Chegou esta quarta-feira a Aveiro aquela que é a grande referência mundial do trio com clarinete e que esta quinta-feira à noite se estreia em Portugal, na Sala Principal do Teatro Aveirense.
Chamado a Aveiro pela Arte no Tempo, para apresentar um recital de obras contemporâneas, seguido de uma conversa com o público a propósito do seu trabalho e do programa interpretado, o Trio Catch (TC) aproveita a ocasião para celebrar um dos compositores mais relevantes dos últimos cinquenta anos, o alemão Helmut Lachenmann (1935), que na quinta-feira passada completou 90 anos de vida. É mais um Tubo de Ensaio (#12), projecto da Arte no Tempo para o Teatro Aveirense, que tem trazido a Aveiro alguns dos mais importantes agrupamentos de música de câmara envolvidos na criação musical.
Oriundo de Hamburgo, o TC é um dos mais activos grupos de música de câmara dedicados à criação musical. A convite da Arte no Tempo, o trio apresenta-se esta noite no âmbito do ciclo Tubo de Ensaio, no qual o Teatro Aveirense tem sido palco para diversos concertos com alguns dos mais destacados grupos de música contemporânea.
Formado pelo clarinetista eslovaco Martin Adámek (solista do mítico Ensemble Intercontemporain), a violoncelista suíça Eva Boesch e a pianista sul-coreana Sun-Young Nam, o TC impôs-se como uma referência pela variedade do seu repertório, mas sobretudo pela qualidade das suas interpretações, colaborando proximamente com diversos compositores.
Presença constante nos mais importantes festivais de música de câmara, do seu vasto repertório, que inclui também os clássicos incontornáveis (como Beethoven, Brahms e Mendelssohn, entre outros), fazem parte dezenas de obras contemporâneas, mais de cinquenta das quais foram estreadas pelo próprio TC.
O primeiro álbum discográfico em nome próprio foi lançado pela editora col legno, em 2014. Além de participações em álbuns colectivos, como monografias dos compositores Beat Furrer, Clara Iannotta, Jonah Haven, Bianca Bongers, Vladimir Guicheff Bogacz e Helmut Lachenmann, o TC gravou outros três outros discos “a solo”, para a col legno e a bastille musique, o mais recente dos quais lançado no ano passado. Deste último (bastille musique #31), fazem parte obras escritas para e estreadas pelo TC, de diversos compositores vivos.
O programa que o grupo traz a Aveiro reúne duas obras maiores a duas de compositores menos conhecidos. Entre as menos conhecidas, figura “Flowers endlessly open” [2020], obra composta pela italiana Daniela Terranova (1977), incluída no mais recente álbum discográfico do grupo, mas também “Sanh” [2006], do francês Christophe Bertrand (1981 – 2010). Mais antigo é o trio “aer” [1991] do suíço-austríaco Beat Furrer, uma obra muito delicada e poética, testemunho da música que Furrer escrevia entre o final dos anos 80 e o início deste século. A encerrar o programa, o TC mergulha naquela que é uma das obras mais exigentes de música de câmara – a mais difícil e trabalhosa para a formação de trio com clarinete, violoncelo e piano – que o ars ad hoc apresentou na mesma sala nos Reencontros de Música Contemporânea de 2023: Allegro Sostenuto [1986-88], de Lachenmann.
Os músicos são excelentes, o grupo tem desenvolvido um trabalho muito consistente e internacionalmente reconhecido, o programa é bastante bom e desafiante. E os ingressos são convidativos (preço único: 5 euros)! Para que a música aconteça, são também necessários os ouvidos do público, ouvidos livres e disponíveis para a escuta, esta quinta-feira, dia 4 de dezembro, às 21h30, na Sala Principal do Teatro Aveirense.