Joana Magalhães, a mulher que antecede a cientista

 

 

Os cerca de 300 quilómetros que separariam a Galiza de Aveiro ficaram reduzidos a um botão verde, no ecrã do computador. Sem uma porta para abrir, nem uma sala para confiar uma história ou fazer ecoar uma gargalhada, houve uma tarde de quinta feira e houve uma conversa estendida no tempo. Botão verde pressionado, surge, do outro lado do ecrã, Joana Magalhães (@jomagellan), de sorriso pronto, tão disponível quanto a rapidez com que aderiu ao convite para um encontro com a Aveiro Mag. “Há muitas coisas que me marcaram”, partilha. Eis o mote para o momento que se seguiu: a busca de recordações, convicções e influências. A descoberta da Mulher que antecede a Cientista.

 

Nascida em Espinho, Joana assume-se defensora da equidade de género na Ciência e descreve um percurso pautado pela imprevisibilidade, cuja força motriz não foi outra senão a “curiosidade” – “algo essencial na ciência e em qualquer atividade criativa”. À curiosidade somam-se as viagens, desde Portugal até ao Japão da irmã Luísa. “Marcaram-me bastante as viagens que fazia com os meus pais, fundamentalmente pelo país. Também o facto de a minha irmã ter vivido no Japão e as viagens que o meu pai fazia para lá. Tive sempre muito presente outras culturas dentro de casa. Isso está muito relacionado com a visão que eu tenho da ciência internacional”, partilha.

 

 

A Cientista em definição

 

 

Antes de chegar a Aveiro, onde se licenciou em Biologia – na Universidade de Aveiro -, viu-se motivada pelas lembranças guardadas de um ecrã que, também ele, lhe trouxera o mundo a seus pés: “Um dos filmes que marcou a decisão de estudar Biologia foi o filme Free Willy, que fala sobre Biologia Marinha. No entanto, quando entrei no curso, queria já seguir algo mais relacionado com a saúde. Uma série que também teve importância foi The X-Files, com a agente Dana Scully – a primeira grande personagem feminina do âmbito científico que apareceu na televisão e me marcou muito. Há, para além desta, outras séries que me influenciaram, relacionadas com a criminologia, onde se vê a aplicação da Biologia Molecular na resolução dos casos”.

 

Os interesses definiram-se no decorrer do percurso, muitas vezes motivados pelas oportunidades que se atravessaram no caminho, outras vezes pela constante procura de corresponder à ambição. Neste sentido, ao longo da licenciatura, procurou viver experiências que a aproximassem da Biologia que idealizava. Inscreveu-se num curso de Ciências Forenses, no Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar, lecionado pelo professor José Eduardo Pinto da Costa, que se revelara o primeiro “contacto com a vertente humana”, conquistando-lhe o gosto pela área. “Eu adorei aquelas aulas. No fundo, aí já comecei o contacto com a vertente humana”, comenta.

 

Próxima etapa: Universidade de Ghent, na Bélgica – a primeira interação com a “ciência internacional” e com a área da Imunologia, num trabalho com “modelos animais”. Da Bélgica, volta a Portugal, desta vez, para um estágio na Faculdade de Medicina da Universidade do Porto. “Quando voltei de Erasmus, no verão, lembro-me de ter enviado cartas e de ter feito telefonemas para fazer um estágio. Na altura, a única pessoa que me atendeu o telefone foi o professor Adelino Leite-Moreira, da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto. A vida tem muito daquilo que a se chama serendipia.”

 

Em 2005, conclui o primeiro ciclo de estudos, ao qual se seguiu o doutoramento, na Universidade Complutense de Madrid, em Espanha. “Na altura, eu estava a fazer o estágio na Faculdade de Medicina e continuava à procura de uma oportunidade para fazer doutoramento no estrangeiro. Um dia, estava sentada no computador e uma colega minha, que estava também à procura de candidaturas para bolsas, disse-me: Ó Joana, eu estou a ler uma candidatura que te pode interessar, para um programa Marie Curie – que era um programa de bolsas de doutoramento em instituições europeias, cujo objetivo era promover, com uma abordagem multidisciplinar, o desenvolvimento de novos profissionais na área da Medicina Regenerativa”, partilha.

 

Estava dado o grande passo para que se fizesse cumprir a cientista. A voz da colega, que, naquele momento, constituiu um meio para que o destino acontecesse, abrira-lhe a porta do futuro. “Candidatei-me e fui fazer a entrevista. Eu achava – e ainda hoje sou dessa opinião – que era muito cedo para me especializar em algo. Portanto, esse programa permitia-me estar em contacto com grupos da área da química – na preparação de novos materiais – e trabalhar sob o ponto de vista da Engenharia. Havia também equipas médicas e grupos de biologia. Interessou-me, inicialmente, o trabalho com modelos animais, porque, no fundo, era aquilo em que tinha tido experiência, tanto no meu estágio como no ano de Erasmus. No entanto acabei por me integrar no grupo de química orgânica do CSIC [Conselho Superior de Investigações Científicas], em Madrid”.

 

A “aventura” que foi o doutoramento permitiu-lhe, ainda, uma passagem pela Universidade de Sheffield, no Reino Unido – onde teve a oportunidade de “testar novos materiais” -, e pelo grupo 3B’s, sediado na Universidade de Braga, “que também foi uma experiência muito interessante”: “Éramos cerca de 90 pessoas no grupo – talvez 11 nacionalidades. O meu dia-a-dia era passado com pessoas de outros países. Foi uma descoberta de Portugal numa perspetiva diferente. Foi enriquecedor”. As aulas distribuíram-se por Portugal, Espanha, Bélgica e Inglaterra. “Agora, a palavra multidisciplinar é bastante comum, mas, em 2004, não era. Fui, provavelmente, uma das primeiras pessoas na Europa a ter essa formação multidisciplinar na área da Medicina Regenerativa”, conta.

 

 

Medicina Regenerativa: a companhia de outras aventuras

 

 

O caminho vai firmando convicções. A “ciência internacional” constrói-se, afinal, das “diferentes formas de trabalhar e de ver o mundo” e há um aspeto do qual Joana não duvida: “Acho que saímos muito bem preparados do ensino universitário português. O nosso nível é muito bom e senti isso em todo o lado. Acho que nós somos reconhecidos nesse sentido. Isso também é visível – e manifesta-se – na qualidade das publicações que são feitas, tanto em colaborações internacionais como nacionais. A qualidade é muito boa”, partilha.

 

A área estava definida. O caminho parecia traçar-se, conduzido pela área da Medicina Regenerativa. Estamos no ano de 2009, altura em que surge um convite para integrar o Instituto de Investigação Biomédica da Coruña, em Espanha. Passaria a acumular as funções de investigadora e professora convidada. A par do compromisso com o trabalho científico, inscreve-se numa pós-graduação em Marketing Internacional de Conteúdos Audiovisuais, na mesma universidade, que constituiu uma primeira aproximação à área da Comunicação de Ciência. “Optei por fazer esta pós-graduação não tanto pela vertente de Marketing, mas por causa da produção de conteúdos audiovisuais. Interessava-me a parte de produção”, conta.

 

Atualmente, lidera a Unidade de Medicina Regenerativa, que integra o Grupo de Investigação em Reumatologia, no Instituto de Investigação Biomédica da Coruña (INIBIC). São dois os trabalhos a que se tem dedicado recentemente: estudar uma forma de diagnosticar a doença osteoartrite, através de biomarcadores – indicadores da presença ou ausência de uma doença; e investigar a utilização de materiais de origem marinha para o tratamento da osteoartrite, num projeto europeu (IBEROS) que envolve um consórcio internacional entre a Galiza e Portugal. “Devido à nossa posição geográfica, temos acesso a recursos marinhos. Esta é uma forma de introduzir impactos positivos na sociedade, com os recursos que temos”, explica.

 

 

 

 

“A ciência, se não é comunicada, não existe”. A conversa muda o rumo. Deslocamo-nos, agora, da academia e clarificamos o destino: o gosto de comunicar, os projetos e o futuro. “Qualquer trabalho que se faça no laboratório, o objetivo final é uma comunicação, normalmente aos nossos pares. Tem de haver a sua divulgação para que possa ser replicado. O objetivo é sempre o conhecimento final”. Este procedimento é, também, essencial para que uma ponte seja estabelecida com a sociedade. Mas, qual a importância dessa ligação? “Por um lado, porque somos financiados pela própria sociedade e, portanto, é a resposta a um compromisso. Depois, por outros aspetos. Por exemplo, despertar a vocação científica nos mais novos e transmitir valores de igualdade de género na ciência”.

 

E haverá alguma ligação entre Cinema e Ciência? Talvez. Até porque “muito do que temos atualmente vem da ficção científica”. “Os autores de ficção científica são fantásticos para prever os avanços científico-tecnológicos que tivemos até hoje e, sobretudo, lançar questões éticas”. Joana não se dedicou à ficção científica, mas firmou passos na produção de conteúdos audiovisuais. “No fundo, eu tinha um conjunto de ideias para comunicar ciência. Sobretudo aos mais novos. Daí, surgiu a oportunidade de me candidatar a um financiamento público de projetos para a promoção da cultura científica, em Espanha. Candidatei-me com a ideia de uma minissérie de televisão, de nome ‘1 minuto de Biomedicina’ “. Em cada episódio, são explicados conceitos com que trabalhamos no laboratório, mas que são desconhecidos para as crianças”. Esta minissérie integra o projeto Biomedicina com e para a Sociedade, cujo objetivo é aproximar o “mundo científico” à sociedade.

 

 

 

 

As ideias nascem do que as precede, antes de terem um nome ou uma capa. Foi o que aconteceu com a segunda minissérie que criou, exibida no canal espanhol V TelevisiónQuando for grande quero ser cientista. “Comecei a ler literatura e a investigar sobre Comunicação de Ciência – no fundo, aquilo que faço no âmbito do trabalho como cientista. Constatei que existia uma falta de representação de mulheres nas séries televisivas para crianças. Então, decidi candidatar-me com outra minissérie”. Não foi difícil justificar a sua criação: “Todas as personagens são jovens, no fundo, porque acho que é algo com que me identificava. Para além disso, ou são mães, amigas ou tias de alguém que trabalha em museus. No fundo, pessoas que fazem parte do nosso quotidiano. Imaginava-me, talvez, a falar com os meus sobrinhos sobre o meu dia-a-dia. Todos nós passamos pela fase da infância e sabemos aquilo que queremos saber e o que procuramos que nos contem”.

 

As lembranças vão surgindo, aliadas ao desenrolar dos projetos. Não há aparência de qualquer dissociação entre o que se viveu e o que se construiu. Afinal, haverá alguém que não consiga recordar a primeira vez de alguma coisa – a primeira vez que conheceu alguém, por exemplo? “Eu lembro-me da primeira cientista com quem tive contacto, chamada Céu Figueiredo – que é investigadora no Instituto de Investigação e Inovação em Saúde (i3S). Trabalha com cancro e conheci-a através de um amigo do meu irmão. Nós precisamos sempre dessas referências”. E são “essas referências” que constituem o fator-chave da ideia subjacente a este trabalho.

 

 

 

 

Antes da estreia na televisão, a minissérie contou com eventos de pré-estreia, que tiveram lugar no Museu Nacional da Ciência e Tecnologia (MUNCYT). “Foi fantástico. Tivemos duas experiências muito boas. Entretanto, há vários professores que utilizam os episódios como ferramenta de trabalho nas próprias aulas – que, também, era uma das ideias”. A par deste, outros projetos foram surgindo. É o caso da colaboração com o Canal Fan3 – coordenado pela jornalista Lary Léon -, resultante de uma parceria entre a Fundação Atresmedia e cerca de 100 hospitais de Espanha. “As crianças que são internadas nas zonas da pediatria têm acesso a um canal com programação específica para elas, que as ajuda a entender as suas doenças e as pessoas que estão envolvidas nos seus tratamentos e cuidados”.

 

Esta iniciativa estendeu-se, através de outra parceria com a Fundação Vodafone Espanha. “A Fundação criou um clube de legendistas voluntários que fazem legendas para os filmes destinados a crianças surdas ou com capacidade auditiva diminuída. Isso ajuda a que as escolas possam utilizar a série como recurso educativo, destinado a essas crianças”. Recentemente, o museu Domus, na Coruña, criou uma programação de audiovisuais – que inclui filmes sobre Ciência – e, no final de cada filme, é exibido um episódio de Quando for grande quero ser cientista.

 

Esta minissérie insere-se no projeto Científicas en Biomedicina: una carrera de fondo – em português, Cientistas na Biomedicina: uma carreira de fundo. A ideia foi representar personalidades femininas ligadas a áreas como Ciências, Tecnologia, Engenharia e Matemática, com aplicações na biomedicina. Para além da minissérie que o constitui, foi, também, produzido um programa de rádio, de nome Saúde com Biomedicina, e um “trabalho interativo” com escolas, que envolveu a produção de um conjunto de vídeos com o nome Charla con una Científica. Desta chamada de atenção para a falta de representação de mulheres nos meios de comunicação, surgiu o convite de Manuel Vicente – comunicador de ciência, na Radio Galega -, para colaborar no programa Efervesciencia. Este programa, inclui uma secção denominada  “Mulheres e Ciência”, do qual Ana Godinho – responsável pela educação, comunicação e divulgação da Organização Europeia para a Pesquisa Nuclear (CERN) – foi uma das convidadas, numa entrevista gravada em Portugal.

 

 

Nem só de Ciência se faz a cientista. A Mulher

 

 

Aproximamo-nos do final da conversa. Surge o inevitável: a defesa da “perspetiva de género na Ciência”. Por onde começar? “Esta temática tem muitas vertentes e dava para outra entrevista”, comenta Joana. O início da luta remonta a um convite para integrar os órgãos sociais da Associação de Mulheres Investigadoras e Tecnólogas (AMIT). “Um dos nossos objetivos é, entre outras ações, conseguir a igualdade real em termos de representação das mulheres na ciência”. Apesar desta desigualdade não ser tão aparente na sua área, assume a importância da continuidade deste combate. “Quando se vai avançando na carreira, vê-se que existe uma segregação vertical. Um dos grandes motivos é a maternidade e, no fundo, o que se acaba por ver é a ausência de mulheres nos postos mais elevados da ciência”.

 

Há, no entanto, exceções e realça o panorama positivo encontrado no nosso país. “Portugal, por exemplo, é uma das referências positivas a nível mundial, onde existem várias mulheres que são diretoras de institutos de investigação, como é o caso da Mónica Bettencourt-Dias [diretora científica do Instituto Gulbenkian de Ciência]  ou da Maria Manuela Mota [diretora executiva do Instituto de Medicina Molecular, em Lisboa]. Estas são algumas das referências. Haver menos mulheres em postos como estes, leva a que haja menos perspetiva de género, também, na própria investigação. É um trabalho que temos de continuar a fazer”.

 

As desigualdades verificam-se noutras realidades, como é o caso dos ensaios clínicos: “Vemos que o modelo habitual de ensaios clínicos é o homem. Um estudo realizado nos Estados Unidos da América, mostrou que vários medicamentos que tinham sido retirados do mercado, apresentaram efeitos secundários nas mulheres. Este é um motivo direto da falta de representação das mulheres em ensaios clínicos. Temos de continuar a trabalhar para a igualdade”.

 

Seguimos caminho. Cientistas de referência? Pelo menos dois: Londa Schiebinger e Robert Langer. “A Londa é uma pessoa que me tem fascinado com o seu trabalho. No programa europeu Horizonte 2020 – e já na sua edição anterior, o FP7 – foram criadas medidas para promover a inserção da perspetiva de género nos projetos de investigação. Isto foi baseado num projeto do qual a Londa é a coordenadora: Gender Innovations. Dentro da área da Medicina Regenerativa, destaco o Rober Langer, não só como investigador, mas como mentor de diferentes investigadores. Ver a grande rede que ele criou, a nível mundial, é fantástico e, para mim, inspirou-me desde o momento em que eu entrei na área de Biomateriais. Continua a ser uma grande referência”.

 

Se tivesse de escolher uma música que retratasse a harmonia perfeita entre Portugal e Espanha, a escolha incidiria sobre Grândola, Vila Morena, de Zeca Afonso. “A primeira vez que o Zeca Afonso cantou essa música em público foi em Santiago de Compostela. É uma música com um significado muito grande para os galegos. A primeira vez que fui ouvir a Orquestra Sinfónica da Galiza, na Coruña, a última música que eles tocaram foi a Grândola, Vila Morena e emocionei-me bastante, porque toda a gente começou a cantar e a bater palmas – o que não é habitual quando se está a ouvir uma Sinfónica. Isso deixou-me muito emocionada, como ainda hoje fico quando ouço essa música na Galiza. Acho que é algo de uma união muito forte com Portugal”.

 

Como sequelas da pandemia, muitos aspetos mudarão e as circunstâncias laborais incluem-se nessa mudança. Antes do futuro, há medidas a serem tomadas no presente. “Desde o início, tomamos precauções. Ficamos todos a trabalhar a partir de casa. O que fiz foi adaptar-me: foquei-me em escrever artigos e orientar a tese da minha estudante de doutoramento – tudo o que consigo fazer a partir de casa. Ao nível da ciência, acho que já havia muita gente a trabalhar a partir de casa. O trabalho de ciência raramente é um trabalho das oito às cinco. Acabo, muitas vezes, por vir para casa ler artigos, corrigir trabalhos e preparar aulas. Há sempre tarefas que podem ser feitas remotamente. Isso vai continuar a acontecer e, daqui para a frente, provavelmente, cada vez mais”. Apesar das adaptações, há valores que não devem ser dispensados. “Esperamos que, com isto, não haja oportunidade para a rutura dos direitos conquistados pelos trabalhadores. Acho que devemos estar atentos às transformações que estão a acontecer”.

 

Os olhares voltam-se para os dias que se seguem. Não há uma ideia estritamente definida, mas um conjunto de hipóteses, cuja viabilidade se rege de acordo com alguns fatores. “Neste momento, aquilo que tento – e que sempre tentei – é a colaboração com colegas de Portugal, tanto ao nível da Comunicação de Ciência como da atividade científica. Vou continuar a fazer isso. Ao nível da Comunicação de Ciência, tenho mais ideias para uma série de televisão que, neste caso, não seria uma minissérie”. Para além disto, a ideia de voltar ao país que a viu nascer não constitui um cenário impossível. “Depende do tempo que durem as medidas que estão a ser aplicadas e o impacto económico que terão, sobretudo nos países mais afetados. Há, no entanto, o desejo de um dia voltar a Portugal”.

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