Centro de Religiosidade Marítima: um “espólio valioso” que já pode ser visitado

Centro de Religiosidade Marítima

 

Chama-se Centro para a Valorização e Interpretação da Religiosidade Ligada ao Mar e já abriu portas, no centro de Ílhavo. Este novo equipamento museológico destina-se à preservação e exposição ao público de um “espólio valioso” de obras de arte e bens culturais de natureza religiosa , peças que, “durante muitos anos, a paróquia [de Ílhavo] acumulou e guardou”, por não ter “condições para as expor e conservar”. O padre António Cruz, pároco de Ílhavo, reconheceu que “era uma pena que este espólio não estivesse exposto, de forma a poder ser contemplado por todos, em especial, pelas famílias ilhavenses intimamente ligadas à vida do mar e da pesca do bacalhau, que, não raras vezes, foram autoras de doações destas obras à Igreja”. O sacerdote congratulando-se, portanto, com a vocação do novo centro de religiosidade marítima, bem como com a sua “localização ideal” e com a disponibilidade da autarquia em assegurar a catalogação, restauro e preservação daquele património.

 

O centro de religiosidade marítima surge na sequência da empreitada de reabilitação do antigo quartel dos bombeiros e representa um investimento de mais de 1,4 milhões de euros, cofinanciados pela União Europeia. Fernando Caçoilo lembrou que a ideia surgiu no mandato anterior e que, depois da saída dos bombeiros, chegou a estar em cima da mesa a hipótese da demolição total daquele edifício, mas a câmara sempre insistiu para que tal não acontecesse. “Não somos um país rico. Temos que aproveitar aquilo que temos, sendo capazes de encontrar soluções”, disse o autarca. Neste caso, os objetivos passaram por “desafogar a igreja matriz”, com a demolição da ala nascente do antigo quartel, e, por outro lado, “dar vida ao resto do edifício”, com o novo centro de religiosidade marítima e outras valências, explicou.

 

Presente na cerimónia inaugurativa, o bispo de Aveiro felicitou a paróquia e o município pela solução encontrada para aquele espaço, lembrando que, “quando a ideia [de recuperar aquele edifício, convertendo-o num centro de religiosidade marítima] surgiu, todos a acarinhámos. Afinal, era uma forma de dignificarmos a igreja matriz e todo este espaço e também os Bombeiros, que têm um quartel novo”. D. António Moiteiro recordou o passado das gentes ilhavenses no mar e na faina maior, afirmando que, em Ílhavo, “a fé produziu obras maravilhosas”. O prelado sublinhou ainda alguns dos “verdadeiros tesouros” que podem ser apreciados naquele novo centro museológico, como uma “magnífica custódia” ou a “primeira relíquia” de S. Francisco Marto, uma das crianças da devoção de Fátima.

 

 

Por sua vez, Hugo Cálão, curador do espaço, destaca que o Centro para a Valorização e Interpretação da Religiosidade Ligada ao Mar de Ílhavo é “o primeiro centro de religiosidade de temática marítima em Portugal e será uma referência nacional naquilo que é o estudo e a mediação do património religioso ligado ao mar”. “Temos aqui peças excecionais do património religioso ilhavense, assim como importantes peças devocionais ligadas ao culto do Senhor Jesus dos Navegantes”, acrescenta.

 

O espaço museológico poderá ser visitado gratuitamente até ao final do ano, integrando o circuito museológico ligado à memória marítima e bacalhoeira dos ilhavenses, do qual já faziam parte equipamentos como o Museu Marítimo de Ílhavo, com o seu Aquário de Bacalhaus, e o Navio-museu Santo André, em fase final de renovação.

 

 

De notar, por fim, que, além do centro de religiosidade marítima, aquele edifício alberga também um auditório, uma loja social e a nova sede da Confraria Gastronómica do Bacalhau que, desta forma, e de acordo com o seu grão-mestre, João Madalena, “passa a ter um espaço digno e confortável, não só para guardar todos os seus materiais e equipamentos, mas, principalmente, para receber os convidados que vêm de fora, de outros pontos do país e do estrangeiro”.

 

 

*Painel de Júlio Pires no Centro de Religiosidade Marítima, foto de António Lau.

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