O Plano de Pormenor do Cais do Paraíso - que prevê, nomeadamente, a construção de um hotel de 12 pisos - volta a ser discutido em sede de Assembleia Municipal de Aveiro, previsivelmente já esta quinta-feira. Ainda que este órgão autárquico apresente agora um elenco diferente daquele que tinha aquando da primeira discussão e votação do plano, em setembro, é muito pouco provável que o plano seja chumbado, dado que a coligação PSD/CDS detém maioria absoluta (12 eleitos e nove presidentes de junta de freguesia; o PS tem nove deputados e um presidente de junta; o Chega tem três eleitos e a Iniciativa Liberal dois).
O documento volta à assembleia por conta de uma proposta de revogação apresentada pelos vereadores eleitos pelo Partido Socialista e que mereceu os votos favoráveis do vereador do Chega, Diogo Machado.
O PSD, através da sua comissão concelhia, já veio lamentar esta tomada de posição dos socialistas, considerando que, na reunião de câmara da passada sexta-feira, “ficou claro que o PS tenta desviar o foco do essencial, afirmando que o problema não é o hotel em si, mas sim o turismo, o desenvolvimento e os empregos que o projeto poderá trazer para Aveiro. Esta posição é, no mínimo incoerente. O turismo qualificado, o desenvolvimento económico e a criação de emprego são precisamente alguns dos principais desígnios que qualquer município moderno e ambicioso deve promover e defender”.
Segundo sustentam ainda os social-democratas, “a verdade é simples e inegável: a zona do Cais do Paraíso encontra-se atualmente abandonada, degradada e sem qualquer dinamismo. Carece urgentemente de uma requalificação séria e estruturada. O projeto em causa representa uma oportunidade concreta de investimento privado, com a instalação de um hotel de 5 estrelas, capaz de elevar a qualidade da oferta turística de Aveiro, aumentar a estadia média dos visitantes e gerar riqueza, emprego e notoriedade para o concelho e a região”.
Já o PS mantém-se firme na tentativa de travar aquele plano urbanístico. O seu cabeça-de-lista nas eleições de outubro, Alberto Souto, volta a apelar aos deputados municipais para que travem “uma nódoa urbanística de que só três pessoas gostam (o promotor, o ex presidente e o actual)”. “Quantos deputados do PSD e do CDS serão capazes de pensar pela própria cabeça e exercer autonomia de voto, numa matéria em que não há disciplina dele?”, escreve o socialista, na sua página de Facebook.
Alberto Souto deixa ainda uma sugestão ao presidente da Câmara de Aveiro, o seu irmão Luís Souto. “Reúna com o promotor. Proponha-lhe outros terrenos e outra volumetria. Vai ficar surpreendido com a flexibilidade e pragmatismo de alguns investidores. Obtusos e cegos urbanísticos só mesmo alguns políticos. A revogação do PP do Cais do Paraíso será, então, uma vitória sua. E o contrário: quanto mais força tentar exibir sem músculo racional e por um erro crasso, mais fraco fica. Se deixar construir será um coveiro a dar a licença para um mausoléu”.
A assembleia municipal de Aveiro tem reunião agendada para esta quinta-feira, 18 de dezembro, às 20h30. Além do plano do Cais do Paraíso, a ordem de trabalhos contempla ainda a aprovação de taxas para 2026 e o novo regimento da assembleia municipal para o corrente mandato, entre outros pontos.