Ria de Aveiro, a terra da luz perfeita e da diversidade de ambientes

 

Às voltas pelo Centro de Portugal* 

 

 

Foram muitos os que se perderam de amores por ela, exaltando a sua beleza através da pintura, da poesia ou da fotografia. As suas águas, calmas ou revoltas, serviram de inspiração a letras de canções, quadros pictóricos e a escritos que o passar dos anos jamais conseguirá apagar. Disso é exemplo a obra Viagem a Portugal, na qual José Saramago faz questão de evidenciar a “luz perfeita” da “grande laguna e a sua silenciosa respiração azul”, na certeza de que ninguém ousará contestar o único Nobel da Literatura português. A Ria de Aveiro é única, conferindo uma paisagem singular aos territórios por ela banhados, numa tela onde o azul da água contrasta com o verde da natureza, o branco puro dos montes de sal ou a miríade de cores dos moliceiros e dos palheiros de riscas.

 

Um mosaico digno de ser apreciado e sentido. E que não se esgota nos canais de água e nas margens que os contornam. “A região da Ria de Aveiro é um território único, dada a sua diversidade de ambientes, do mar à ria, da planície à montanha. Facilmente podemos perder-nos por uma vasta linha de costa com praias de areia branca e fina, como podemos virar-nos para diversas atividades de ar livre ligadas à lagoa costeira da ria e seus rios afluentes”, começa por evidenciar o fotógrafo e documentarista aveirense Bernardo Conde, a quem coube essa difícil tarefa de nos guiar pela região.

 

“É uma região com gentes e tradições próprias com ligação ao mar, à ria, ao sal, à agricultura, à cerâmica. É uma área em que o contacto com a natureza é permanente. E tudo flui com a harmonia típica dos ambientes em que a água abunda”, faz, ainda, questão de destacar o responsável pela organização do evento “Exodus Aveiro Fest”.

 

Habituado a fazer da descoberta de novos territórios – e do contacto regular com outros povos – o seu modo de vida, Bernardo Conde não deixa de encontrar motivação para partir à (re)descoberta da sua própria terra, sem grandes hesitações na hora de traçar algumas propostas de passeios. A primeira de todas, é especialmente dedicada aos aficionados das bicicletas e das caminhadas e convida-nos a “dar a volta à laguna usando o trilho marcado da Grande Rota da Ria de Aveiro, que nos permite conhecer ao detalhe as áreas de entorno da laguna”. Os fãs das caminhadas também não podem perder os trilhos do Bioria ou das dunas da Reserva Natural de São Jacinto, destaca.

 

O fotógrafo e documentarista, desafia-nos, depois, a seguir para o interior da região, mais concretamente para a zona de Sever do Vouga. “Podemos encontrar aqui a Ecopista do Vouga, que dá tanto para caminhar como para andar de bicicleta”, introduz, antes de deixar a confissão. É em Sever do Vouga que se encontra um dos seus “locais favoritos”: a cascata da Cabreia. E já que por aqui andamos, Bernardo Conde convida-nos a procurar uma mesa para degustarmos “o arroz de lampreia ou a vitela assada, rematando como sobremesa os fabulosos profiteroles da Nelita”.

 

Do interior, seguimos, depois, para Sul, mais concretamente até à região da Bairrada, onde o fotógrafo aveirense nos propõe visitar (e quem sabe fotografar) locais como o Hotel Palace da Curia e o Aliança Underground Museum. Sem esquecer que uma visita à Bairrada “será sempre uma viagem gastronómica, recheada de leitão, bom vinho e bom espumante”.

 

 

Do mar até à capital da região

 

Seria um pecado capital andar pela região da Ria de Aveiro sem passar pelas suas praias. Mesmo que as temperaturas não convidem a estender a toalha ao sol, vale a pena deter o olhar nos seus extensos areais e no mar que ali vai rebentando de forma vigorosa. Bernardo Conde convida-nos a passear pelas praias de Mira até Ovar, em busca da arte xávega”, com paragem na Costa Nova, para apreciar “os seus icónicos palheiros”, e na praia da Barra, dona e senhora do mais alto farol de Portugal.

 

O roteiro conduz-nos depois por “Ílhavo e pelas Gafanhas, para percebermos e sentirmos a importância da pesca do bacalhau na região, visitando o Museu Marítimo de Ílhavo”. “Ali ao lado, mora a indústria de porcelana que há mais tempo coloca o nome de Portugal por esse mundo fora, a Vista Alegre, com o seu bairro e núcleo industrial do mais bonito que existe”, sugere, depois, o fotógrafo aveirense.

 

E já que andamos de volta do património edificado, Bernardo Conde convida-nos a rumar até “à cidade da Arte Nova”, ou seja, Aveiro, que é também sede da região. No seu centro, além dos belos exemplares de Arte Nova – são vários imóveis, devidamente assinalados, e entre os quais se inclui o Museu de Arte Nova -, o nosso anfitrião convida-nos a partir à descoberta da arquitetura do campus da Universidade de Aveiro, das salinas e dos moliceiros, sem deixar de provar os deliciosos ovos moles. “Em Aveiro, desde as festividades do São Gonçalinho, em janeiro, à festa de Santa Joana, em maio, ao Festival dos Canais, no verão, até ao Festival de Fotografia Exodus Aveiro Fest em novembro/dezembro, a vida cultural não pára”, exalta.

 

Bernardo Conde desafia-nos, ainda, a dar um salto a Estarreja, passando, depois, pela bela igreja com fachada de azulejos de Válega e seguindo até Ovar, “terra dos azulejos e do pão de ló que é de comer e chorar por mais”. “Não há festa familiar que não deva ter um”, repara.

 

Exaustos? Bernardo Conde reconhece que é “uma grande volta com tanto para dar, com tanto para ver e experimentar, desde os desportos náuticos, no mar e na ria, a observar como se constrói ainda um tradicional barco moliceiro. Será sempre um passeio entre o doce o salgado, no meio de gente boa e hospitaleira, entre o sol da praia e o bom ar da montanha”, faz questão de sublinhar. “Existem muitas regiões especiais, mas esta é a minha casa”. Palavra de quem está habituado a fazer das viagens profissão.

 

 

 

Outros locais que não pode perder na região da Ria de Aveiro

 

Passadiços de Aveiro e Esmoriz

 

Haja sol e força nas pernas, pois passadiços é coisa que não falta na região de Aveiro. Começando pelo que parte de Esgueira, no município de Aveiro, e vai até Estarreja, sempre junto à Ria. Mais a Norte, também com vista privilegiada para a água, o destaque vai para os passadiços de Esmoriz (são mais de 8 quilómetros de percurso, a circundar a barrinha de Esmoriz e a Lagoa de Paramos).

 

Arte urbana de Águeda e Estarreja

 

Estarreja conta com uma verdadeira galeria de arte a céu aberto, por conta do festival de arte urbana que há vários anos tem vindo a dar cor ao centro da cidade e áreas envolventes, o ESTAU. Bordalo II, Add Fuel, Marina Capdevila, Vhils e Thiago Mazza, são apenas alguns dos artistas que já ali deixaram a sua marca. Noutro ponto da região, a quantidade de obras de arte urbana já deu, igualmente, lugar a um roteiro. Falamos de Águeda, onde Bordalo II também já deixou a sua assinatura, com a ave Pisco, no edifício do Instituto do Vinho e da Vinha. Na entrada da biblioteca municipal, por seu turno, encontrará pintado o rosto de Manuel Alegre.

 

Adegas da Bairrada

 

Não deixe de reservar algumas tardes para explorar as adegas da região.  Pode começar por aceitar o convite da Rota da Bairrada e agendar uma visita às caves e adegas suas associadas, “deslumbrando-se com a arquitetura, a história e a magia que envolve a criação dos fantásticos vinhos da região, e muito mais”. Há várias opções de visitas, com programas mais ou menos extensos, cabendo-lhe a si escolher.

 

Estaleiro-Museu do Monte Branco

 

O Estaleiro-Museu do Monte Branco, na Torreira, Murtosa, dá a conhecer a importância da construção naval tradicional, em particular no norte da Ria, que alimentava a imensa e diversa frota de embarcações. Ali é possível apreciar o mestre José Rito a trabalhar ao vivo na construção e reparação dos barcos moliceiros e de outras embarcações tradicionais da ria.

 

 

 

* Roteiro produzido em parceria com o Turismo do Centro de Portugal

 

 

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