Beira-Mar ‘liberta-se’ das distritais

Celebração entre adeptos e equipa numa invasão de campo pacífica

 

E já está! O Beira-Mar atingiu aquilo que os seus adeptos mais ansiavam desde o início da presente época: a subida de divisão. Os auri-negros confirmaram a presença nos campeonatos nacionais da próxima temporada e agora o pensamento deverá passar por honrar os pergaminhos do clube nesta nova etapa. Foram 1321 dias desde o início da caminhada nas competições distritais, em 2015, até à última quinta-feira, dia da consagração beiramarense.

 

Depois de um ano em que, na Taça de Portugal, logrou vencer um adversário de um escalão superior, isto é, aquele em que irá competir na próxima época e de no campeonato registar apenas uma derrota até ao momento, a felicidade finalmente regressa a Aveiro. Ainda com cinco jogos por disputar já todos sabem quem findará na primeira posição do campeonato. A cidade que em 2015 viu o seu clube passar pelo período mais negro da sua existência com a queda aos campeonatos distritais, pode voltar a sorrir, pois esta etapa acabou de ser concluída. O clube mais representativo do distrito que alberga uma âncora no seu símbolo, pretende fazer jus ao simbolismo e fixar-se nos campeonatos nacionais que o levarão no futuro – assim o esperam os adeptos – a regressar aos campeonatos profissionais. Este é um cenário por todos desejado que terá de aguardar, pois o momento agora é de celebração.

 

Coincidência ou não, a verdade é que a subida se consumou em pleno 25 de abril. O conjunto aveirense conseguiu atingir o seu principal objetivo, pelo qual lutava há três anos – desde que subiu da segunda para a primeira divisão distrital. Poderá dizer-se que o Beira-Mar se soltou das ‘‘amarras’’ das distritais, tal como se impunha neste dia marcante do calendário nacional, ou não fosse este, o dia da liberdade. O acontecimento era há muito aguardado e o destino quis que esta data ficasse também marcada na história do Beira-Mar. A despedida destas competições far-se-á no último jogo da época, mas por estes dias a sensação junto dos apoiantes auri-negros é a de missão cumprida, sabendo que o clube ultrapassou uma etapa importante no sentido de se afirmar novamente no panorama do futebol nacional. A expectativa será grande para saber o que o futuro reserva, mas aquilo que agora interessa recordar é o dia de festa que o clube e a cidade viveram.

 

A visita ao Carregosense era aguardada com ansiedade e um sentimento positivo pelos beiramarenses, pois sabia-se que a subida de divisão poderia ser consumada neste jogo. As gentes de Aveiro corresponderam em massa em Carregosa, localidade pertencente ao concelho de Oliveira de Azeméis, para um jogo que poderia terminar em festa. A única bancada existente ocupava-se quase por inteiro de adeptos forasteiros cheios de fé e desejosos de poder festejar. O amarelo e preto predominava naquele espaço que tentava transmitir uma força extra para dentro do campo, dando alento aos jogadores para que também eles entrassem na história do Beira-Mar.

 

O mote estava dado. O jogo iniciava com um forte apoio vindo das bancadas que tentava puxar o Beira-Mar para a vitória. Na primeira metade da primeira parte assistiu-se a um jogo bem disputado, com os auri-negros a procurarem a vantagem no marcador que lhe desse ânimo para o resto do encontro. No entanto, o domínio aveirense era bem patente, tanto dentro de campo como fora dele. O primeiro momento de alegria assinalou-se à passagem do minuto 23 com o primeiro golo do Beira-Mar. O tento inaugural foi marcado pelo camisola 20, Aparício, e as bancadas enchiam-se de felicidade. Nem o tempo chuvoso fazia demover as pessoas que se deslocaram ao campo Dr. Teixeira da Silva para assistir a um encontro que se previa de festa. Ainda antes do intervalo os auri-negros ampliaram a vantagem através do mesmo jogador que assim bisava na partida.

 

 

O intervalo chegava com um score de dois golos favoráveis ao Beira-Mar e já todos sentiam que a subida não ia fugir, dando expressão máxima ao cântico que os adeptos entoavam: ‘’Viemos à Carregosa subir de divisão’’. A segunda parte ficou marcada por um maior equilíbrio na partida, com a equipa da casa a chegar mais vezes à baliza adversária, tendo justificado o golo marcado nos instantes finais. O jogo chegava assim ao fim com a vitória do Beira-Mar por 2-1 e com os adeptos a não conseguirem conter a felicidade pelo feito alcançado, assistindo-se a uma invasão de campo para celebrar com os jogadores e restante equipa técnica. Grande parte dos espetadores presentes juntou-se à festa em pleno terreno de jogo que terminava em festejos em tons de amarelo e preto e assegurava desde logo a despedida aos distritais e respetiva promoção ao Campeonato de Portugal. ‘’Campeões, campeões, nós somos campeões’’ enunciavam adeptos e jogadores em perfeita harmonia que saíam de Carregosa com o objetivo alcançado e com a promessa de continuar as celebrações em Aveiro.

 

 

A festa em Aveiro

 

Chegada da equipa ao canal central

 

 

Nas ‘’pontes’’, onde as pessoas se preparavam para receber os novos campeões, os tradicionais momentos de festejo já se faziam sentir, com diversos carros a buzinar em sinal de celebração. Afinal, este é o ponto de encontro dos festejos em Aveiro. A chuva intensa que se fazia sentir (mesmo um dilúvio) marcou a chegada da equipa ao centro da cidade, onde através de moliceiros, ‘’desaguaram’’ no canal central. Um momento original que fez com que as pessoas pudessem contactar de perto com os seus novos heróis, em que não faltaram abraços e cânticos de regozijo, tal como se verificou no final de jogo em Carregosa. Apesar do tempo menos convidativo, estava montado um bonito ‘’salão de festas’’ para que o dia continuasse a correr de feição. Os sorrisos estendiam-se a todos, até a alguns turistas que por ali passeavam e que certamente não saberiam o que se estava a passar.

 

 

Festejos no largo e capela de São Gonçalinho

 

De regresso ao ‘’habitat natural’’, a equipa recebeu um calor humano que os seguiu até à Praça do Peixe, mais concretamente até ao largo de São Gonçalinho que também teve direito a participar, num claro sinal de ligação histórica entre o clube a cidade. Em jeito de procissão, esta pequena caminhada fixou-se nesse largo, enquanto a equipa subia ao topo da capela, fazendo lembrar as festividades de janeiro. Com direito a fogo de artifício e uma faixa ilustrativa de ‘’campeões’’ colocada no topo da capela, equipa e adeptos acenavam e cantavam em conjunto, marcando o ponto alto das celebrações. Com a noite a cair e em pleno estado de união, o povo saía à rua culminando um dia em grande. Os festejos prosseguiam pela noite dentro num 25 de abril que, na história do Beira-Mar, ficará marcado pelo dia em que o clube se libertou das distritais, tal como os seus adeptos tanto desejavam. Este estado de união será certamente aquilo que o clube pretende para enfrentar o novo desafio da sua vida que passa pelos campeonatos nacionais: o campeonato de Portugal.

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