Reitor da UA: “Prioridade é garantir a segurança de todos”

 

A Universidade de Aveiro já atualizou o seu Plano de Prevenção e Atuação e estabeleceu as medidas e procedimentos para o funcionamento do ano letivo 2020-2021 em contexto de pandemia. Haverá horários alargados e desfasados, menos estudantes por turma, novas rotinas de higienização e limpeza, novos circuitos de acesso aos departamentos e serviços, e todo um conjunto de regras de conduta que visam promover o distanciamento físico e a segurança de todos.

 

As aulas na Universidade de Aveiro estão de volta já no próximo dia 6 de outubro e em regime misto. Para Paulo Jorge Ferreira, reitor da UA, o ensino presencial é “fundamental” e, por isso mesmo, a regra.

 

O reitor considera que “o processo de aprendizagem numa universidade assenta na interação social e ao tirarmos a proximidade entre as pessoas tudo fica muito mais difícil”.

 

Todas as aulas práticas ou experimentais serão, por isso, concretizadas presencialmente, especialmente em áreas como as artes, a saúde ou o desporto, em que “a presença nas instalações, a interação com os equipamentos e com o outro é essencial”.

 

Todavia, como forma de diminuir a pressão sobre os espaços, e desde que isso não comprometa os objetivos de aprendizagem, algumas componentes, principalmente as de natureza teórica, serão transmitidas a distância.

 

O número de estudantes por turma foi reduzido em função das limitações dos espaços e os horários alargados.

 

Com exceção dos cursos em regime pós-laboral, as aulas vão começar mais cedo – às 8h00 – e, nos casos em que for necessário, terminar mais tarde – até às 20h00. Não haverá aulas aos sábados. Em entrevista à Aveiro Mag, o reitor explicou que essa hipótese chegou a ser ponderada, mas acabou por ser possível construir os horários sem recorrer a essa solução. As únicas aulas ao sábado circunscrevem-se a situações pontuais pré-existentes.

 

Passará, no entanto, a haver aulas nas tardes de quarta-feira, período no qual, por diversos motivos, não era costume existirem atividades letivas, avisa o reitor.

 

Além de alargados, os horários letivos serão também desfasados de maneira a “não entrarmos e não sairmos todos à mesma hora” e, assim, “diminuir a pressão sobre os serviços, refeitórios, bibliotecas e transportes”, esclarece.

 

O uso de máscara é obrigatório em todos os espaços interiores e recomendado – não só pela universidade, mas, atualmente, pelas próprias autoridades de saúde – nos espaços exteriores.

 

Para isso, serão distribuídas máscaras de proteção a toda a comunidade académica – 15 mil alunos e mais de 2 mil professores, técnicos e investigadores. Segundo Paulo Jorge Ferreira, cada pessoa receberá duas máscaras reutilizáveis de nível 2 certificadas para 100 lavagens que, idealmente, deverá ser suficientes para o primeiro semestre.

 

Contudo, o processo de disponibilização de equipamentos de proteção individual não se fica por aqui. Aos técnicos com funções atendimento ao público em locais onde não possa ser instalada uma barreira física e aos docentes que lecionem em salas onde esteja assegurado o distanciamento físico de dois metros serão entregues viseiras de acordo com as solicitações. Em ambos os casos – máscaras ou viseiras -, no momento de entrega será efetuado um registo e disponibilizadas orientações para a sua correta utilização, higienização e descarte.

 

Serão afixados mapas com indicação dos locais de distribuição destes equipamentos de proteção individual e dos contentores próprios para a sua deposição depois de utilizados, bem como as vias de acesso e circulação no edifício e os locais de higienização das mãos.

 

A permanência nas instalações da UA deve ocorrer apenas na medida das atividades pedagógicas e letivas, evitando a presença desnecessária ou injustificada nos campi.

 

Os estudantes só podem frequentar as aulas da turma a que estão formalmente alocados e o registo de presenças em sala de aula é obrigatório.

 

Nas salas de aula, estará garantido um distanciamento físico de, pelo menos, um metro entre pessoas e disposições que impliquem estudantes virados de frente uns para os outros serão evitadas. Já nos anfiteatros, as filas serão ocupadas de forma a deixar os lugares desencontrados, com um lugar de intervalo entre pessoas. Sempre que possível, a primeira fila não será ocupada para garantir a distância ao docente ou orador.

 

O mesmo acontece nas cantinas e bares que viram os seus horários alargados e estão organizadas de modo a deixar um lugar de intervalo entre os utilizadores. Está proibida a utilização de áreas informais para alimentação.

 

Também nas bibliotecas e espaços de estudo, nos ginásios e instalações desportivas e nas residências académicas as orientações das autoridades de saúde quanto ao distanciamento físico e à limitação do número de pessoas em cada espaço foram tidas em atenção. De acordo com o reitor, “os quartos nas residências vão ser todos individuais” e haverá “cuidados adicionais de higiene dos espaços comuns”.

 

Regra geral, os locais de atendimento ao público estarão equipados com barreiras de acrílico e as entradas e saídas terão, sempre que possível, vias de acesso distintas. O objetivo é manter a distância física aconselhada, minimizando as possibilidades de contacto.

 

Como medida de prevenção, a UA compromete-se também a reforçar a higienização das mesas, cadeiras, maçanetas e puxadores das portas, os corrimões e interruptores, os botões dos elevadores, máquinas de vending, torneiras e equipamentos sanitários e dispensadores de álcool gel.

 

Na entrada de cada edifício existirá um tapete de higienização de calçado com solução desinfetante que será substituída duas vezes por dia.

 

A UA poderá promover congressos, reuniões, conferências ou eventos, desde que salvaguardando o cumprimento das recomendações das autoridades de saúde e a legislação em vigor e garantindo sempre o registo de todos os participantes.

 

Quanto ao habitual programa de acolhimento, que tem reunido todos os anos mais de 2 mil novos alunos da academia, e que costuma ter no mega piquenique no relvado do Campus universitário o seu ponto mais alto, não vai poder realizar-se.

 

“Este ano, não pode haver uma grande festa. Os estudantes serão acolhidos nos seus departamentos e escolas”, lamenta o Paulo Jorge Ferreira, reconhecendo que esta é a decisão mais sensata para evitar grandes aglomerados e garantir que a comunidade não é exposta a riscos.

 

Todas as praxes académicas estão proibidas.

 

Paulo Jorge Ferreira tomou posse em maio de 2018, longe de pensar que, enquanto reitor da Universidade de Aveiro, teria de enfrentar uma crise sanitária da dimensão da que vivemos atualmente. E se ser reitor da UA “seria sempre um privilégio e uma responsabilidade”, sê-lo num contexto pandémico é “um desafio monumental, ainda que apaixonante”, reconhece Paulo Jorge Ferreira.

 

Apesar de encarar a pandemia como uma catástrofe em termos de saúde pública e impacto social e económico, o reitor também consegue ver-lhe uma outra faceta. “Não deixa de ser uma enorme oportunidade de transformação. A pandemia trouxe várias mudanças que nós já queríamos implementar, mas obrigou-nos a aplicá-las com urgência. Há janelas de inovação e colaboração que se abriram e que não se deviam voltar a fechar”.

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