Estação

Produtos da identidade aveirense dão vida nova à antiga estação de comboios

Estação

 

 

“Uma nova sala de visitas da cidade, do município e da região” – Foi assim apresentada a “nova” Estação de Aveiro, um espaço requalificado e com nova vida, capaz de “voltar a receber a gente da nossa terra e aqueles que nos visitam para passar algum do seu tempo”. Depois de uma empreitada de reabilitação que custou cerca de 1 milhão de euros, o edifício da antiga estação ferroviária foi ontem à noite inaugurado.

 

Continuará a ser conhecida como “Estação”, tal como, desde sempre, as gentes aveirenses a chamaram. “Não havia palavra mais expressiva para designar aquele edifício” que, agora, é “bem mais do que um sítio onde passam e param comboios”, admite Ribau Esteves.

 

Se, por fora, se mantém toda a estrutura e arquitetura da fachada, com os emblemáticos painéis de azulejo, por dentro, a antiga estação é, hoje, um edifício novo nas paredes, mas, principalmente, na vocação e na vida que se lhe quer imprimir.

 

 

O rés-do-chão está ocupado por uma loja de produtos identitários, marcas da cidade, do município e da região de Aveiro. E “a escolha foi fácil”, reconhece o presidente da câmara municipal: Ovos moles, sal e vinhos e espumantes da Bairrada foram os produtos eleitos para figurarem num espaço onde, além de vendê-los, quer-se promover a sua cultura e tradição.

 

Para isso, os produtos estarão expostos de uma forma cuidada, com painéis descritivos e um conjunto de fotografias e vídeos que ajudarão os visitantes a perceber os pormenores sobre a forma como eles se produzem e se consomem.

 

Os motivos marítimos servem de inspiração às formas das hóstias recheadas com um delicioso creme feiro à base de água, açúcar e ovos, servidos em barricas decoradas com paisagens locais e regionais. Os ovos moles são verdadeiras obras de arte para degustar com todos os sentidos e, neste espaço, a sua gestão será assegurada pela APOMA – Associação de Produtores de Ovos Moles de Aveiro.

 

Filho da Ria, do sol e do vento, o sal branco e brilhante das marinhas de Aveiro, produzido artesanalmente, é outro dos produtos identitários disponíveis nesta loja. Uma vez que não existe, em Aveiro, uma associação de produtores e comerciantes de sal, é a própria autarquia a assumir a gestão desta componente, valendo-se para isso, da produção do Eco-museu municipal da Marinha da Troncalhada. Ainda assim, Ribau Esteves tem “esperança que isto possa servir de estímulo para que, no futuro, possamos vir a ter numa associação de produtores e comerciantes de sal, o parceiro para gerir connosco este edifício fantástico”.

 

Finalmente, para acompanhar o doce e o salgado, os sabores e aromas dos vinhos e espumantes da região vitivinícola da Bairrada completam o trio de produtos da identidade aveirense patentes neste novo espaço. A gestão destes produtos será assegurada por uma dupla de parceiros: a associação Rota da Bairrada e a Comissão Vitivinícola da Bairrada.

 

Já no 1.º andar, existem duas salas polivalentes, “espaços abertos à comunidade”, disponíveis para as mais diversas utilizações: exposições, conferências, ações de formação, apresentações de produtos. A partir de sábado, e até ao final de julho, estará patente nestas salas, aquela que será a segunda apresentação de uma exposição sobre a história, o projeto e a obra da Avenida Dr. Lourenço Peixinho.

 

 

 

Trata-se de “um dos edifícios mais marcantes da cidade”, reforça António Laranjo, presidente da IP – Infraestruturas de Portugal, “os donos da casa”, como Ribau Esteves faz questão de sublinhar. Esta empresa pública, que resultou da fusão entre a REFER e a Estradas de Portugal, confiou o edifício da antiga estação ao município de Aveiro, em regime de comodato e por um período de 50 anos.

 

“[Um município] conseguir fazer deste que é um dos mais bonitos edifícios do património ferroviário português, e que estava a ser consumido pelo tempo e pela degradação, aquilo que hoje aqui se apresenta, é um exemplo que devia ser seguido”, sublinhou Laranjo.

 

O presidente da IP fez uma breve resenha histórica daquela estação, bem como do pequeno edifício que a antecedeu e que, em meados do século XIX, permitiu a ligação de Aveiro à ferrovia nacional. Laranjo referiu-se ainda à estação nova, construída no rescaldo do Euro 2004 e cuja ativação, à data, significou o abandono da antiga infraestrutura, lembrando que, nos próximos anos, aquele equipamento deverá tornar-se “um dos pontos centrais dos comboios de alta velocidade”.

 

A Estação abre hoje a visitas, dia que marca o 105.º aniversário daquele edifício, e estará acessível, das 10h00 às 18h00, todos os dias da semana.

 

 

*Fotos: Afonso Ré Lau

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