Laura Alho, a psicóloga que também é escritora e adora cozinhar

 

 

 

A psicologia não foi uma escolha imediata. Ainda chegou a ingressar na licenciatura de Português-Francês e só depois de participar nalgumas ações de voluntariado e de passar por pequenas experiências profissionais é que despertou para a área da psicologia. Licenciou-se, fez mestrado e doutoramento, especializando-se na área forense. Pelo meio, ainda arranjou tempo para escrever dois romances e, segundo revelou à Aveiro Mag, há já um terceiro pronto a publicar. Laura Alho tem 39 anos, é natural de Albergaria-a-Velha e cresceu em Aveiro, cidade onde acaba de lançar um novo projeto profissional. Chama-se Think Wise e acabou por servir de mote a uma conversa que deu para falar sobre saúde mental em tempos de pandemia e outros temas mais.

 

É difícil apresentá-la em meia dúzia de palavras: psicóloga (exerce em Lisboa e Aveiro), docente, autora e coordenadora de obras científicas, e investigadora. Dedicou a sua tese de doutoramento à importância dos odores corporais na investigação criminal e na psicologia forense, área na qual continua a sentir grande prazer em trabalhar. “Sempre gostei muito desta parte de detetive e de criminologia”, confessa esta aveirense que, volta e meia, é chamada a trabalhar como consultora na área forense. “O psicólogo forense pode trabalhar diretamente em casos de tribunal, pode fazer avaliações criminais, trabalhar com entidades policiais… há uma abrangência muito grande”, especifica.

 

Não obstante esta especialização, Laura Alho continua a gostar muito de trabalhar como psicóloga clínica. Em 2019, decidiu criar um espaço de psicologia no centro da cidade de Aveiro, que foi evoluindo com o tempo e culminou no recém-criado Think Wise. Um projeto no qual conta com a participação de vários colegas com formações e experiências diversas e que resulta do aumento da procura sentido durante a pandemia. “Comecei a sentir necessidade de ter mais uma profissional a trabalhar comigo e fui percebendo que, quanto mais especializados eram os serviços, mais procura havia”, enquadra, a propósito da aposta em juntar vários especialistas num só espaço.

 

As estatísticas não enganam: os casos de depressão e ansiedade aumentaram em tempos de pandemia. De acordo com aquele que foi o primeiro estudo a apresentar uma estimativa do impacto da pandemia na saúde mental em todo o mundo, em 2020 houve mais 53 milhões de casos de depressão e mais de 76 milhões de casos de ansiedade do que seria expectável. Em causa estão também outros impactos, repara a psicóloga aveirense. “Estamos a falar também de impactos ao nível das relações interpessoais. Muitos casais que sofreram muitas alterações na sua rotina familiar e também as pessoas de mais idade, que também ficaram mais sozinhas e isoladas”, recorda.

 

E se é verdade que a pandemia veio colocar a questão da saúde mental na ordem do dia, também é verdade que ainda vai existindo algum preconceito no que toca a procurar a ajuda de um psicólogo. “Há pessoas que não querem que os familiares ou amigos saibam que andam num psicólogo, outras que pensam que psicólogos são para malucos”, admite. Sem esquecer as dificuldades financeiras que alguns cidadãos possam sentir para ter acesso a um tratamento. “Da nossa parte, tentamos criar condições para as pessoas terem acesso aos serviços mesmo que não os possam pagar. Ou então, estabelecer um valor por consulta especial. Mas isso depende muito do próprio profissional e da preocupação que ele tem em relação às pessoas”, conta.

 

 

 

Arranjar um escape é fundamental

 

A par com este aumento da procura a título individual, Laura Alho também notou um acréscimo nos pedidos de ajuda em contexto empresarial e organizacional – por força disso, foi convidada a trabalhar com a Workplace Options, onde presta apoio psicológico a funcionários de diversas entidades/empresas. Tudo isto sem descurar a colaboração que mantém com a plataforma SAPO Lifestyle, onde escreve regularmente sobre saúde mental. Laura Alho gosta de comunicar com o público, de esclarecer dúvidas e desfazer mitos, de fazer passar conselhos e dicas.

 

Uma das recomendações que mais vai propalando passa por aconselhar “as pessoas a terem tempo de qualidade para elas próprias, a terem um escape”. “Depois, tem que haver também a noção de que isto é uma fase e precisamos de nos adaptar a tudo o que é diferente. Se estivermos sempre a reclamar das coisas, acabamos por ficar mais stressados”, sugere. “E perceber também que procurar ajuda psicológica, nem que seja online, é fundamental”, acrescenta.

 

Porque por detrás da psicóloga também está uma mulher, Laura Alho confessa que também teve que encontrar o seu escape em tempos de confinamento. Criou uma página de Instagram – que ainda mantém – sobre comida, a “Nutre a tua mente”. “Foi um mecanismo de defesa. Os primeiros meses representaram uma disrupção e a procura psicológica só começou a aparecer em setembro. Foi uma forma que arranjei para me entreter, cozinhar”, confessa. “Então, comecei a dedicar-me à alimentação saudável, a experimentar receitas”, acrescenta. Conta com mais de 2.000 seguidores e dezenas de fotos inspiradoras.

 

Dotes que vieram juntar-se ao seu reconhecido dom de escrita. Autora de Um Paraíso no Inferno (romance) e Anjos Negros (policial), Laura Alho continua a dar largas à criatividade, prometendo lançar uma terceira obra literária durante este ano. “Para mim, a escrita é terapêutica”, testemunha, prometendo dar-nos nota das novidades em breve.

 

 

 

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