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Jorge Sampaio e a aposta numa estratégia para “10 anos de evolução”

Política Ler mais tarde

 

É natural de Sangalhos, tem 53 anos, licenciou-se em Engenharia Civil e está a tirar o doutoramento em Turismo, na Universidade de Aveiro. Assume a cadeira da presidência depois de mais de 20 anos a integrar consecutivos executivos municipais em Anadia. Jorge Sampaio é um dos cinco novos presidentes da área da Comunidade Intermunicipal da Região de Aveiro – Albergaria, Aveiro, Ílhavo, Vagos e Anadia são os municípios com caras novas na liderança, ou seja, com autarcas eleitos a 12 de outubro e que ainda não estavam a gerir os destinos do município. É o primeiro protagonista de um ciclo de entrevistas que a Aveiro Mag dedica aos novos presidentes da região.

 

Agora que foi eleito, como vai ficar o projeto do doutoramento? Vai desistir?

Não. Já fiz toda a parte letiva e agora estou a fazer a tese. Suspendi agora um bocadinho e vou retomar no próximo ano letivo para entregar a tese.

 

Mas é difícil conciliar todo esse trabalho com a exigência de ser presidente da câmara...

Mas já não foi fácil fazer a parte letiva estando aqui a trabalhar como vice-presidente. As coisas fáceis também não dão gozo.

 

E porquê Turismo?

Às vezes também me pergunto a mim próprio. Porque eu sou uma pessoa que vem da área das Ciências, da Física e Matemática - pois a Engenharia Civil é Física e Matemática –, e depois entrar nestas Ciências Humanas, Sociais, não é fácil.

Mas há 20 e tal anos, por força das funções que desempenho, comecei a trabalhar o Turismo. E comecei a gostar, comecei a estudar, comecei a desenvolver, desenvolvi a Rota da Bairrada... Portanto, isso fez com que eu ganhasse aqui um gosto grande por esta área do Turismo.

Depois, tive o professor Carlos Costa, que andava sempre a picar-me, a dizer que devia ir para o doutoramento, devia ir para a área do Turismo... Há três anos disse ok e meti-me nesta alhada, que é uma alhada boa. O objetivo é conhecer mais, aprender mais, e tem sido muito enriquecedora, esta questão do doutoramento.

 

Chegou a exercer a Engenharia Civil?

Sim, durante seis anos cheguei exercer Engenharia Civil, em duas empresas – a uma delas até estive ligado do ponto de vista societário [...]. Exerci a engenharia pura e dura, sempre na área de projeto, cálculo estrutural, projeto, projetar edifícios, sempre.

 

Pergunto isto porque está na Câmara há 24 anos...

Sou um dinossauro (risos). Vim para aqui com 29 anos. A primeira vez que tomei posse foi em janeiro de 2002.

 

Como é que se sentiu na altura? O que é que o chamou a vir para aqui?

Eu nem sabia o que era ser vereador antes. A minha vida era, dia e noite, trabalhar, andar a correr obras no país todo, fazer projetos, fazer cálculos de estruturas, era a minha vida do dia a dia, até que houve alguém que era vereador na Câmara e um dia ligou-me porque queria jantar comigo. Eu fui jantar com ele e mais duas pessoas que apareceram, e desafiaram-me: vai haver eleições e gostávamos de te desafiar para ires na lista.

 

Já era militante do PSD?

Não. Só passei a ser militante do PSD quando já era vereador há mais de um mandato. Tinha era algumas ligações ao PSD. Enquanto estive na faculdade em Coimbra, tive lugar em todos os órgãos da universidade: Conselho Pedagógico da Faculdade, Conselho Pedagógico da Universidade, Conselho de Representantes, e o último lugar que fui eleito foi para senador do próprio Senado da Universidade, onde nem sequer cheguei a tomar posse, porque depois terminei, passado um mês e tal, a licenciatura e nem sequer tomei posse. Tinha esse bichinho. Fui candidato à Associação Académica de Coimbra, com o Carlos Cortes, que hoje é bastonário da Ordem dos Médicos, e depois juntei-me a ele na mesma lista. Foi uma série de coisas giras que vivemos na faculdade. Portanto, sempre houve ali um bichinho pela política, por essas questões de representar os nossos colegas, etc.

 

São 24 anos a trabalhar na mesma autarquia.

Sete eleições, muito trabalho, coisas bem feitas, coisas menos bem feitas, coisas erradas, como em tudo. Ainda agora na minha tomada de posse eu fui claro com o compromisso que assumi: jamais poderei dizer que não vou errar, que não vou fazer asneiras, mas também ninguém vai poder dizer que não vou deixar de tentar. Eu costumo dizer que não é burrice errar, burrice é fazer o mesmo erro duas vezes.

Quando as pessoas vêm dizer que ser vereador, ser presidente de câmara, é um “tacho”, a verdade é que, de quatro em quatro anos, a pessoas têm a possibilidade de concorrerem a este “tacho”.  

 

Na vida empresarial pode ganhar-se mais dinheiro do que numa autarquia...

Mas muito mais. Eu vim para a Câmara ganhar menos do que ganhava onde estava. Agora tenho coisas boas, tenho coisas menos boas, tenho uma segurança e uma estabilidade maior naquilo que é a função pública, mas também tenho dores de cabeça muito grandes.

Tenho três filhos e sei bem o tempo que perdi deles e o tempo que eles perderam de mim. Mas não me queixo, porque nunca fui obrigado a candidatar-me. Portanto, eu estou aqui porque quero, porque é a minha livre vontade.

 

Com o PSD no governo, não surgiram propostas ou convites para ir para outros sítios?

Na vida, estamos sempre a ser desafiados, sempre a ser convidados, sempre. E eu sou bem claro: há três anos atrás ponderei muito até a questão do Turismo do Centro. Na altura, fui questionado por vários presidentes de câmara, muito antes até do falecido Raul ter avançado, e ponderei isso. Foi uma hipótese que coloquei e, na vida, nós temos que andar sempre a decidir as coisas.

Mas há sempre esta ligação à nossa terra que nos deixa a pensar que falta sempre fazer alguma coisa. Fazer algo pelos que são mais próximos de mim, aqueles que são da minha terra, que nasceram comigo e estão aqui ao meu lado. Eu ainda quero continuar a fazer por eles. E esta ligação que tenho a Anadia pesou muito naquela que foi a minha decisão na altura.

 

Muitas vezes, em casos destes, com pessoas que estão há muito tempo nos executivos, corre um certo desgaste da imagem. No seu caso isso parece não ter existido, porque conseguiu ganhar com maioria absoluta.

Sim, há sempre, mas também não fui eu só que ganhei, fui eu, a minha equipa, um conjunto de pessoas que estão à minha volta. Isto não é um projeto meu, é um projeto de equipa.

 

Portanto, da equipa da Câmara, das pessoas que fizeram parte da lista da Câmara, as equipas das juntas de freguesia, do candidato à Assembleia Municipal, que é uma pessoa com uma experiência incrível e que já deu ao país tanto.

Todos eles conseguiram contrabalançar, equilibrar, esse desgaste que é natural que eu tenha. São 24 anos, são seis mandatos, portanto é natural que isso aconteça. Mas, felizmente, tive e tenho pessoas incríveis à minha volta.

 

Já fez a primeira reunião do Executivo. Vai ficar com o pelouro do Turismo, certo?

Não, por acaso não. Até porque temos na equipa a Cristina Azevedo, cuja formação base é o turismo. Portanto, ficou ela com essa pasta. Até porque ela também me tinha confidenciado um bocadinho o gosto de a ter. E eu achei bem, porque ela já fez um trabalho fantástico na Rota da Bairrada e nos vários sítios onde passou. Portanto, eu acho que está muito bem entregue o pelouro do turismo à Cristina.

 

E com pelouros vai o Jorge Sampaio ficar?

Muitos. Há dois com os quais eu fiz questão de ficar: Educação e Cultura. Esses dois são meus porque quero continuar a dedicar muito tempo à cultura como fiz ao longo destes anos. E a educação para nós é essencial, como um pilar básico daquilo que nós queremos com o nosso concelho. Queremos trabalhar a educação de uma forma estruturada, organizada, coordenada, desde o nível pré-escolar até ao 12º ano e ao ensino superior.

Depois, a cultura, como disse, é uma área que me diz muito e que quero continuar a trabalhar com as nossas associações. A questão da Escola de Artes é algo que queremos ver a avançar.

 

Fale-nos da Escola Artes...

A Escola de Artes é um projeto que já queríamos levar a efeito no último mandato, mas não se conseguiu. Vamos retomar esse projeto, porque achamos que é um projeto essencial para estruturar a cultura do nosso concelho. Uma escola que consiga, ela própria, apoiar-se, do ponto de vista técnico, nas nossas associações culturais, que têm um trabalho já fantástico. E, por outro lado, também servir de ninho, de formação e de qualificação dos recursos que as próprias associações têm. Portanto, é muito isso que nós queremos. Uma escola de artes que seja abrangente nas suas várias artes.

 

Tirando esse projeto, que outras prioridades é que tem para este mandato?

Tantas, são muitas. Repare, nós apresentámos uma estratégia para 10 anos de evolução. Aquilo com que nós nos comprometemos é ter uma estratégia que olhe o horizonte de 10 anos, uma década de evolução de Anadia. E criámos três pilares estratégicos.

A missão de uma Câmara, basicamente, tem a ver com, primeiro, atrair pessoas para o seu território e depois dar-lhe qualidade de vida. E atrair pessoas não tem a ver só com viverem. É viver, é o turismo, é as pessoas que vêm visitar, é viver a cultura. E quando as pessoas cá estão, quer estejam a viver, quer estejam só de passagem, nós temos de dar-lhes qualidade de vida. E estes são os dois pilares (dois dos três pilares que temos): a atratividade do território e a qualidade de vida. E um terceiro pilar, que cada vez é mais importante no mundo global que nós temos, que é a integração, a igualdade.

Temos a capacidade de trabalhar estas dimensões que são tão importantes para a nossa sociedade. Uma sociedade que cada vez é mais global, que temos uma interculturalidade incrível e que precisamos muito de trabalhar esta questão da integração daqueles que vêm, que escolheram Anadia para viver, para estar cá. A igualdade entre todos, a igualdade de géneros, a igualdade de cidadãos, de pessoas.

No total ,são mais de 200 projetos para 10 anos de trabalho. Portanto, é muito trabalho que nós temos para fazer.

Queremos continuar a trabalhar muito o desporto, como temos trabalhado, a cultura, a educação, como já falei. Depois, a questão da igualdade, da cidadania, da captação de investimento, do empreendedorismo, da inovação, trazer a inovação para as nossas empresas, trazer os mais jovens que saem para estudar fora - nós precisamos de os trazer de novo para Anadia, de os integrar nas nossas empresas. A habitação é uma dimensão à qual nós vamos dedicar muito trabalho e uma verba grande, já no próximo ano, com as Varandas do Parque, que estamos a avançar com a construção, com a construção dos fogos que temos em Sangalhos, com a venda dos fogos em Ancas, e outros projetos que temos aí em mãos.

 

Há algum projeto que gostasse de destacar?

São muitos, mas eu diria que esta questão da educação, da formação e da qualificação, para nós é basilar, é importante. Porquê? Porque é trabalhar o presente, mas preparar o futuro.

 

Ao nível da habitação, Anadia avançou com a unidade de alojamento para estudantes universitários. Querem aproveitar esta proximidade a Aveiro a Coimbra?

Claramente. É uma mais-valia. Há vários anos, que temos um projeto, uma ideia e um desejo de ter em Anadia um polo do ensino superior. Com a perfeita noção, e os pés bem assentes na terra, daquilo que é a dificuldade disso.

 

Na verdade, já têm cursos técnicos superiores profissionais (CTeSP).

Exatamente. Nós sabíamos que para conseguirmos ter este polo, havia três dimensões que tínhamos que trabalhar muito forte e trabalhá-las ao mesmo tempo. Primeiro, a dimensão da oferta educativa. Claramente, não há ensino superior sem oferta, sem cursos. Portanto, nós tínhamos que procurar um parceiro que quisesse estar connosco e que avançasse com esta área. Dialogámos com a Universidade de Aveiro, com a Universidade de Coimbra, com o Politécnico de Coimbra, que são os mais próximos daqui, e achámos que todos eles têm condições de serem nossos parceiros. E aquele que mais rapidamente avançou e continua a avançar foi o Politécnico de Coimbra. É, para já, o nosso grande parceiro em tudo isto, nesta área, nesta dimensão da oferta educativa superior.

Depois, havia uma dimensão que tinha que ver com o alojamento. Para termos a oferta educativa, tínhamos que ter também alojamento. Ou seja, tínhamos esta consciência. E, de repente, surge a oportunidade, no PRR, de haver apoio para o alojamento estudantil. E conseguimos reconstruir um edifício que estava completamente abandonado, e que essa reconstrução fosse 100% paga pelo PRR.

E depois, a terceira dimensão, temos noção que é importantíssima, que é a dimensão da mobilidade. E esta mobilidade, nós temos que trabalhar com a região de Aveiro, onde estamos, e estamos a trabalhá-la com a região de Aveiro, e temos que a trabalhar com a região de Coimbra. E encetámos, há dois ou três anos, um diálogo com a região de Coimbra, no sentido de ver a possibilidade, no médio prazo, sempre mais do que 10 anos, de o Metro Mondego ser extensível Anadia. E estaremos, em princípio, num estudo que CIM Coimbra vai fazer, onde vai abranger Mealhada, Cantanhede, Anadia. Portanto, estamos a trabalhar continuamente estas 3 dimensões. A dimensão da mobilidade, do alojamento e a dimensão da oferta educativa.

A oferta educativa, só para concretizar, demos um passo importante este ano já com o primeiro CTeSP, estamos a trabalhar para a criação de dois cursos de pós-graduação e quem sabe se isto, daqui a pouco tempo, não se conjuga até já numa primeira licenciatura. Vamos ter esperança.

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Uma licenciatura com o Politécnico ou com uma das duas universidades?

Neste momento, estamos a dialogar com o Politécnico. E o Politécnico tem tido uma abertura incrível. O próprio Politécnico tem tido uma postura fantástica de querer abranger, ter uma abrangência mais regional, de uma região que sai fora de Coimbra, e por isso é que o Politécnico também tem vindo a crescer. Portanto, este diálogo com o Politécnico tem sido muito importante.

Mas, devo dizer que até a relação que temos com o Reitor da Universidade de Aveiro é muito forte e vamos continuar a dialogar com a Universidade de Aveiro. Tenho relações também muito fortes com o Vice-Reitor da Universidade de Coimbra, que foi um colega. Portanto, também temos vindo a dialogar e a conversar.

O nosso objetivo é que, daqui a 10 anos, Anadia tenha um polo de Ensino Superior.

 

Essa licenciatura pode ser na área do vinho?

Vamos ver. Aquilo que procuramos são sempre áreas que nos diferenciem, e o Politécnico também pretende isso, que diferencie daquilo que é a oferta que o Politécnico já tem. Porque ter mais do mesmo não vale a pena. Nós depois não conseguimos competir com Coimbra e Aveiro naquilo que é a cidade, não é? Portanto, temos é que ter aqui uma oferta formativa que se diferencie. O turismo, o enoturismo, o termalismo, a enologia, o desporto. Tudo isto são áreas que nós nos podemos diferenciar, quer pela tipologia de oferta, quer pela qualidade de infraestruturas que temos, nos podemos diferenciar do resto do país.

 

Quando é que vamos ter novidades a esse nível?

Eu creio e tenho esperança que até ao final deste ano letivo vamos ter. Não quer dizer que a licenciatura vai começar já. Garantidamente que não vai começar no próximo ano letivo.

Até porque uma licenciatura destas demora sempre dois, três anos a ser certificada, aprovada, etc.

 

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