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Rui Cruz: “Contarão com a mesma pessoa… mas mais experiente”

Política Ler mais tarde

Rui Cruz regressa à presidência de Vagos com mais experiência e novas prioridades para o concelho.

Afonso Ré Lau

Doze anos depois de ter deixado a liderança do município, Rui Cruz regressa à presidência da Câmara de Vagos com a promessa de manter a mesma forma de servir, mas com a experiência acumulada de quem conhece profundamente o território e os seus desafios. Entre prioridades como a reorganização dos serviços municipais, a criação de uma nova geração de habitação municipal, o reforço dos cuidados de saúde de proximidade e a ambicionada ligação da Zona Industrial à A17, o autarca traça neste início de mandato uma estratégia que quer ver traduzida em resultados visíveis já nos próximos quatro anos.

 

Doze anos depois de ter deixado a liderança do município de Vagos, está de volta à presidência. O que pesou mais na decisão de voltar a candidatar-se?

Cheguei à conclusão de que, de todos os cargos que exerci, aquele que mais satisfação me deu foi o cargo presidente da câmara municipal. É um cargo que me permite, de forma direta – depende da câmara municipal, da assembleia municipal e das exigências da lei, mas acima de tudo depende da vontade do presidente da câmara –, mudar a vida das pessoas e mudar a sua terra. Essa foi, sem dúvida, a razão que mais pesou. Outra razão, obviamente, prende-se com o reconhecimento que a população do concelho de Vagos tem por aqueles 12 anos em que fui presidente da câmara.

 

Que balanço faz dos mandatos autárquicos de 2013 a 2025? 

Eu destaquei-me da autarquia, portanto não tenho um conhecimento aprofundado para poder fazer um balanço destes 12 anos.

Nos primeiros quatro anos fui presidente da Assembleia Municipal e posso dizer que foi um mandato de continuidade: foram concluídas as obras e executados os financiamentos comunitários que deixei em curso. Esse mandato foi a continuidade daquilo que eu faria se tivesse podido recandidatar-me, o que não aconteceu por conta da limitação de mandato.

Depois, no segundo mandato, de 2017 a 2021, assim como no terceiro, houve um conjunto de prioridades diferentes daquelas que vinham sendo seguidas desde 2001 e que eu não acompanhei de perto e que, por isso, não posso emitir um juízo crítico ou fazer um balanço sequer.

 

Regressado ao cargo, quais são os principais desafios que está a encontrar?

A reorganização financeira e a reorganização dos serviços são desafios tremendo. 

 

No que diz respeito à organização dos serviços municipais, por exemplo, quais são as áreas que precisam de maior intervenção?

Eu diria que todas. É transversal a todos os serviços. As que precisam mais serão, porventura, as áreas dos serviços informáticos – temos de ter uma rede mais fiável – e dos serviços de obras particulares – precisamos de simplicidade, celeridade e uma cooperação mais eficaz.

A transferência de competências teve um impacto tremendo no quadro de recursos humanos da câmara municipal e nas suas competências. E, portanto, é preciso reorganizar profundamente os recursos humanos por força desse impacto, que ainda não está completamente absorvido.

E depois, olhar novamente para a imagem do Concelho de Vagos, para o património construído. Não houve uma manutenção adequada desse património, nem um cuidado com a imagem do espaço público. Falando da Na Estratégia Local de Habitação, é preciso olhar mais para uma nova geração de habitação que não social, mas municipal.

 

O município tem margem para construir e aumentar a oferta?

Tem. O município tem loteamentos com lotes para construir e vender a custos controlados ou arrendar com rendas acessíveis, mas a ideia é vender a custos controlados. Depois, obviamente, haverá candidatos que optarão pelo arrendamento acessível e também teremos para esse efeito. 

O município de Vagos é titular de vários loteamentos com e sem infraestruturas. Sem infraestruturas é mais lento, mas tem vários.

E depois, na aproximação e reforço de serviços – quer da autarquia, quer do Estado, mas em que o Estado tem ainda um déficit –, nomeadamente na área da saúde, na linha dos primeiros cuidados. Temos extensões de saúde fechadas e um déficit de recursos humanos, sobretudo enfermagem e fisioterapia.

Podemos e devemos aproveitar esses imóveis, com um pequeno custo de requalificação, para disponibilizar neles esta linha de primeiros cuidados.

 

Já vamos à Saúde. Antes disso, qual é o perfil de famílias que se pretende apoiar com esta nova geração de habitação municipal? 

Jovens casais, jovens, jovens casais que trabalham, que não têm casa própria porque perderam as casas ou não puderam comprar pelo preço que hoje os terrenos e as casas custam. Também casais que perderam as casas devido à subida das taxas de juro, famílias monoparentais e pessoas que trabalham mas cuja carga fiscal consome uma parcela tremenda do rendimento. Estas pessoas precisam de soluções que o país lhes tem negado e que as obriga a emigrar, por exemplo, ou a ter três ou quatro empregos por agregado familiar.

 

E que fontes de financiamento é que podem ser canalizadas para este fim?

Temos o quadro 2030. Tenho dúvidas sobre o PRR, mas ainda existe PRR por executar. Duvido que seja dirigido para isto, embora possa sê-lo para outras obras, como a ligação da zona industrial de Vagos à A17. O PRR tem prazo limitado. Não sei se as negociações vão permitir a sua extensão ou a transferência de fundos para o Quadro 2030.

 

Ainda não há perspetivas quanto a essa possibilidade?

Ainda não. Estamos a aguardar. Há três hipóteses: os fundos ou são alocados, ou se perdem, ou são transferidos para outros instrumentos de financiamento. Há ainda a hipótese de o Estado contrair empréstimos junto do Banco Europeu de Investimentos e os municípios acederem a esses empréstimos não reembolsáveis ou parcialmente não reembolsáveis, sendo o Estado o devedor.

 

A ligação da Zona Industrial de Vagos à A17 é um “desejo antigo” e já assumiu que quer o projeto finalmente concretizado. Em que ponto está o processo?

Projeto aprovado e parcelas expropriadas e adquiridas – julgo que faltarão duas ou três parcelas apenas. Estamos, portanto, em condições de fasear o projeto e lançar o concurso. Falta apenas – e este “apenas” é o mais importante – o financiamento. Era algo que entrava rapidamente no PRR, caso fosse prolongado.

 

E se não for prolongado, como será assegurado o financiamento desta obra?

Temos alternativas. Temos plano B e plano C. Existe o Quadro 2030 e existe a municipalização da Estrada Nacional 109.

A ligação da Zona Industrial de Vagos é um sonho com 20 anos. Em 2005 inscrevi a ligação no PDM e iniciei o processo. Se não tivesse começado então, hoje não haveria projeto, nem expropriações, nem condições para lançar concurso.

Agora é só o financiamento e depois lançar o concurso, faseado ou de uma vez só. Eu espero mostrar resultados ao fim de quatro anos. Se me perguntar se daqui a quatro anos tenho tudo feito, não, não tenho. Mas o mais importante é começar a fazer.

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Vamos à saúde. No seu manifesto eleitoral, fala da criação de um Serviço Municipal de Saúde. Como vai funcionar na prática e que respostas pretende oferecer já em 2026?

Extensões de saúde, enfermagem, contratação de enfermeiros e fisioterapeutas, assistência técnica, renovação de receitas, tratamentos, cuidados, exames – exames de rotina, sobretudo. E o ano de implementação será em 2026, o mais rapidamente possível.

 

Portugal tem uma população envelhecida e Vagos, apesar de não ser dos casos mais preocupantes, também não foge à regra. 

É, acima de tudo, para eles que é criado o Serviço Municipal de Saúde. O concelho é extenso, pouco concentrado, e tem dificuldades em saneamento, transportes coletivos e recolha de lixo. No caso dos transportes, cria dificuldades aos mais idosos de se deslocarem. A ideia é aproximar os serviços. E não só esses: também serviços da câmara municipal, sediando-os em juntas de freguesia, para que as pessoas do sul do concelho não tenham de se deslocar ao extremo norte.

 

Acabou de elencar três características do território que fazem com que as prioridades do concelho Vagos sejam diferentes. Que outras prioridades imediatas têm para o arranque deste mandato?

Acima de tudo, na parte do planeamento e do urbanismo, na parte dos alcatroamentos – a rede viária está altamente degradada. O planeamento não existiu nos últimos 12 anos. A dinamização socioeconómica, o desenvolvimento industrial e a captação de investimento mais qualificado são prioridades.

 

A atração de investimento industrial foi uma das marcas dos seus mandatos anteriores. É para retomar?

Sim, foi a grande marca. E é para retomar.

 

Como é que essa dinâmica se relança na conjuntura atual? 

Investindo nos espaços que estão previstos no PDM e nos quais não houve um investimento. O único investimento que houve foi na parcela B, que está esgotada há imenso tempo, mas a parcela B é uma coisa muito pequenina dos 330 hectares do Parque Empresarial Soza. A Zona Industrial de Vagos precisa de ampliação. O Parque Industrial de Ponte de Vagos, que está lá previsto no PDM, não avançou rigorosamente um único metro quadrado. A mesma coisa se passa com a zona comercial de Covão do Lobo. Está lá, há terrenos adquiridos, mas não avançou rigorosamente nada. Tudo isto – planeamento, ordenamento, urbanização – são prioridades de início de mandato.

 

No setor da educação, como pensa resolver as insuficiências das escolas do concelho e negociar com o Governo obras consideradas urgentes?

São problemas delicados, mas têm de ser resolvidos.

O sul do concelho tem mais de 800 alunos cuja única solução é o Colégio de Calvão. O colégio não pode andar aos solavancos, sujeito a cortes de turmas ou a financiamentos que não acompanham a rede pública. No meu entender, só há uma solução: integrá-lo na rede pública de ensino, mediante um contrato de usufruto com a Diocese de Aveiro e negociação com a Cooperativa de Ensino, com um período de adaptação.

Outro problema é a EPADRV – Escola Profissional de Agricultura e Desenvolvimento Rural –, que enfrenta dificuldades recorrentes. A agricultura mudou profundamente desde os anos 1980, deixando de ser uma agricultura de subsistência para se tornar mais empresarial, com Vagos a ter quatro dos cinco maiores produtores hortícolas da região Centro. A escola deve adaptar-se a este novo perfil, mantendo a agricultura, mas reforçando ligação às empresas.

Não faz sentido captar investimento sem fornecer serviços de retaguarda: educação, habitação, saúde, proteção social. As IPSS estão há mais de uma década sem investimento. Não por culpa dos meus antecessores, mas do país, que informou Bruxelas de que já não eram necessárias mais respostas sociais.

Temos de encontrar soluções e voltar a investir.

 

 

O que espera deixar como legado ao terminar o mandato?

Há obras que não pude concluir e que continuam a ser importantes, como os centros escolares. Se, em 2013, já estavamprevistos cinco, hoje ainda mais se justificam, dado o aumento da população estudantil.

 

E é possível retomar? 

É possível, claro que é possível retomar. Um deles vai ser exatamente negociado com a construção da nova escola EB 2,3, cujo projeto integrava Jardim de Infância, 1.º Ciclo, 2.º e 3.º ciclos do Ensino Básico no mesmo edifício, ainda que devidamente segmentado. É um projeto magnífico que eu tenho esperança em concretizar ou pelo menos começar a concretizar neste mandato.

Há também um conjunto de obras que ficaram no papel, como por exemplo a ampliação do edifício municipal, mas o legado mais importante será estrutural: melhoria do emprego e dos salários, captação de investimento privado, reforço das redes escolar e social, melhoria ambiental, da recolha e tratamento de resíduos, e dos espaços verdes.

No fundo, trata-se de elevar a qualidade de vida e dar oportunidades aos jovens para permanecerem no concelho, e aos mais idosos para terem a família próxima.

 

Para terminar, que mensagem deixa aos munícipes vaguenses neste arranque de novo ciclo autárquico?

A mensagem é simples: contarão com a mesma pessoa, dedicação e forma de servir, mas mais experiente, mais empenhado, com mais conhecimento e mais competências. As equipas foram escolhidas pelo perfil de competência. Queremos uma forma de fazer mais célere, mais simples e mais cooperante. Não há interesses externos: estamos aqui apenas para servir os vaguenses.

 

Quais são as principais características de cada um dos elementos que o acompanham no executivo?

Todos têm um perfil que se enquadra claramente nas competências da câmara municipal: o engenheiro António Castro, vice-presidente, trabalhou mais de 40 anos na câmara e conhece profundamente o município e os pelouros que assume. As suas competências, o seu saber e a sua experiência são inquestionáveis; a professora Isabel Capela, responsável pela educação, desporto e juventude, é amplamente reconhecida pelos alunos e pelos colegas, pela sua competência; aprofessora Graça Gadelho é uma pessoa culta e de grande tenacidade. Ainda é mais teimosa do que eu! Pode parecer estranho associar Cultura, Bibliotecas e Museus ao Turismo, mas a cultura é também um fator turístico. Para evitar conflitos e promover cooperação, associei os pelouros.

É preciso ver que a professor Graça Gadelho tem pela frente um enorme desafio: ser-lhe-á entregue a nobre tarefa de, para lá de meados de 2026, coordenar a equipa responsável pela programação cultural do Palácio da Cultura, trazendo a Vagos ofertas culturais de outras partes do mundo, sem esquecer a agenda municipal e as tradições locais.

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