Claúdia Cruz Santos apresenta “A vida oculta das coisas”

 

 

 

A escritora aveirense Cláudia Cruz Santos lança, dia 30 de março, um novo livro. “A vida oculta das coisas” é o título daquele que é o seu segundo romance e cuja apresentação ao público nem poderia decorrer noutra cidade que não Aveiro. “É a cidade onde nasci e onde escolhi morar, onde estão a minha família e muitos dos meus amigos. Fiz questão de que a primeira apresentação de ambos os romances fosse aqui, não as imaginava em qualquer outro sítio”, vinca a autora. A sessão de lançamento acontecerá pelas 16h00, na Bertrand Aveiro.

 

Em entrevista à Aveiro Mag, a também docente de Direito Processual Penal e de Criminologia (Universidade de Coimbra) desvendou alguns pormenores sobre a nova história que agora apresenta ao público. Também falou sobre o seu percurso na escrita de ficção, que gostaria de continuar a conciliar com a vida académica.

 

“Gosto de dar aulas e de estudar. E creio que para poder ter histórias para contar preciso de não perder o contacto com os outros, com o mundo. A vida académica, com a necessidade que lhe é inerente de pensar criticamente e com profundidade, é-me indispensável enquanto pessoa e creio que pode ser um contributo valioso para histórias futuras”, revela a autora.

 

 

Pessoas que são tratadas como coisas

 

 

Em “A vida oculta das coisas” há um “denominador comum aos percursos das várias personagens, que se vão entrelaçando numa história única”: “o da existência de pessoas que são tratadas como coisas, nomeadamente porque a idade e a doença as fragilizam, ou porque nasceram em países abalados pela miséria e/ou pela guerra, um destino que é ingrato e que pode tornar-se ainda mais sombrio no caso das mulheres”, desvenda.

 

Cláudia Cruz Santos nota que “há três personagens importantes que são mulheres traficadas com o propósito da exploração sexual”. “Mas existem também verdadeiras coisas, objetos, como um anel, um candeeiro ou um sofá, que encerram as suas próprias histórias. E, sobretudo, há registos de coragem, amizade e amor, que espero que suavizem as arestas deste romance, que sei que é duro”, prossegue.

 

O que espera que o leitor retenha deste livro? Sobretudo, que “tenha prazer ao ler este romance, que ele o distraia do quotidiano, que lhe permita viajar, sonhar, torcer pela sorte das personagens com que se identificar mais, sorrir, solidarizar-se, refletir criticamente sobre o que se passa à sua volta. A ficção tem uma dimensão lúdica que para mim é importante, não serve só para aprendermos coisas ou alargarmos os horizontes”, argumenta.

 

 

O primeiro romance alcançou o Top 10

 

 

Foi em 2017 que Cláudia Cruz Santos se estreou no mundo dos romances, ao lançar “Nenhuma Verdade se Escreve no Singular”. A recetividade do público dificilmente poderia ter sido mais positiva. “Não só em termos de vendas – o livro chegou a estar no Top 10 dos livros mais vendidos pelas livrarias Bertrand numa semana –, mas sobretudo sob outro enfoque, mais importante. As pessoas falavam-me na Amália e na Marta, queriam saber mais sobre o que lhes tinha sucedido depois do fim do meu romance, diziam-me que gostavam delas. Como se as duas existissem realmente, apesar de não existirem a não ser nas páginas daquele livro”, realça a autora.

 

Perante isto, diz ter descoberto algo que “foi fundamental para a decisão de escrever um segundo romance: podemos, através das nossas histórias, tornar-nos parte da vida de pessoas desconhecidas. Podemos fazer-lhes companhia. E isso faz-me sentir a mim, curiosamente, também mais acompanhada”.

 

Com uma carreira centrada na área do Direito – doutorou-se em Ciências Jurídico-Criminais, foi a primeira mulher a presidir a um órgão disciplinar das competições profissionais de futebol em Portugal, foi assessora do ministro da Justiça entre 2000 e 2002 e foi uma das representantes portuguesas no Grupo de Estados contra a Corrupção do Conselho da Europa – Cláudia Cruz Santos diz que sempre adorou romances. “Nunca deixei de os ler, nem nos momentos de mais trabalho. Precisava deles para adormecer e para acordar com alegria no dia seguinte”, confessa.

 

E depois de “uma fase muito intensa na vida académica”, passou vários anos a investigar para a tese de doutoramento em ciências jurídico-criminais, a autora confessa que sentiu “necessidade de escrever de outra maneira”. “Sem notas de rodapé, sem ter de argumentar, sem precisar de convencer ninguém de nada. É uma sensação de grande liberdade”, vinca.

 

 

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