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Aveiro volta a celebrar o Carnaval a partir das águas da ria

Artes Ler mais tarde

Espetáculo ao ar livre envolverá cerca de 300 pessoas e seis moliceiros. Direção artística estará a cargo da Companhia Radar 360º e Paulo Zé Neto

 

Aveiro quer preencher o vazio deixado pelo desaparecimento dos desfiles carnavalescos das suas ruas (e também dos seus canais) e, para isso, está a preparar uma festa “assumidamente diferente”, com o “envolvimento da comunidade” e que ajude a “afirmar Aveiro como a capital dos eventos de rua”, destacou Luís Souto Miranda, presidente da Câmara Municipal, na apresentação do evento que está marcado para o dia 14 de fevereiro. Chama-se “Carnaval da Ria” e promete transformar o espaço público, em especial o canal central, num verdadeiro palco de espetáculo ao ar livre.

Com a direção artística a cargo da Companhia Radar 360º e Paulo Zé Neto, esta manifestação cultural carnavalesca envolverá seis moliceiros, 12 associações do município e mais de 300 pessoas. Entre elas estarão dezenas de músicos das bandas e fanfarras aveirenses, que se juntarão aos artistas da Radar 360º, companhia que volta a trazer até à cidade de Aveiro os seus “candeeiros humanos” e os seus “iluminados”. “São personificações da luz”, destacou António Franco de Oliveira, a propósito das figuras que prometem encher a cidade da ria de luminosidade, num final de tarde e noite onde todos são convidados a “virem para a rua, mascararem-se e divertirem-se”, desafiou Luís Souto.

A celebração tem, segundo frisou o edil, um “orçamento modesto” – 130 mil euros -, em nada comparável aos valores investidos nas cidades vizinhas com grandes desfiles carnavalescos. Por falar em comparações, Luís Souto Miranda descartou semelhanças entre este Carnaval na Ria e aquele que foi realizado, há já vários anos, num dos mandatos do seu irmão Alberto Souto. A única coisa em comum, asseverou, é o facto de acontecer na ria.

O programa preparado pelo município, juntamente com a Companhia Radar 360º e Paulo Zé Neto, arranca pelas 18h00, com um desfile náutico e performativo que parte do Cais da Fonte Nova, percorre os canais urbanos e termina na Praça do Rossio. Este primeiro momento marca o embarque das personagens em seis moliceiros, acompanhadas por bandas filarmónicas, efeitos cénicos e pirotécnicos, criando uma atmosfera mágica que cruza o popular e o erudito, o onírico e o real.

Pelas 19h00, o Rossio transforma-se num enorme salão de baile comunitário, convidando o público a participar numa celebração coletiva ao som de música ao vivo. A proposta musical é eclética, passando pela música clássica, techno minimal e electro swing, num ambiente festivo e energético pensado para todas as idades.

A festa prolonga-se pela noite dentro com a Noite de Folia, no Mercado do Peixe, entre as 22h00 e as 02h00, com animação assegurada pelos DJs Miguel Costa e DJ Martinez, prometendo muita música e animação

O programa inclui ainda um Concurso de Máscaras, promovido pelas associações e coletividades do município, reforçando o envolvimento da comunidade local. Contudo, e conforme ficou patente na conferência de imprensa de apresentação do “Carnaval da Ria”, o executivo municipal parece ter já um problema para resolver no que toca à participação das empresas que promovem os passeios de moliceiro na ria. Deolinda Sousa, uma das empresárias que opera nos canais urbanos, fez questão de intervir na sessão para lamentar o facto de os operadores terem sido “ignorados” neste projeto. O líder da autarquia respondeu, garantindo que “as questões dos moliceiros serão tratadas na altura própria”.

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