Percurso pelos arrozais celebra a cegonha, símbolo de Oliveira do Bairro

 

Não é por acaso que a cegonha foi a espécie escolhida para figurar no grande mural que o artista e ativista Bordalo II criou em Oliveira do Bairro. A freguesia está intimamente ligada a esta ave, tendo-a adotado como um dos seus símbolos.

 

Aquela instalação urbana, uma grande ave criada a partir de desperdício recolhido pelo artista, de asas abertas a todos quantos chegam a Oliveira do Bairro por nascente, resultou de um desafio da junta de freguesia ao artista e, desde que foi instalada, no verão de 2019, já pôde ser apreciada por milhares de bairradinos e forasteiros.

 

A cerca de dois quilómetros dali, na Murta, há um percurso de natureza conhecido como Rota das Cegonhas que também celebra esta espécie e alerta para a importância da preservação das paisagens que lhe servem de habitat, levando os visitantes a conhecer um património natural marcado pelo rio Cértima e pelos vastos campos de arroz.

 

A Rota das Cegonhas não chega a ter sete quilómetros de extensão e tanto convida a um passeio a pé – que não deverá demorar muito mais de uma hora e meia – ou uma jornada de bicicleta. Apesar de ter alguns troços em estrada, se optar por pedalar, uma bicicleta de todo o terreno será a mais indicada.

 

 

O percurso é circular e começa e termina no mesmo local, na rua Padre Acúrcio, junto aos lavadouros e à igreja da Murta. Ainda assim, a entrada no trilho propriamente dito só aparece mais à frente, já na rua Francisco Cruz. O caminho florestal levará o visitante por entre vinhas, matos e eucaliptais até à zona do vale do Cértima.

 

A partir daqui o percurso segue paralelamente ao rio e, à medida que vão avançando, os visitantes poderão contemplar os vários campos de cultivo e toda a vegetação que se lhes associa.

 

Os mais emblemáticos são os arrozais, verdadeiros mantos verdejantes que ondulam ao sabor do vento e se estendem quase até onde a vista alcança. Um cenário inconfundível que é enquadrado (e alimentado) pelo rio, a nascente, e por um denso bosque de árvores altas, a poente, e que serve de lar para a cegonha-branca (Ciconia ciconia).

 

Estejam a pairar no ar, a pescar nas marinhas de arroz ou no ninho, a cuidar das crias, estas aves dão um espetáculo digno de se observar com atenção.

 

 

Os ninhos são às dezenas! Para os construir, as cegonhas escolhem lugares altos – árvores, chaminés ou torres elétricas. Ao longo deste percurso, há torres de alta tensão que já funcionam como verdadeiros “condomínios” com vista privilegiada sobre os arrozais, dada a grande quantidade de ninhos que alojam.

 

O número de cegonhas em Portugal tem vindo a aumentar significativamente nos últimos anos devido à abundância de alimento nos campos e nos depósitos de resíduos e muitas aves já se tornaram residentes permanentes, optando por não migrar no inverno.

 

Além de permitir observar esta ave, o percurso pedestre e ciclável leva os visitantes a aprender mais sobre a forma como a espécie convive com as restantes aves que se encontram por estas paragens. É que, além das cegonhas, é comum observar-se igualmente garças-reais, garças-brancas e até garças-vermelhas. Existem ainda águias-sapeiras e milhafres pretos que pairam no ar como se estivessem alerta aos predadores típicos daquelas aves mais delicadas.

 

 

Continuando o caminho, é provável encontrar alguns pescadores que, de cana em punho, tentam a sua sorte nas águas do Cértima. Dizem que, depois das intervenções de reabilitação e valorização ecológica de que tem sido alvo, aos poucos, neste troço o rio já começa a ser rico em carpas e pimpões.

 

O Cértima é a artéria fluvial mais importante para os ecossistemas que dele dependem. É ele que abastece os arrozais, bem como a Pateira de Fermentelos, a maior lagoa natural da Península Ibérica, a poucos quilómetros dali.

 

Voltando ao percurso, e chegados ao cruzamento com a rua do Ortigal, os visitantes devem cortar à esquerda e percorrer pouco mais de duas centenas de metros por estrada até voltar a cortar de novo à esquerda, continuando o trilho por entre os campos de cultivo, levadas e zonas de sombra arborizadas.

 

Um pouco mais à frente, abandonarão finalmente os campos, seguindo pelas ruas da aldeia até ao largo do lavadouro e da igreja, que marca o início e fim desta Rota.

 

*Fotos: Afonso Ré Lau Unsplash

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