De Aveiro a Águeda

 

 

António Granjeia*

 

 

A ligação por estrada entre Aveiro e Águeda é uma história muitas vezes contada na política regional portuguesa: o falhanço dos políticos, a mentira enquanto promessa (seja eleitoral ou para a fotografia em visitas oficias) torna-se grave porque discrimina sucessivamente o território que não seja Lisboa e Porto.

 

Em Águeda, no ano de 2008, Mário Lino descerrou uma lápide, na Rotunda do Milénio, marcando a abertura do início do processo de construção da autoestrada paga para conclusão em 2011. Lino, mais conhecido como “jamais”, apenas conseguiu descerrar uma placa da estrada e concretizou o seu famoso epíteto. De facto, nem ele nem o seu Primeiro Ministro Sócrates, concretizaram a promessa. Ficaram no engano.

 

Já em 2015, António Ramalho, administrador da EP/Refer e certamente a mando dos seus governantes, considerou não haver necessidade da construção da via rápida entre Aveiro-Águeda alegando que “Águeda e Aveiro estão ligadas por duas autoestradas. Basta apanhar a A1 e depois a A25”. Nem vale a pena comentar a irracionalidade deste ignóbil comentário fruto do desconhecimento da realidade, dos dirigentes que nos governam. Perante tais declarações muitos autarcas retorquiram, entre os quais Ribau Esteves.

 

Foi então sabido que obra de ligação Aveiro-Águeda já não estava sob a alçada da Estradas de Portugal. O edil disse, na altura, que “esta via foi assumida no PIMTRA [Plano Intermunicipal de Mobilidade e Transportes da Região de Aveiro] e no QCIRA [Quadro Comum de Investimentos da Região de Aveiro], portanto, a EP não é tida nem achada neste processo”.

 

Finalmente os autarcas de Aveiro e Águeda comprometeram-se a desenvolver um projeto para a nova ligação rodoviária entre as duas cidades. Às autarquias interessa agora deixar cair o perfil de via rápida e assumir o perfil urbano onde tiver que ser. Foram anos de estudos locais que aparentemente dão solução a um desejo antigo dos industriais e das populações dos dois polos de inovação e desenvolvimento da região.

 

A infelicidade de quem não vive em Lisboa é esta. O dinheiro é para conquistar o eleitorado nas metrópoles e nunca para servir o povo que precisa e não tem alternativas. Felizmente que os autarcas de Aveiro e Águeda se entendem e vão, se não forem boicotados, resolver a questão.

 

*Colaborador

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