suas capacidades.

 

Foi complicado trilhar o caminho até ao sucesso?

É preciso ter uma grande capacidade de sacrifício, trabalho, organização e não ter medo de ser audaz.

 

Qual o segredo para estar, em seniores femininos, tantos anos no topo do andebol?

Trabalho em quantidade e qualidade dos técnicos e atletas e uma boa organização diretiva.

 

Sabendo que os recursos são escassos, o que faz com que tantas atletas queiram jogar no Alavarium?

Fundamentalmente por que se sentem bem no clube, querem evoluir na modalidade e o Alavarium proporciona isso.

 

Quantas vezes o Alavarium marcou presença nas competições europeias e qual o melhor resultado alcançado?

Sete vezes, as seis últimas consecutivas. A participação nos oitavos de final da Challenge Cup esta época e na época anterior.

 

O que é que significa, mais do que ganhar ou perder, essa presença nas competições europeias?

Participamos nas competições europeias porque somos apurados para as mesmas. Se a equipa tem valor para representar Portugal, compete à direção do clube criar as condições para que isso seja possível. O que o clube tem ganho com a participação é experiência internacional e notoriedade que se estende à cidade, como na última participação em vários apontamentos sobre Aveiro que foram colocados pela equipa polaca nas redes sociais e a cobertura dada pela comunicação social estrangeira.

 

Na formação, sente-se que é possível chegar à equipa sénior? Sentem a equipa “mais velha” como um sonho possível?

A equipa sénior feminina tem sempre a treinar conjuntamente com o seu plantel várias atletas da equipa da equipa júnior, e algumas, brevemente, estarão por seu próprio direito na equipa sénior.

 

Qual o segredo para tantas atletas?

O aspeto principal é as atletas gostarem de estarem no clube e se sentirem bem no seio do mesmo, o que exige que exista uma grande interação entre todos os intervenientes, jogadores, técnicos, dirigentes e direção.

 

Como se processa a captação de jovens atletas?

O Alavarium leva sistematicamente o andebol a todas as escolas do ensino básico do agrupamento de Aveiro. A recetividades dos alunos ao andebol tem sido fantástica e tem sido possível cativar vários novos atletas o que tem permitido “abastecer” as nossas equipas mais jovens.

 

 

 

O andebol, no Masculino!

 

No masculino, a aposta tem sido efetiva nos últimos anos. Porquê?

O Alavarium não é um clube de andebol feminino, mas sim um clube de andebol. Assim são criadas as mesmas possibilidades de praticarem a modalidade aos dois géneros.

 

Acredita que, mesmo na formação, o masculino já deixou de ser visto como o “patinho feito” no clube e, sobretudo, na cidade?

Com o trabalho desenvolvido nas diversas equipas do clube é possível afirmar a qualidade das equipas masculinas que tem obtido resultados importantes tanto a nível regional como nacional.

 

Os seniores passaram uma espécie de “travessia no deserto”, mas agora começam a ter uma palavra a dizer. Qual o caminho a trilhar?

Baseado no trabalho de qualidade desenvolvido nos últimos anos nos escalões de formação é possível hoje os seniores masculinos terem a possibilidade de lutar por maiores objetivos, nomeadamente a subida a 2ª divisão nacional.

 

Acredita que no masculino, o Alavarium é já uma referência e que, na dúvida, os atletas querem ficar ou reforçar o clube?

Trabalhamos todos os dias para que isso aconteça, não só melhorando a qualidade dos atletas que vem da formação como sendo um clube atrativo para atletas de qualidade e que podem fazer a diferença.

 

As estruturas e o que falta para crescer mais!

 

Como é possível fazer tudo isto com apenas um pavilhão e com as condições existentes?

É muito difícil e exige uma capacidade de adequação de todos os treinadores e atletas. No entanto, a gestão do pavilhão pelo Alavarium permitiu transforma-lo numa verdadeira oficina de trabalho com a instalação de um posto de fisioterapia, uma sala de musculação (em conjunto com o clube do Galitos) e uma área para trabalho específico de guarda-redes e permitiu o crescimento que o clube tem tido de forma sustentada ao longo dos últimos anos.

 

O que precisa o Alavarium para dar o salto qualitativo e quantitativo que deseja?

Melhorar as condições do pavilhão é fundamental, nomeadamente com a colocação de um piso adequado para a prática do andebol e que previna a existência de lesões dos atletas.

 

Sente que o Alavarium tem a retribuição efetiva por parte da sociedade por todo o trabalho que faz ao nível da formação de jovens atletas?

No geral sim, principalmente por parte das famílias dos jovens atletas que participam intensamente na vida do clube, mas também por parte dos sócios e adeptos que enchem o pavilhão num grande apoio as equipas do clube. O tecido empresarial e as autarquias locais (Câmara de Aveiro e União de Freguesias da Gloria e Vera Cruz) também nos tem apoiado e permitido manter as contas do clube equilibradas. No entanto, queremos sempre mais para podermos dar melhores condições de trabalhos aos nossos atletas e técnicos.

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