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João Ribeiro e a “unidade” que serve 2.500 refeições por dia e gere 1.150 camas

Sociedade

 

 

Batemos à porta com o propósito de ficar a conhecer o restaurante que ajudou a elevar a Universidade de Aveiro a um patamar diferenciado, mas acabámos por ser surpreendidos com uma variedade de serviços e respostas sem igual na região. São 2.500 refeições por dia e 1.150 camas para gerir, para além de todos os outros serviços que é preciso assegurar, nomeadamente um centro de saúde e o apoio social direto aos estudantes economicamente mais carenciados (bolsas de estudo). Falamos dos Serviços de Ação Social da Universidade de Aveiro (SASUA) e do seu papel numa comunidade formada por mais de 16.000 estudantes - mais de 2.000 vindos de 80 países de todos os continentes.

Assim que entramos no edifício onde se encontra localizado o Restaurante Vegetariano – afinal de contas, o pretexto da nossa visita –, surpreendemo-nos com o que a nossa vista alcança. Um restaurante moderno, bem decorado e com vistas desafogadas, capaz de fazer inveja a uns quantos espaços gastronómicos da cidade. Com serviço buffet, é um facto, mas com uma dezena de opções 100 por cento vegetarianas. E todos os dias a ementa muda, garantem-nos. No piso de cima, nova surpresa: outro restaurante, desta feita com pizzas, hambúrgueres e saladas (chamam-lhe Restaurante Trêsdê - Distinto, Diferenciado, Diversificado). Ao lado, um “boutique bar”, com bolos e salgados de fabrico próprio – se, por esta altura, estiver a pensar “no meu tempo não era assim”, saiba que não é o único.

“Rapidamente nos apercebemos que uma cantina ou um serviço de refeição numa universidade não tem de ser só social”, introduz João Ribeiro, diretor dos SASUA. Depois de perceberem que alguns elementos da comunidade iam comer ao exterior, estes serviços decidiram aproveitar o edificado de que já dispunham e criaram espaços de refeição complementares às cantinas (Santiago, Crasto e Águeda). “Sem desprimor pela refeição social. Os critérios que nós aplicamos na refeição social são exatamente os mesmos que aplicamos nestes restaurantes. O que diferencia aqui é a escala de produção”, assegura o responsável pela unidade que também gere um restaurante de grelhados.

Contas feitas, “a logística tem que existir e tentando que o dia a dia seja de facilidade e não de dificuldade. Embora, as dificuldades existam sempre”, nota João Ribeiro, reconhecendo que os SASUA estão sujeitos às condicionantes que afetam tantas outras unidades de restauração e hotelaria: a dificuldade em contratar pessoal. “Falta mão de obra e não estamos a conseguir fazer uma renovação geracional”, aponta. “Hoje, por exemplo, faltaram 14 pessoas só na área da alimentação. Temos de colmatar isto. Às vezes, podemos ter de fechar uma unidade ou funcionar de forma mais condicionada. Por exemplo: um bar precisa de três pessoas, passa a funcionar com duas”, refere.

 

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Mais 250 camas prestes a serem criadas

As atuais 1.150 camas (1.050 para a formação inicial, licenciatura e mestrado, e 100 para 3º ciclo, docentes, convidados) estão prestes a serem reforçadas. “Já estão em construção mais dois blocos e numa segunda fase serão mais três. Estamos a falar de um total de cerca de 250 camas, nos cinco blocos”, contabiliza. Um reforço que é particularmente bem-vindo numa época em que os estudantes sentem dificuldades em arranjar alojamento na cidade. E quando conseguem, deparam-se com “preços pouco simpáticos”, nota, por seu turno, Carmen Monteiro, diretora de serviços dos SASUA.

É aqui que entra outra das respostas importantes desta unidade da UA. Apoiar, através do fundo social da própria universidade, os alunos que ficam de fora da faixa definida pelo Governo para receber o complemento de alojamento. “Até ao limite de 4.600 euros de rendimentos anuais, há toda uma atribuição de bolsa. Mas a partir desse limite e até aos 11 mil e tal euros, a bolsa é a mesma. Ou seja, há um intervalo muito grande e isso é problemático. Temos um estudante com rendimentos anuais de 11 mil euros a receber exatamente a mesma coisa que um estudante com 4.800 euros. Não é comparável. E aí nós fazemos uma análise, através da nossa equipa de assistentes sociais, para apoiar ou através da alimentação ou na mensalidade do alojamento, de forma a criar mais alguma facilidade e não estar a onerar mais as famílias. Mas tudo isso a expensas da UA. Esse fundo social é integralmente suportado por receitas próprias”, enquadra João Ribeiro.

A dificuldade para encontrar alojamento em Aveiro tem afetado, sobretudo, os pais. “Vimos pais a chorar quando não conseguem alojamento para os filhos. Veem as aulas a começar e não têm alternativa”, testemunha João Ribeiro. “Tentamos apoiar. Muitas vezes fazemos de assistentes sociais”, acrescenta. É caso para perguntar o que é que aconteceu em Aveiro, uma vez que a universidade não aumentou assim tanto o número de alunos que possa justificar esta falta de alojamento para estudantes. “Alojamento local. Não existia e passou a existir. A oferta de alojamento está ocupada pelo turismo”, observa.

 

Novas propostas na área da alimentação

A criatividade parece fazer parte do ADN da equipa dos SASUA – são cerca de 170 pessoas. Durante a pandemia, ousaram criar o menu piquenique, servindo as refeições numa cesta, e a adesão foi de tal ordem que ainda hoje mantêm essa proposta. Na calha estão outras propostas inovadoras. “Queremos dinamizar a padaria que temos neste edifício, que é a única valência que ainda não está dinamizada. Todo o edifício está em laboração, excetuando essa parte”, anuncia João Ribeiro. “Com a construção das novas residências vamos ficar com ainda mais pessoas a viver aqui, na margem do campus. Se temos mais pessoas a viverem cá, então elas têm que ser apoiadas. Criando aqui a padaria vai criar um fluxo, nomeadamente durante a noite, vamos ter uma maior movimentação que também vai aumentar a segurança. Maior segurança e maior bem-estar. Quem é noctívago e gosta de estudar à noite, tem um local onde pode acorrer”, refere, a propósito daquele que será um dos próximos investimentos dos SASUA.

 

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