Amour

“Amour”: não são precisas palavras para celebrar o amor

Amour

 

No próximo sábado, dia 15 de janeiro, o Teatro Aveirense recebe “Amour”, espetáculo da companhia de teatro Marie de Jongh, de Bilbau, no País Basco. A peça, uma das mais premiadas em Espanha nos últimos anos – venceu, entre outros galardões, o Prémio Max 2017 para “Melhor Espetáculo Infantil e Familiar”, e contribuiu para que sua companhia – a Marie de Jongh – recebesse o Prémio Nacional de Teatro para a Infância e a Juventude, atribuído pelo Ministério da Cultura e do Desporto de Espanha, em 2018 –, sobe a palco às 21h30.

 

Com o estilo inconfundível de Jokin Oregi, responsável pela sua direção e dramaturgia, “‘Amour’ fala sobre o amor com letra maiúscula”, partilha o criador, em entrevista à Aveiro Mag. É “um ponto de encontro para partilha de emoções e reflexões, dúvidas e certezas” e “uma homenagem ao que, basicamente, é importante no amor: o respeito e a tolerância”.

 

À boa maneira dos espetáculos com o cunho da companhia de teatro Marie de Jongh, “Amour” é “teatro adulto para crianças e teatro infantil para adultos”. “Não nos interessa fazer espetáculos-bolha, isto é, que sejam só para crianças e não para adultos. Interessa-nos, sim, criar espetáculos em que as crianças se sintam parte ativa de uma comunidade, que saibam que contamos com elas”, sublinha Oregi, confessando “o prazer imenso que é ver, em Amour, uma mãe e uma filha a partilhar o mesmo momento de emoção e deslumbramento”.

 

O espetáculo começa quando as personagens são ainda crianças e, como crianças que são, brincam sobre o amor: “O que é amar? O que significa formar um casal? O que implica celebrar um casamento? Como é viver com a pessoa amada? As crianças imaginam-se nesses papeis e, por imitação dos mais velhos, tentam descobrir o mundo através da interação uns com os outros”, descreve o autor. De repente, passam mais de sessenta anos e aquelas mesmas crianças são, naquele momento, pessoas velhas. A consciência da passagem do tempo faz com que “entendam e vivam o amor de outra forma, apesar de a vontade (que já demonstravam quando eram crianças) de o perceber e descobrir, persistir”.

 

 

 

“Amour” é o primeiro espetáculo da companhia Marie de Jongh a utilizar máscaras, adereço imprescindível para a impressionante transformação dos atores que, no decorrer da peça, passam de crianças a velhos com uma facilidade e rapidez. A utilização de máscaras prende-se, em primeiro lugar, “com o facto de termos atores adultos e a necessidade de ter crianças em palco”. “Em vez de maquilharmos as bochechas de encarnado para nos caracterizarmos de crianças, encontrámos na máscara essa possibilidade. Já que temos de brincar à infância e à velhice, a máscara torna-se ferramenta fundamental”, afirma Oregi. No entanto, o autor explica que a “magia da máscara” vai além da solução prática que esta oferece. “[Com as máscaras] conseguimos gerar um universo único. O espetáculo ganhar uma carga visual e uma poética que não se entenderia sem as máscaras”.

 

Como é apanágio dos espetáculos da Marie de Jongh, “Amour” é uma peça de teatro gestual em que não há qualquer diálogo. Ainda assim, Oregi recusa a ideia de que trate de um espetáculo “sem texto”. “O texto existe. Não se diz, mas está lá. Existe na intenção da personagem, no seu objetivo, no seu pensamento. Optamos por utilizar o poder da palavra de uma forma diferente: no seu silêncio”, esclarece o dramaturgo.

 

Além de afastar aquele que podia ser o obstáculo do idioma entre artistas e público, este estilo de teatro gestual mascarado acaba por evidenciar uma certa componente de mistério. “O teatro é, por si só, intrigante. No entanto, ao eliminarmos a palavra, fazemos com que seja ainda mais intrigante e, ao eliminarmos igualmente o rosto das personagens, acrescentando-lhes uma máscara, tornamos o espetáculo triplamente intrigante. É curioso que é ao eliminarmos tudo isto que aparece a verdade”, diz Oregi, acrescentando que “é sempre mais importante aquilo que fazemos do que aquilo que dizemos”.

 

Depois de uma passagem pelo Festival de Teatro de Pombal, em março de 2020, com a peça “Estrella”, esta é a segunda vez que a companhia Marie de Jongh se apresenta no nosso país. “Amour” fará a sua estreia nacional em Aveiro e os artistas garantem estar “encantados por voltar a atuar em Portugal”.

 

Os bilhetes estão à disponíveis no Teatro Aveirense e em ticketline.sapo.pt.

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