Dramatismo da subida do mar retira seriedade ao problema

 

Paulo Ramalheira*

 

 

Ninguém hoje tem dúvidas acerca do impacto das alterações climáticas presentes e futuras na vida do planeta, mas dramatizar o problema com base em suposições de estudos sem escala e sem detalhe é erradamente perigoso e desnecessário.

 

Nos últimos dias, todos fomos assaltados por um conjunto de notícias, umas mais alarmistas do que outras, acerca do desaparecimento de enormes manchas do território nacional, por volta de 2050, devido à subida do nível do mar.

 

Na região de Aveiro, o cenário apresentado é catastrófico, com o mar a entrar pela costa adentro, devolvendo ao território um aspeto semelhante aquele que já existiu no período anterior à nacionalidade, quando a foz do Vouga se localizava numa região onde é hoje a cidade de Águeda e depois se estendia por uma imensa baía até ao mar.

 

Claro que, hoje em dia, nomeadamente, com o advento das redes sociais, é relativamente simples e acessível a qualquer pessoa promover e divulgar uma opinião ou um comentário, por mais absurdos que sejam, e, no imediato, transformar o assunto num tema de interesse geral, recolhendo, num ápice, milhares de “seguidores”.

 

Quando a este fenómeno se juntam critérios dramáticos e/ou sensacionalistas, então, temos a “tempestade perfeita” e é certo e sabido que o assunto passará rapidamente para a opinião pública também pela pena dos chamados media tradicionais (jornais, revistas, rádios e televisões), que não podem perder a boleia que lhes é oferecida, de mão beijada, pelos seus carrascos da comunicação.

 

E assim surgem estes fenómenos comunicacionais, difíceis de combater e de conter, mas que apenas alarmam e dramatizam, porque a sua sustentabilidade científica, na esmagadora maioria dos casos, é muito baixa e até por vezes insipiente ou de origem duvidosamente séria.

 

O caso do estudo da Climate Central, divulgado agora pela revista científica Nature Communications, não deve ser desvalorizado, mas considerá-lo como o guião do nosso futuro coletivo constitui um tremendo erro de avaliação por lhe faltar escala e detalhe e por ser feito com base em pressupostos alicerçados num algoritmo evolucionista que não entra em linha de conta com a reação da natureza, a intervenção do homem e a reversão natural de alguns fenómenos em curso.

 

Nas últimas três décadas, segundo dados oficiais da Universidade de Aveiro, o nível médio do mar medido (na Barra de Aveiro) subiu menos de cinco milímetros, valor que é considerado desprezível pela comunidade científica.

 

As alterações climáticas são um problema que devemos enfrentar seriamente? Claro que sim… Devemos pensar hoje em soluções para os problemas que podemos eventualmente vir a ter no futuro? Claro que sim… Devemos estudar estes assuntos antecipadamente para não sermos surpreendidos? Claro que sim… Mas não se pode alarmar e intoxicar a opinião pública, não se pode dramatizar um problema ao ponto de fixar o caos como a meta, seguindo aquela velha lógica do “quanto pior melhor”.

 

Não, o território da Ria de Aveiro e os municípios que a circundam vão continuar em 2050 tal como hoje os conhecemos, esperemos até que melhor, porque temos essa responsabilidade e essa obrigação que nos foi “contratada” pelas gerações dos nossos filhos e dos nossos netos.

 

A Ria de Aveiro é a nossa casa!

 

 

* Fundador do MARIA – Movimento de Amigos da Ria de Aveiro

Partilhar
avatar
  Notificações  
Notificação de