“Super disseminadores deviam ser vacinados primeiro”, diz estudo da UA

 

Vacinar primeiro os “super disseminadores” da Covid-19 limita muito mais a propagação do coronavírus e pode diminuir o número global de mortes do que a estratégia de vacinar primeiros os idosos e, sucessivamente, os grupos etários de idades inferiores. A conclusão é de um estudo de uma equipa de investigadores da UA – Universidade de Aveiro.

 

Com base num modelo epidemiológico, esta investigação mostra a importância dos “nós” da rede social com maior número de contactos – que, por consequência, apresentam um poder de disseminação muito superior ao da média da população – sobre a eficácia da estratégia de vacinação.

 

Os investigadores consideram que “uma escolha criteriosa quanto a que quem vai compor o primeiro grupo a ser vacinado pode ter impactos significativos tanto no número total de óbitos quanto na procura por cuidados de saúde” e que “optando por uma estratégia de vacinação que passe primeiro por estes potenciais transmissores do coronavírus, o número de mortes a menos poderá alcançar valores na ordem dos milhares”.

 

Se o país vacinar 20 por cento da população com idade compreendida entre os 30 e os 39 anos – a faixa etária onde os cientistas colocam o grosso destes “super disseminadores” – e, reportando, por exemplo, ao contexto pandémico de janeiro de 2021, o país teria menos 2 ou 3 mil mortes dependendo do cenário usado, explica José Fernando Mendes, investigador do Departamento de Física da UA.

 

“Super disseminadores” são, por exemplo, “todos os profissionais de saúde, professores de todos os níveis de ensino, trabalhadores de transportes públicos, trabalhadores de supermercados e outros que lidam diretamente com um grande número de pessoas”, aponta.

 

Com base nesta abordagem, e contrariamente às estratégias de vacinação seguidas pelos países da União Europeia, Estados Unidos e um pouco por todo o mundo, José Fernando Mendes apela a que a proposta da sua equipa seja “considerada por todas as autoridades participantes no desenho do protocolo de vacinação Covid-19, com o intuito de minimizar o número de mortes”.

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