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Simplii Jetzt, o projeto musical que pulou da gaveta para os palcos

Sílvia Fernandes Gomes e Paulo Mota, 35 e 37 anos, são os músicos responsáveis por Simplii Jetzt, um projeto musical que “vai ou vai”, não fosse haver uma vontade imensa de, “simplesmente agora”, tornar real um sonho há muito em construção. O nome reflete isso mesmo. “É na simplicidade que encontramos a riqueza”, partilha Sílvia, e a menção ao tempo presente faz, para a dupla, todo o sentido – “estamos aqui, agora, vamos fazer alguma coisa”.

 

Nasceram longe de Aveiro – ela em Trás-os-Montes, ele num continente distinto – mas foi aqui, na cidade que dizem ser “um excelente palco”, que encontraram lugar para as suas ideias e devaneios musicais. Com um EP lançado recentemente, Vai ou Vai, os Simplii Jetzt encontram-se abertos ao mundo, resilientes, com acordes que resultam de “muitos anos a ouvir e a tocar coisas extremamente diferentes uma das outras”, conta Paulo. “Uma fusão de todos esses géneros e vivências” que resulta numa identidade própria e contagiante, com Sílvia na voz e Paulo na guitarra.

 

Dos primeiros aos mais recentes acordes

 

Sílvia nasceu em Macedo de Cavaleiros, Trás-os-Montes, e foi lá que se iniciou nos palcos que eram espelhos com microfones desenhados no seu imaginário de criança. “Lembro-me, desde sempre, a cantarolar”, conta, tendo ingressado em aulas de música com apenas seis anos, convicta de que queria ser cantora. Os pais, não indiferentes à vontade que nela brotava, inscreveram-na na Esproarte – Escola Profissional de Artes de Mirandela e, assim, com somente 13 anos, Sílvia mudou-se, sozinha, para uma cidade que não a sua, para perseguir um sonho em tudo seu. Como instrumento principal, estudou oboé, de que gostava, mas que lhe prendia o seu verdadeiro instrumento – a voz. Mais tarde, fez-se à Universidade de Aveiro para estudar Composição Musical, completando uma licenciatura e, após uma pausa de cinco anos, um Mestrado em que desenvolveu um projeto de investigação sobre a técnica musicomeditativa.

 

Paulo Mota, por sua vez, nasceu na Venezuela, tendo vindo morar para Portugal com somente dez primaveras. Em casa, não havia músicos, mas “apreciadores de boa música” que lhe diziam para ser o que quisesse ser, desde que fizesse por ser bom nisso. Aventurou-se no universo de notas e acordes no Conservatório de Música de Aveiro, com 14 anos, e, na Universidade, optou por Engenharia de Computadores e Telemática, não tardando a concluir que não era aquilo que queria. “Acabei por perceber que a música era o que me fazia feliz e aquilo em que acabava por ser bom”, recorda o músico, que veio a trocar o curso superior pela guitarra.

 

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Hoje, no tempo que não dedica aos Simplii Jetzt, Sílvia foca-se na musicomeditativa, técnica que une meditação e música, sendo diretora, professora e terapeuta da CRISOM®, um centro de meditação, yoga, terapias e retiros em Aveiro.

 

Já Paulo é músico freelancer, trabalhando com frequência em diferentes projetos, e professor de guitarra em escolas de música, onde partilha com alunos dos 4 aos 60 anos o seu entusiasmo pelo instrumento de cordas.

 

Simplesmente agora – da gaveta para os palcos

 

Simplii Jetzt, ou “simplesmente agora”, é um projeto que saltou dos confins criativos de Sílvia e Paulo, que há muito queriam construir algo seu.

 

“Faltava-me realizar um sonho”, conta Sílvia, “o de ter um projeto de músicas compostas e cantadas por mim”. Colecionou palavras de incentivo e reuniu coragem – restava encontrar o instrumento que mais se identificasse com o projeto, que veio a revelar-se ser a guitarra. Não sabendo tocar, porém, teve de procurar um professor. Foi aí que surgiu Paulo, em novembro de 2018. “Entre professor e aluno e entre músicos em geral”, explica a cantora e compositora, “tem de haver uma relação energética que funcione muito bem” e essa relação era palpável entre os dois.

 

“Começámos a conversar e, um bocadinho a medo, fui apresentando o meu projeto, as minhas ideias, e o Paulo também”, conta, acrescentando que depressa perceberam que faria todo o sentido. Paulo confirma-o: “achámos que seria uma boa fusão”. “Entre dar aulas e tudo o resto, cria-se uma certa rotina. Enquanto músico, sentia necessidade de ter um projeto meu, de explorar a veia criativa e expor o que gosto de tocar. Isto tinha vindo a ser adiado, ano após ano. Entretanto, quando a Sílvia me apresentou a ideia que tinha, percebi que conseguia contribuir e abraçar o projeto”, conta, dizendo que precisava somente de um empurrão para desarrumar gavetas e delas fazer sair o sonho.

 

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Foi no contexto intimista de um jardim na Rua dos Poisios, em Aveiro, que, no dia 6 de julho de 2019, os Simplii Jetzt lançaram o seu primeiro EP, que conta com seis temas originais e “une smooth jazz, worldmusic, bossa, new age, fado, flamengo e muito mais”. No concerto, entre as cerca de 30 pessoas presentes, houve quem soubesse as letras e pedisse a repetição de algumas músicas. “Cantaram connosco”, recorda Sílvia, ainda com uma nota de surpresa e felicidade na voz.

 

Entretanto, estrearam-se no palco do Estaleiro Teatral de Aveiro, em colaboração com a LPstudio num projeto de dança contemporânea, e concentram-se agora em colocar o EP nas plataformas digitais e, aos poucos, ir “estruturando as coisas” para dar forma a um primeiro álbum, “Até Que Enfim”.

 

Aqui, na cidade que virou casa para ambos e para o projeto que criaram, há ainda espaço para um maior apoio aos músicos que nela residem, afirmam, mas há, sem dúvida, boa música e bons espaços para trabalhar. “Aveiro é um excelente palco”, garante a dupla.

 

Filho de peixe sabe cantar

 

Com o novo projeto, Sílvia e Paulo procuram usar a voz e a guitarra para “transmitir uma mensagem que faça a pessoa despertar para qualquer coisa” e que, de alguma forma, seja o reflexo de quem são. Por entre as várias emoções que revestem as suas músicas, surge o “amor entre pais e filhos” que, para Sílvia, “é, de todos, o mais sublime”. Saberá do que fala, visto ter uma filha de 11 anos que, curiosamente, estuda Canto no Conservatório de Música de Aveiro e afirma – como, em tempos, a mãe – querer ser cantora. “Filho de peixe sabe nadar”, diz Sílvia, sorrindo e olhando de forma cúmplice para Paulo, cujo filho, com apenas três anos, canta já, com entusiasmo, as canções dos Simplii Jetzt.

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