Política

“Todos somos culpados” do afastamento dos jovens da política

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Parte II

 

 

Apesar de não ser um problema novo, o afastamento dos jovens da política continua a suscitar discussões quanto às suas causas e origens. Para a sociedade, o impulso de arranjar culpados, de ter alguém a quem apontar o dedo, um bode expiatório que arque com as responsabilidades e se dedique a encontrar soluções, é muito tentador. Mas, e se a resposta depender da sociedade como um todo?

 

No que respeita ao alheamento da juventude da participação política e do envolvimento na vida em comunidade, uns defendem que a culpa é, antes de mais, dos jovens, por serem naturalmente mais focados neles próprios, comodistas e desinteressados da noção de coletivo. Outros, acham que “o problema vem de casa”, que os jovens são os produtos do seu meio e, se o afastamento em relação à política já é característico nos pais e nos avós, não pode esperar-se que, por qualquer golpe milagroso, os jovens cresçam com interesse pelo tema. Sem ignorar esta realidade, há também quem recorde que, nos anos mais decisivos para o desenvolvimento de uma consciência política nos jovens, não é com a família que eles passam a maior parte do tempo. Há, por isso mesmo, quem prefira atribuir o ónus da culpa às escolas. Por um lado, fecham-se à política, aos políticos e aos partidos; por outro, parecem não estar muito interessadas em assumir a missão de introduzir os jovens ao pensamento e à prática política, proporcionando-lhes oportunidades educativas relevantes e inteirando-os dos mecanismos de participação democrática existentes. Como seria de esperar, há ainda quem aponte o dedo à atividade partidária – os partidos e os políticos – como sendo a causa maior da alienação política das gerações mais novas.

 

A tese que reina entre os jovens aveirenses entrevistados pela Aveiro Mag é a de que, de certa forma, “todos somos culpados”.

 

 

A política começa em casa

 

“A vida quotidiana é uma experiência inevitavelmente política”, diz o estudo da Fundação Gulbenkian sobre “A Participação Política da Juventude em Portugal”, nomeando “as relações familiares e afetivas” como um dos fatores que favorecem este envolvimento. Os dados sugerem que as experiências dentro do núcleo familiar mais próximo, sobretudo com os pais, muitas vezes, ajudam a despertar o interesse dos jovens pela política.

 

Embora nunca tenham tido qualquer participação partidária, Joana Sá Pereira sempre viu nos pais “pessoas preocupadas” com a comunidade e o país. No contexto familiar em que a deputada cresceu, havia uma rotina infalível: “Quando almoçávamos e jantávamos [juntos], tínhamos sempre a televisão ligada nas notícias. Muitas vezes, os temas da atualidade transformavam-se em temas de conversa”. Uma dinâmica familiar com alguns pontos de contacto com a de Simão Santana, que diz ter herdado do pai o “bom hábito de comprar o jornal todos os dias”. “Cresci habituado a ver jornais lá em casa e a folheá-los diariamente. Conversávamos sobre as notícias do dia e debatíamos sobre o que se ia passando”. Simão nota ainda a “origem genética” da sua disposição para a atividade política, sublinhando o exemplo dos avôs – um com vivência partidária consistente e aguerrida, o outro, com histórico de participação ativa no movimento associativo da sua terra – e dos seus pais.

 

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Simão Santana é presidente da comissão política da secção de Aveiro do PSD

 

 

O interesse de Henrique Sousa pela política remonta aos tempos do ensino secundário. Ainda não tinha idade para exercer o seu direito de voto, e já o pai, deputado municipal em Estarreja, o incentivava a acompanhar as sessões da assembleia municipal e, sempre que assim entendesse, a participar. “[Em casa,] ensinaram-me que, para poder comentar, questionar e criticar algo, é preciso estarmos atentos, que a participação e o envolvimento trazem a legitimidade para reivindicar”, conta o membro da Academia de Política Apartidária. Se considerarmos o seu núcleo familiar mais alargado, também Gonçalo Dias soma “exemplos de participação partidária”, curiosamente, “de lados opostos do espetro político”. “É interessante conversarmos juntos, discutirmos as nossas visões para o país e para a região. São sempre debates respeitosos e com admiração de parte a parte”, certifica o jovem do PAN.

 

 

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Gonçalo Dias juntou-se ao partido PAN – Pessoas Animais Natureza – no ano passado

 

 

Tomás Pereira, pelo contrário, não crê que as suas vivências familiares tenham de alguma forma favorecido o seu interesse pela política. No caso do jovem liberal, “foi mais uma descoberta pessoal”. “Comecei a comprar livros sobre política, a ver vídeos, a inteirar-me das práticas – boas e más – noutros países e a perceber o grande contraste entre as ideologias na teoria e na prática.” Caso semelhante é o do centrista Marco Carvalho: “Não sinto que tenha sido a minha família a empurrar-me para a política, foi mais o momento que vivíamos e a influência de alguns colegas”. Diana Pimenta assegura que a sua ideologia foi construída por si e não por quem a rodeia. Foi na sequência do irromper da pandemia, quando temas como a saúde pública ou as liberdades individuais passaram a fazer parte da ordem do dia, que a jovem percebeu que a sua maneira de pensar “batia certo” com a do partido Chega. “Finalmente, tinha um coletivo no qual me revia”.

 

O percurso de Carla Sousa tem uma reviravolta particular. Não foi a família a instigar a sua participação política, mas sim, o interesse e envolvimento ativo da jovem que fez com a que a sua família passasse a dar atenção ao tema. “Durante muito tempo, na minha casa, a discussão política passou-nos ao lado. Sofríamos na pele as consequências das opções políticas – principalmente, durante o período de intervenção da Troika, em que passámos algumas dificuldades -, mas não nos debruçávamos sobre a sua origem”, reconhece a jovem militante do PCP. Foi só quando ela própria começou a interessar-se por política que Carla conseguiu levar a família a ver a questão com outros olhos. “A princípio, a minha mãe não me levou muito a sério, mas consegui convencê-la da importância de discutir e de votar”. Desde aí, “passámos a falar sobre o assunto” e “[a mãe] não falhou nenhuma oportunidade” de exercer o seu direito de voto. “Ela já tinha uma consciência política, só não a punha em prática. O que faltava era discussão e participação ativa”, relata Carla.

 

Se os anos de intervenção externa e o despontar da crise pandémica marcaram, respetivamente, Carla e Diana, para o jovem ambientalista Gonçalo Abreu, o primeiro acontecimento que recorda ter “abanado” com a sua visão do mundo e da sociedade foi o 11 de setembro. Por altura dos atentados terroristas aos Estados Unidos, “apercebi-me de que alguma coisa grave devia ter acontecido porque toda a gente andava estranha. A minha mãe falou da questão abertamente e explicou-me o que estava a acontecer”, lembra. A partir daí, foi sempre acompanhando a atualidade e recorrendo ao seu núcleo mais próximo para o ajudar a interpretar eventos e esclarecer dúvidas.

 

Quando se trata da influência que as relações familiares e afetivas têm sobre os jovens, não pode ignorar-se a hipótese de, ao invés da família incentivar para a participação e para o envolvimento, poder, pelo contrário, estimular para o desinteresse e a desconfiança. Ainda mais num cenário em que o descrédito e a desilusão para com os partidos e os principais atores políticos são sentimentos tão comuns. O decurso natural do tempo fará com que, num futuro não muito longínquo, aqueles que, hoje, pertencem às camadas mais jovens da população, passem a assumir o papel educadores. No pior cenário, os jovens que, atualmente, estão afastados da participação política – a maioria -, passarão à geração seguinte o mesmo sentimento de repulsa para com o tema, podendo gerar-se um padrão sistémico de desinteresse e alienação com tendência para se perpetuar no tempo, geração após geração.

 

É por isso que, para Patrícia Silva, investigadora de Ciência Política da Universidade de Aveiro e coautora do referido estudo da Fundação Gulbenkian, é tão “urgente que o afastamento dos jovens passe a ser visto com maior preocupação”.

 

 

Na escola, a política ainda fica à porta

 

À conversa com a Aveiro Mag, Patrícia Silva relata um episódio que viveu enquanto membro de uma mesa de voto nas últimas eleições legislativas: “Uma jovem que, claramente, era a primeira vez que ia votar, aproximou-se da mesa muito ansiosa. Entregámos-lhe o boletim, ela pousou-o em cima da urna e preparou-se para colocar a cruz. Intervimos, esclarecemo-la sobre o procedimento e a existência de uma cabine privada onde devia registar o seu voto e a resposta dela foi ‘se eu for para ali, não vou saber em que é que vou votar’. ‘Quanto a isso já não podemos ajudar’, dissemos-lhe e explicámos que o voto se trata de uma escolha individual. A jovem continuou: ‘Quero votar naquele que subiu o salário mínimo nacional, qual foi?’. Naturalmente, nenhum dos elementos da mesa pode responder àquela pergunta”. “Mas eis o sinal claro”, conclui a investigadora: “a escola falhou àquela jovem”.

 

Apesar de os especialistas concordarem que o interesse por política é algo que pode ser socializado e que, no caso dos adolescentes e jovens, a escola tem um papel determinante no despoletar desse processo e na consolidação dos primeiros conhecimentos, a verdade é que, ao longo dos anos, tem-se assistido à crescente despolitização do ensino. E isso pode ajudar a explicar a elevada taxa de desinteresse, alienação e até algum desprezo das novas gerações para com o universo da política.

 

A perceção geral é de que as escolas são instituições fechadas à política, aos políticos e aos partidos, e que não encaram como sua a missão de formar politicamente os jovens, criando espaços próprios para o debate ideias e estimulando-os a conhecerem os mecanismos de participação democrática. Há, ainda assim, alguns jovens que realçam experiências vividas em contexto escolar como tendo estado na origem do seu interesse pela área. Exemplo disso é Joana Sá Pereira, para quem a escola representou “um contributo decisivo” no seu “despertar para a política e a ideia de coletivo”. Aos olhos da jovem deputada socialista, os últimos anos têm trazido uma “evolução positiva” na preocupação das escolas pelas matérias que vão além da componente teórica e que contribuem para “a capacitação cívica dos jovens”. Entre estas matérias está, claro, a política. Também Tomás Pereira destaca o papel da escola no seu percurso, assim como a particular influência de “um professor espetacular [Paulo Abreu, professor de História e Ciência Política] que conseguiu fazer com que toda a turma se interessasse por política”. “Ainda hoje, não sei qual o partido do professor Paulo, prova da imparcialidade que sempre demonstrou”, acrescenta o jovem liberal, lamentando que a disciplina de Ciência Política não esteja disponível em mais escolas e para mais alunos do último ano do secundário.

 

No caso de Gonçalo Dias, por outro lado, “não se pode dizer que a escola tenha tido um papel preponderante” no fomento da sua curiosidade pela ação política e a participação cívica, ainda que o jovem do PAN projete como “ideal” o cenário em que “a escola assume esse papel para com os adolescentes e jovens que a frequentam”. Também na escola de Carla Sousa “política não era tópico sobre o qual se falasse explicitamente” e, de acordo com Gonçalo Abreu, “os partidos sempre foram assunto tabu” nos estabelecimentos de ensino que frequentou. Por altura do ensino obrigatório, Diana Pimenta terá vivido uma experiência idêntica. “Só na faculdade” é que a jovem do Chega e estudante de Direito encontrou um espaço recetivo e de confiança, onde “já se pode falar abertamente sobre política”. Bruno Pereira admite que “não é bom que a escola e a política estejam de costas voltadas”, mas confessa já ter dado por si a achar que “escola é uma coisa e política é outra”. Na opinião do jovem ativista, “a novela mexicana em que, muitas vezes, a política se transforma, entra em conflito com aquilo que são os objetivos e o propósito da escola”. A perspetiva de Henrique Sousa, membro da Academia de Política Apartidária, é que a ausência de estímulo à participação política no ensino ocorre por conta da definição de outras prioridades que vão ao encontro do programa instituído. “A política não entra nas escolas porque não faz parte dos programas que estas têm de seguir e, como não é obrigatório, logo passa a dispensável, ainda mais tendo em conta que [o seu incentivo] significaria mais trabalho para os professores”.

 

 

 

 

De todos os projetos da Academia de Política Apartidária, o mais impactante é, provavelmente, o “Politica-te”. Nesta iniciativa, os universitários levam às escolas secundárias oficinas informativas nas quais discorrem sobre política, políticos, partidos e as suas ideologias. “Não estamos à espera de que os jovens venham ter connosco, somos nós a contactar as escolas no sentido de as visitarmos”, afirma Henrique Sousa. Daquilo que o estarrejense se tem apercebido nas escolas que já visitou, um dos principais motivos pelo qual os jovens dizem não ter qualquer interesse por política é a perceção arreigada e inexorável de que “é tudo um monte de corruptos”. “Alguns até já ouviram falar de alguns atores políticos mais mediáticos e, com base no que conhecem, optam por não ter qualquer ligação a este universo”, completa. Em contextos como este, explica Henrique, “o papel da APA passa por informar que a política não é só assim, que também há políticos empenhados em representar um bom papel, que é preciso o envolvimento da população para escolher estes políticos e como é que isso se faz”. Uma missão útil e meritória que, quanto a Marco Carvalho, devia ser assumida pela própria escola. A experiência tem provado ao jovem centrista que os fantasmas do proselitismo, da doutrinação e da propaganda político-partidária continuam a pairar sobre muitos estabelecimentos de ensino do país. “Quando fui presidente da JP de Anadia, tentei contactar as escolas do concelho para promover um workshop sobre política. Não era nada ideológico, a nossa intenção era alertar os jovens para a importância das eleições, explicar o que se decide em cada uma, o método de Hondt e a maneira como os votos são convertidos em mandatos… coisas simples, rápidas, práticas e, a nosso ver, úteis. Resposta? Silêncio absoluto por parte de quase todas as escolas – a única que respondeu foi para nos dar um não”, conta Marco. A escola, que “devia ser o primeiro estímulo” à literacia política dos jovens, é, neste momento, “o primeiro obstáculo”, lamenta o líder da Distrital de Aveiro da Juventude Popular.

 

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Marco Carvalho é presidente da Distrital de Aveiro da Juventude Popular

 

 

Simão Santana defende uma profunda reforma do sistema educativo que, entre outras transformações, pudesse abrir as escolas à política de maneira direta e pedagógica. Todavia, enquanto uma reestruturação dessa natureza não se concretiza, há ações simples que, ainda que indiretamente, podem fazer a diferença, estimulando os jovens ao pensamento crítico, ao espírito de iniciativa e à participação. O social-democrata refere-se, por exemplo, ao “incentivo às associações de estudantes” por parte das escolas. “A política tem atos tão simples como eu – enquanto dirigente eleito da minha associação de estudantes – decidir se, com a pequena verba que tenho disponível, quero colocar redes numa baliza ou ter WiFi disponível para todos. E posso tomar essa decisão com 13 ou 14 anos”. “Isso é fazer política”, constata Simão.

 

“[A escola] devia servir, pelo menos, para desmistificar a ideia de que a política é uma seca”, aponta Patrícia Silva, que não vê no perigo de doutrinação um impeditivo significativo. “Os professores têm as suas inclinações ideológicas e partidárias – e ainda bem que assim é –, mas é perfeitamente possível motivarem os estudantes para a política sem que essas vertentes venham ao de cima”, garante a investigadora da UA, desafiando as escolas a passarem a entender a socialização política dos adolescentes e jovens como um projeto seu e – porque não? – aplicando, para isso, uma abordagem multidisciplinar: o discurso argumentativo pode ser tratado na disciplina de Português; a evolução dos regimes e das ideologias ao longo do tempo é assunto enquadrável com as disciplinas de História e Filosofia; o método de Hondt pode ser um tópico interessante examinar na disciplina de Matemática.

 

 

Descrédito, desilusão e desconfiança

 

Sem ignorar a influência que o núcleo familiar e o contexto escolar exercem sobre uma geração frequentemente vista como mais apática, passiva e desinteressada, para Patrícia Silva, não restam dúvidas: “Os partidos contribuem decisivamente para a fraca participação dos jovens na política”. Desde logo, detalha a investigadora, por aquilo que (não) propõem. “A propósito do estudo [para a fundação Gulbenkian], fomos ver o que os partidos políticos dizem nos seus programas eleitorais sobre e para os jovens. É desolador! Este é um grupo de cidadãos que não preocupa os partidos. Ora, se a maioria dos jovens não se mobiliza e se verifica que não existe grande interesse dos partidos para que os jovens passem a fazê-lo, gera-se aqui uma bola de neve muito difícil de contrariar”, atenta Patrícia.

 

Para os jovens, a política está descredibilizada, os atores políticos há muito que desiludem e as forças partidárias merecem a desconfiança que sobre elas existe. Quando perguntámos a Patrícia Silva como é que os partidos conseguirão desconstruir esta imagem, a docente universitária não conseguiu evitar um sorriso cético. “Um dos primeiros passos para inverter esta situação”, reflete a investigadora, “poderia passar por ponderar sobre o quadro legal de corrupção e a respetiva aplicação da lei”. Os partidos – tidos como instituições corruptas e pouco confiáveis – têm de “demonstrar vontade de definir quadros legais e lutar por uma justiça que funcione de forma clara e consequente”. Logo a seguir na lista de medidas para tentar renovar a imagem que os jovens têm sobre a política partidária, há que “abrir os partidos à renovação geracional”, acrescenta a docente. “Tem de acontecer [essa renovação]! Os partidos, inevitavelmente, têm de se renovar. Não creio que seja fácil para um partido fazer essa inversão, mas não há volta a dar”.

 

Confrontada com a mesma questão, a socialista Joana Sá Pereira considera “descrédito” uma “palavra muito forte” para descrever os sentimentos dos mais novos para com as estruturas partidárias e os seus representantes. Ainda assim, reconhece que “o facto de os jovens sentirem que os partidos não são plataformas cívicas abertas é uma responsabilidade nossa [da política partidária e dos seus protagonistas] que temos de assumir sem qualquer tibieza”, assumindo que “nem sempre os partidos têm sabido responder às expectativas dos mais jovens”, possivelmente, tendo-lhes mesmo “falhado quando mais precisavam”. No entender de Tomás Pereira, “a responsabilidade [de os jovens terem esta visão sobre a política partidária] é das opções que têm sido tomadas nos últimos anos”. “Ora vem o PS, ora vem o PSD, mas as opções raramente são diferentes, andamos a fazer e a desfazer e não chegamos a lado nenhum”, afirma o jovem liberal. “Os jovens só vão confiar nos políticos se estes responderem aos seus anseios e problemas, o que não tem acontecido nos últimos anos”, reclama.

 

 

 

 

Também Diana Pimenta está convencida que “a única forma de fazer frente a essa maneira de ver a política é apresentar resultados concretos das mudanças que as pessoas reclamam”. A jovem do Chega classifica este combate como “difícil”, “moroso” e “uma das maiores lutas” que os partidos enfrentam nos dias de hoje.

 

“Não há receitas milagrosas”, adverte Gonçalo Dias, “mas penso que uma maior proximidade aos jovens, com a adoção de canais de comunicação da atualidade, e maior transparência” são posturas obrigatórias no caminho que os partidos têm pela frente. “Transparência, responsabilidade e honestidade”, são os valores que Carla Sousa enumera como imprescindíveis para combater o desânimo e a descrença dos mais jovens. “Os partidos deviam ser autocríticos. Os partidos mais tradicionais da democracia portuguesa têm várias décadas de atividade e de história. Obviamente, nestes anos todos, houve momentos bons e momentos maus, pessoas boas e pessoas menos recomendáveis”, no entanto, para o bem e para o mal, “não se pode ignorar a história, varrer o passado para debaixo do tapete e fingir que nada aconteceu”, entende a jovem comunista.

 

 

 

 

“Qualquer instituição só perde quando acha que pode apagar as páginas mais infelizes do seu passado” e os partidos não deviam cair nessa armadilha. “Se as coisas aconteceram, é preciso falar-se sobre isso, ter momentos de reflexão” que resultem no compromisso de “fazer tudo o que estiver ao nosso alcance para garantir que não volta a acontecer”, sustenta.

 

 

* Contactadas pela Aveiro Mag, as estruturas distritais de Aveiro do Bloco de Esquerda e do LIVRE não demonstraram disponibilidade para participar nesta reportagem.
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