Médicos e enfermeiros do CHBV vão voltar à Guiné com o seu “bisturi humanitário”

 

 

 

José Sousa ainda não conseguiu retirar do pulso as braceletes artesanais que lhe foram oferecidas em sinal de agradecimento. Essencialmente, por aquilo que elas representam. E também pelas (boas) memórias que consegue ter ao olhar para cada missanga ou pedaço de linha que compõem aquelas pulseiras. Foram-lhe oferecidas por utentes do Hospital Simão Mendes, em Bissau, onde esteve, no final de fevereiro, a participar numa missão humanitária que deixou marcas indeléveis. A quem foi e a quem ficou.

 

Este enfermeiro do Centro Hospitalar do Baixo Vouga (CHBV) foi apenas um dos elementos da equipa de 12 voluntários – médicos cirurgiões, ortopedistas, anestesistas e enfermeiros – que viajaram até àquele país africano para realizar cerca de 150 cirurgias. Em apenas duas semanas, realizaram o possível e impossível – chegaram a trabalhar 12 a 13 horas por dia. Esperam regressar, em janeiro de 2020, na certeza de que, até lá, irão continuar a receber telefonemas a apelar que voltem. “Todas as semanas, recebo chamadas telefónicas de alguém de lá”, testemunha José Sousa.

 

Para levar por diante esta nova missão, a equipa do CHBV, que oficializou a sua ação e propósitos através da constituição de uma associação, a Bisturi Humanitário, precisa de apoio de todos. Por mais pequena que seja a ajuda, ela pode fazer toda a diferença na vida de quem aguarda, há muito, por uma cirurgia – a campanha de angariação de fundos “Rumo à Guiné 2020” está já em curso.

 

Inspirados por José Manuel In Ibu’Uba

 

O que levou este grupo de médicos e enfermeiros do hospital de Aveiro a empenhar-se nesta ajuda ao corpo clínico e pacientes do Simão Mendes? “O dr. José Manuel In’Uba, médico guineense que trabalha no CHBV e que tem uma fundação que apoia a construção de escolas no seu país, apercebeu-se que o hospital Simão Mendes estava sem ortopedista há dois anos e que havia muitos pacientes com fraturas à espera de uma cirurgia”, enquadra José Sousa.

 

Perante este cenário, José Manuel In Ibu’Uba lançou o repto a uma colega e daí até se criar uma equipa foi uma questão de semanas. Começaram a recolher donativos e, felizmente, surgiram vários apoios de empresas e câmaras municipais.

 

Chegados a território guineense, foram recebidos “com toda a simpatia e consideração”, nota o enfermeiro José Sousa. No hospital, encontraram condições mais difíceis daquelas a que estão habituados. Exemplos? “Em plena cirurgia, falhou a energia elétrica e tivemos de usar os nossos telemóveis para iluminar a sala”, recorda.

 

“Para nós, isto também foi um grande crescimento pessoal e profissional. Às vezes, queixamo-nos porque falta isto ou aquilo e há realidades bem mais difíceis”, repara o enfermeiro, que garante ter ficado comovido com o carinho que recebeu da população local. Ele e toda a equipa da associação Bisturi Humanitário. “O povo foi muito amável, estava agradecido”, testemunha.

 

Cumprida esta primeira missão, o sentimento nem podia ser outro, o de orgulho. Várias dezenas de doentes viram a sua vida melhorar graças ao trabalho da equipa aveirense e, para quem ousou rumar à Guiné-Bissau, isso é o mais importante. Agora, “é preciso ir lá regar a semente”, frisa José Sousa.

 

 

 

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Sábado há caminhada solidária para ajudar a missão Rumo à Guiné - AveiroMag

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