As dez maravilhas doces de Aveiro e arredores

A RTP anda a tentar apurar quais são as 7 Maravilhas Doces de Portugal – concurso no qual a região está muito bem representada, com os seus ovos moles, e cuja finalíssima está agendada para 7 de setembro –, mas nós já andamos a fazer contas e sabemos que só na região de Aveiro existem mais do que sete maravilhas carregadas de açúcar.

 

A nossa pesquisa levou-nos ao encontro de dez doces tentações. Cada uma dela delas mais irresistível do que a outra.

 

Ovos moles

 

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Fotografia: Turismo do Centro

 

De sabor intenso e doce, aliando o açúcar às formas salgadas do mar e das salinas, os ovos moles de Aveiro quase dispensam apresentação. Com origem nos antigos conventos femininos da região, a receita – simples e, ainda assim, única – encantou para lá dos muros conventuais, atravessando gerações e conquistando hoje o paladar de pessoas de todo o mundo.

 

Confecionados de forma tradicional, com água, açúcar e gema de ovo cru, envoltos em hóstia, os ovos moles foram o primeiro produto de pastelaria em Portugal a receber a denominação IGP – Indicação Geográfica Protegida, que certifica a sua qualidade e salvaguarda a tradição e o conhecimento.  Agora pré-finalistas do concurso, é tempo, quem sabe, de serem reconhecidos como uma das 7 Maravilhas Doces de Portugal.

 

Cartuchos

 

 

Fotografia: Pastelaria e Confeitaria Ramos

 

Criados há 40 anos sob o teto da Pastelaria Ramos, em plena avenida, pelas mãos de Fernando Magalhães, os cartuchos são hoje um ícone da cidade e, sem dúvida, uma das mais doces maravilhas da região. Com uma forma cilíndrica, o cartucho é um bolo constituído por massa de frutos secos e cacau, cuja base é confecionada a partir de pão de ló com ovos moles, recheado com chantilly. Não é fácil comer este bolo tradicional sem que os ingredientes escapem aos contornos dos lábios, mas uma coisa é certa: também os seus sabores parecem transcender os limites do palato.

 

Tripas

 

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Fotografia: Bolacha Americana Zé da Tripa

 

Reduzir a tripa a uma bolacha americana mal cozida pode parecer injusto, mas a verdade é que foi com um pedido peculiar de uma cliente que não queria a bolacha crocante – como a conhecemos – que foi revelado o imenso potencial de um dos doces mais queridos da região. José Oliveira, ou Zé da Tripa, responsável pelo acaso que deu origem ao doce, herdou dos sogros a receita da massa, que diz ter como ingredientes farinha, açúcar, ovos, leite e um segredo por revelar. Atualmente, o recheio (existindo) pode ser escolhido de uma vasta lista que inclui não só os tradicionais chocolate e ovos moles, mas também queijo, doce de café e leite condensado.

 

Raivas

 

 

 

Fotografia: Zeca Aveiro

 

Deliciosas na sua simplicidade, as raivas, de origem conventual, são biscoitos de manteiga que fazem há mais de dois séculos parte da doçaria portuguesa. A receita é simples – açúcar, manteiga, ovos e farinha – mas a forma particularmente complexa, que faz lembrar uma flor, dá-lhes personalidade e, até, nome: é tão minucioso o trabalho de as desenhar que chega a provocar raiva.

 

Folar de Vale d’Ílhavo

 

 

Muitos da região dirão que Páscoa não é Páscoa sem um folar de Vale d’Ílhavo à mesa. Terra de padeiras, esta localidade é conhecida pelos folares de textura aveludada cozidos em forno a lenha e coroados com ovos de casca escurecida. A receita é simples, mas é preciso arte, engenho e amor para fazer o folar perfeito, que faça feliz a freguesia.

 

Amores da Curia

 

 

Fotografia: Rota da Bairrada

 

Originalmente de forma quadrada, os Amores da Curia nasceram do espírito doceiro de uma alemã que se mudou para terras lusas muito jovem, Emília Wissman. Hoje, os pastéis de massa folhada muito fina, recheada de ovos moles e polvilhados com açúcar pilé, aconchegam o olhar – e o estômago – em forma de coração.

 

Broinhas de Ovos Moles com Mirtilos

 

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Fotografia: Sandra Bio (na Pastelaria Confiança)

 

Esta é uma combinação açucarada e harmoniosa de distintos sabores tão pertencentes à região: as broinhas de ovos moles e o mirtilo que faz de Sever do Vouga uma capital. Redondas, com o fruto no centro, parecem-se com girassóis, mas sabem à autenticidade dos ingredientes utilizados na sua confeção.

 

Pão de ló de Ovar

 

 

Fotografia: Pão de Ló de Ovar – 7 Maravilhas Doces

 

A sua história leva-nos a recuar no tempo até aos finais do século XVIII e o seu sabor eleva-nos a lugares não terrenos. Confecionado à base de ovos, é um doce ovarense com a forma de uma “broa”, de massa leve, fofa e cor amarela com uma fina côdea acastanhada, que surpreende com um interior de textura húmida. 

 

Pastéis de Águeda

 

 

Fotografia: Câmara Municipal de Águeda

 

Confecionados à base de ovos, açúcar, manteiga e amêndoa, estes pastéis são uma especialidade regional de Águeda que nenhum apreciador de doces pode deixar escapar. Com uma textura delicada e uma cobertura crocante de amêndoa, prometem provocar os sentidos, de forma harmoniosa.

 

 

Morgado do Bussaco

 

 

Fotografia: Flor de Aveiro

 

Nasceu no Palace Hotel do Bussaco e, não obstante ter caído no esquecimento durante vários anos, é hoje um dos maiores ícones da região. E o mais fantástico de tudo? É um bolo sem glúten. Para a sua confeção são usadas apenas nozes, ovos moles e mel de urze. E o resultado não podia ser melhor: um doce irresistível, que não deixa ninguém indiferente.

 

 

 

* Créditos da foto de capa: blog SolaGasta

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