Este domingo, vai ser lançado mais um novo moliceiro à água

 

 

 

O ano ainda agora vai a meio mas no que toca à construção de embarcações tradicionais da ria, 2019 até que está a correr de feição. Este domingo, a Murtosa serve a palco a mais um “bota-abaixo” de um barco moliceiro – é já o segundo, este ano.

 

Já só falta a pintura dos painéis – a cargo do Mestre José Oliveira – para que o novo moliceiro “Conquistador” fique concluído. Aquele que é o mais jovem barco moliceiro tradicional da ria, propriedade de Márcio Nunes e Domingos Mole, da Murtosa, foi construído na Torreira, pelo mestre Marco Silva que, a par da sua profissão de pescador da Arte Xávega, desenvolveu a paixão pela construção de embarcações tradicionais.

 

O bota-abaixo do “Conquistador” está marcado para o dia 30 de junho, pelas 15h00, na praia do Monte Branco, na Torreira.

 

Um momento que constituirá “motivo de regozijo, na medida em que representa mais um passo na preservação do barco moliceiro – a mais bela embarcação do mundo – com todas as suas caraterísticas originais e tradicionais, afirmando, cada vez mais, a Murtosa enquanto território que é, simultaneamente, o coração da ria e a pátria do moliceiro”, destaca a autarquia, em comunicado.

 

Um “despertar” para as embarcações tradicionais

 

Também Etelvina Almeida, especialista em embarcações tradicionais da ria, olha com satisfação para mais este esforço para a preservação do moliceiro. “Construíram-se, nos últimos anos, mais quatro barcos tradicionais, pelas mãos de vários mestres. O ‘Marco Silva’, em 2015, ‘Um Sonho’, em 2016, ‘Ferreira Nunes’, em 2018 e ‘O Presidente’, em 2019”, realça.

 

“Não é o regresso a uma época áurea na arte da construção naval, mas um breve despertar para este património imaterial, que já se via a cair no esquecimento”, argumenta Etelvina Almeida.

 

O momento é, assim, de festa, mas importa, no entender desta investigadora, pensar também no futuro. “A manutenção, reparação, pintura e decoração destas embarcações tornam-se num encargo ‘pesado’ para os seus proprietários”, alerta.

 

“Para fortalecer e manter esta frota existente ao longo do tempo, seria pertinente existir um meio de subsidiar, de alguma forma, a manutenção destas embarcações emblemáticas, ajudando os proprietários existentes e incentivando outros a construir. Seria importante criar mais eventos, não só mais regatas, como também levar esta frota de barcos moliceiros tradicionais a participar nas festas ribeirinhas ao longo de toda a Ria de Aveiro, ou em datas assinaladas como importantes para a identidade regional”, sustenta Etelvina Almeida.

 

 

 

* Créditos da foto Etelvina Almeida

 

 

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