A região de Aveiro vai vencer

 

Liz Silva*

 

 

Aveiro, Portugal, a Europa e o Mundo passam por verdadeiras provas de resiliência. O borbulhar de outras línguas que passavam pelos canais da Ria de Aveiro ou pelas ruas da Beira Mar, neste momento é suplantada pelo silêncio do receio de um vírus importado de outras terras. Onde o som do vento que passa pela água, consegue sem a música de fundo da cidade.

 

Desapareceu por estas datas a sempre bem-vinda Feira de Março, com a luz própria de uma festa com mais de 500 anos. As crianças e os menos jovens suspiram com saudades de uma festa quase obrigatória e fundamental para os habitantes do distrito. Pessoalmente, tenho saudades das melhores farturas e do melhor pão com chouriço. Eram únicos! Sem esquecer a Feira dos 28, a Feira de Oliveirinha e outras, locais onde sentíamos o pulsar das pessoas e do pequeno comércio.

 

A honrosa Avenida Dr. Lourenço Peixinho faz-me lembrar as ruas das cidades de cowboys, onde o único que passa é o silêncio do nada. Sei que estou a exagerar neste ponto, mas pouco. Assim, a cor das pessoas de Aveiro desvanece numa tristeza incompreensível.

 

Esta pandemia conseguiu apanhar-nos a todos de surpresa e espalhou-se pelo mundo. Tornando-se numa batalha contra o incerto, contra o desconhecido e que já levou à perda de vidas humanas e está a conseguir destruir a economia de quase todos os países globais.

 

É a demonstração da fragilidade humana. Agora, todos nós só queremos uma desaceleração para podermos sair de casa e viver uma vida que também é a nossa.

 

Do que tenho mais saudades é das conversas das pessoas de todos os dias, dos beijos ocasionais e da piada fácil do aveirense. Da conversa das segundas feiras sobre os “árbitros ladrões” que prejudicam o nosso “Beira, Beira”. Ler o jornal logo de manhã no café em frente à minha casa ou simplesmente caminhar 10 quilómetros diários e ver pessoas e locais diferentes. Esta limitação da liberdade simples e corriqueira, consegue dar conta da minha alma lusa. Como era feliz e não sabia!

 

A adaptação está presente no dia-a-dia das pessoas. O simples espirrar da manhã faz com que as pessoas recuem dois ou três passos, instintivamente. Não é por mal, mas sim pela sobrevivência individual. É a sobrevivência humana.

 

Enquanto parte integrante de uma grande nação, temos que saber agir. Criar condições num Portugal que está a ficar mais pobre. O português que vai ficar no desemprego, por empresas que já não vão abrir e que vão desaparecer da nossa vista, e da nossa lembrança. As empresas aveirenses têm, desde já, que se preparar convenientemente para o pós crise humanitária global. Vamos ganhar juntos o maior desafio empresarial das nossas vidas. É preciso não cruzar os braços e seguir em frente, criando estratégias e novos modelos de negócios e fazer outra vez das nossas empresas grandes empresas. Temos que demonstrar que a Covid-19, não nos faz tremer, nem cair ou vergar.

 

Empresários aveirenses, das microempresas às PME, vamos trabalhar. Vamos preparar-nos porque já estamos a perder tempo. Vamos agarrar as amarras do nosso futuro e vamos saber desenhá-lo, com prioridades, com medos e traumas, mas sempre com vontade de enfrentar os Adamastores das nossas vidas.

 

Nascidos ou não em Aveiro, sentimos o nosso raio de sol, o doce dos ovos moles, o cheiro da maresia da nossa terra, o palpitar da gente de um grande concelho, de uma enorme região. Vamos continuar a dar cor a uma terra chamada Aveiro!

 

 

* Presidente da AMA Empresarial e diretor da Liz Silva Alta Performance

 

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