Pedro Rodrigues: os Festivais de Outono têm margem para continuar a crescer

 

 

Nasceu em Coimbra, há 39 anos, mas as suas raízes estão em Leiria, cidade onde viveu dos 6 aos 18 anos – e que é também a terra natal dos seus pais. Pedro Rodrigues foi depois estudar para Lisboa e, posteriormente, para Paris, onde viveu cinco anos. O regresso a Portugal deu-se em 2004 e, em 2006, iniciou no seu doutoramento na Universidade de Aveiro (sob a orientação do docente Paulo Vaz de Carvalho). Desde então que guarda uma ligação especial a Aveiro. Tão especial que é aqui que vive desde 2013.

 

Pedro Rodrigues é guitarrista e docente da Universidade de Aveiro. Já venceu prémios como o Artists International Auditions (Nova Iorque), Concorso Sor (Roma) ou Prémio Jovens Músicos, tocou em importantes salas internacionais e gravou discos com várias editoras, entre outros destaques. É também diretor artístico dos Festivais de Outono, evento que é uma referência na região (e não só) e cuja 15.ª edição está prestes a arrancar.

 

Em entrevista à Aveiro Mag, Pedro Rodrigues desvenda alguns dos grandes destaques da edição deste ano, que acontece de 25 de outubro a 29 de novembro e que, pela primeira vez, chega a outras cidades da região.

 

 

Porquê uma carreira da área da música?

Quando possível, qualquer carreira (independentemente de ser música, pintura, etc.) deverá ser uma forma de expressão. Assim, no meu caso, a música serviu desde muito cedo como forma de comunicação, de constante desafio, de integração, de paixão e de aprendizagem. Dito isto, creio que estes propósitos de expressão e amor pelo que se faz podem surgir em qualquer profissão e apenas podemos sentir gratidão por poder retribuir.

 

 

Como é fazer parte da “família” da Universidade de Aveiro? E do Departamento de Comunicação e Arte (DeCA) em particular?

Tive (e tenho!) a possibilidade de percorrer diferentes degraus dentro desta família e, em qualquer um desses degraus, foi sempre surpreendente e inspiradora a visão plural da vida e da arte, tanto na Universidade de Aveiro como, de um modo específico, no DeCA, onde tenho o enorme prazer de dar aulas. É do próprio DeCA que saem diversos jovens músicos, já premiados nacional e internacionalmente, que se irão apresentar em concerto nesta edição dos Festivais de Outono. Isso apenas pode ser um enorme fator de orgulho para todos os envolvidos.

 

 

 

É diretor artístico dos Festivais de Outono, que estão prestes a cumprir a sua 15.ª edição. Este ano, pela primeira vez, o evento irá percorrer as cidades de Águeda, Aveiro, Ílhavo e Oliveira de Azeméis. A que se deve esta aposta?

Esta aposta surge pela mão da professora Alexandra Queirós, Vice-Reitora da Universidade de Aveiro e responsável pelas políticas culturais e vida nos campi. Assim, pretende-se que este evento, graças à música, seja um elemento unificador de todas as comunidades académicas dos diferentes campi da UA. E, claro, um gesto de agradecimento para com as cidades cuja parceria enriquece e fortalece a missão da Universidade de Aveiro: Águeda e Oliveira de Azeméis, com a Escola Superior de Tecnologia e Gestão de Águeda e a Escola Superior Aveiro Norte e Ílhavo com o Parque Ciência e Inovação.

 

 

Tem sido importante para o festival a passagem por palcos como o Museu de Aveiro ou a Sé de Aveiro?

Sem dúvida. Na presente edição, o Museu de Aveiro irá receber (no dia 21 de novembro) o concerto “Histórias e Danças” com dois solistas da Orquestra Metropolitana de Lisboa: o flautista Nuno Inácio e a harpista Carolina Coimbra. A Sé de Aveiro irá receber a Orquestra de Cordas do Departamento de Comunicação e Arte da Universidade de Aveiro sob a direção do Maestro André Cabral da Fonseca no dia 31 de outubro. Estamos realmente muito gratos pela possibilidade de termos estes eventos nestes espaços. São marcos históricos e arquitetónicos de uma beleza ímpar e, tanto para os músicos como para o próprio público, locais muito especiais para vivenciar a música na cidade de Aveiro.

 

 

Quais são os grandes destaques do programa deste ano?

A programação conta com um total de 19 concertos com alguns dos melhores músicos nacionais: o pianista Mário Laginha não necessita de apresentações e é sempre com gratidão que o revemos em Aveiro.

 

Em estilos diferentes encontramos o Quarteto do Rio. Este quarteto brasileiro encontra-se em Portugal para fazer concertos no CCB em Lisboa, na Casa da Música do Porto e claro, nos Festivais de Outono onde serão acompanhados pela Orquestra Filarmonia das Beiras sob a direção do maestro António Vassalo Lourenço. Neste concerto, teremos o privilégio de ouvir algumas das mais famosas músicas de Tom Jobim, João Gilberto e Vinicius de Moraes.

 

Não posso deixar de destacar a vinda do brilhante Quarteto de Cordas de Matosinhos, uma das maravilhosas instituições da música de câmara nacional. Farão um concerto inteiramente dedicado à obra de António Chagas Rosa, professor da Universidade de Aveiro e diretor artístico dos Festivais de Outono por mais de dez anos.

 

Poderia mencionar diversos concertos pois todos contam com músicos de exceção, mas termino com o Concerto de Encerramento com a Orquestra da Universidade de Aveiro em colaboração com a Filarmonia das Beiras sob a direção do maestro Luís Carvalho. Este concerto terá como solista convidado Victor Pereira (clarinetista do Remix Ensemble) e contará com a estreia portuguesa do Concerto de John Corigliano, uma obra a todos os níveis grandiosa e que tem vários músicos espalhados pelo público em efeito de surround dos ouvintes. Será, sem dúvida, um momento marcante para o público do Teatro Aveirense.

 

Finalmente, deixo o convite para que consultem a página da programação. Nela poderão encontrar todos os concertos, todos os estilos presentes: Jazz, Música Portuguesa e Brasileira, Flamenco e Erudita (da música Antiga à Contemporânea) e, aí sim, verificarem quais os vossos destaques musicais.

 

 

 

 

Que avaliação faz ao crescimento dos Festivais de Outono ao longo dos últimos anos?

Novamente tenho a felicidade de ter percorrido diversos degraus nesta instituição que são os Festivais de Outono: desde espectador a músico e, atualmente, diretor artístico. Foi sempre palpável a paixão que toda a equipa de produção e comunicação coloca na realização deste evento e na constante superação de desafios. A todos eles estou muito grato por todo o auxílio prestado e o crescimento e reconhecimento dos Festivais, aquém e além-fronteiras, é fruto do esforço e trabalho de toda essa equipa.

 

 

Há margem para este evento continuar a crescer? 

A capacidade de os Festivais poderem receber músicos incríveis em diversas cidades, em espaços marcantes dessas cidades, com uma variedade estilística multifacetada é um privilégio que será certamente coroado com uma maior internacionalização e projeção.

 

 

Algum convite que gostasse de deixar aos aveirenses?

Deixo o convite para que, entre 25 de outubro e 29 de novembro, venham assistir aos concertos dos Festivais de Outono. Com exceção dessas duas datas, todos os concertos da cidade de Aveiro terão lugar às quintas-feiras e sábados. É uma belíssima oportunidade para se desafiarem com novas propostas musicais ou reencontrarem alguns dos vossos músicos e estilos favoritos.

 

 

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