Região de Coimbra, “um lugar de cruzamento de culturas”

 

 

 

É impossível falar de Coimbra sem referir a sua Universidade – é a mais antiga em Portugal e uma das mais antigas da Europa -, reconhecida pela UNESCO, desde junho de 2013, como Património Mundial. Por mais breve que seja a visita à cidade, ela tem de passar pelo Pátio das Escolas, conjunto arquitetónico que inclui a Sala dos Capelos, onde têm lugar as cerimónias mais importantes; a Capela de São Miguel, com um imponente órgão barroco; e a Biblioteca Joanina, que possui mais de 300 mil obras datadas entre os séculos XVI e XVIII. Mas há mais Coimbra para descobrir para além da Universidade e da própria cidade. Palavra de quem nasceu e cresceu em Coimbra, e fez da cidade e da região envolvente a sua casa. Carlos Antunes, diretor do Círculo de Artes Plásticas de Coimbra e da Anozero – Bienal de Arte Contemporânea de Coimbra, aceitou o desafio da Aveiro Mag, guiando-nos num roteiro por terras conimbricenses.

 

“A região não tem conseguido ter uma identidade evidente como as outras têm, mas acho que isso pode não ser um problema. Essa heterogeneidade da cidade e da região é algo que a valoriza. A região de Coimbra é quase um Portugal condensado, com um bocadinho de todas as regiões e um bocadinho de todas as singularidades”, começa por introduzir o também arquiteto. Carlos Antunes faz ainda questão de destacar a presença, em simultâneo, “da serra, do campo e do mar”, assim como o facto de este ser “um lugar de cruzamento de tantas culturas”. “O que mais me fascina nesta região é ela ser um lugar onde percebemos a presença dos romanos, da importância que estes atribuíam à organização do território – os romanos são a civilização da infraestrutura(…)”, assim como a presença dos árabes, percetível “no centro histórico da Lousã, Miranda, Penela, Coimbra”, frisa. Neste roteiro pelas civilizações, torna-se imperioso visitar o Museu Nacional Machado de Castro, em Coimbra, uma vez que ele conserva o Criptopórtico romano.

 

 

 

 

No papel de anfitrião da cidade e da região, Carlos Antunes desafia-nos também a descobrir “o lugar de tradições”. “Se esta é a região berço de uma figura como Salazar, é também daqui que vêm os maiores focos de resistência e as revoltas estudantis. Até aí, a cidade é altamente divergente e o território espelha um pouco isso”, enquadra, assegurando que esta condição reflete-se, e muito, na “produção cultural contemporânea”.

 

O rio que vai da serra até à foz

 

Outro dos elementos que o diretor do Círculo de Artes Plásticas de Coimbra faz questão de evidenciar prende-se com a presença e a influência do Rio Mondego na região – nasce na Serra da Estrela e tem a sua foz no oceano Atlântico, junto à cidade da Figueira da Foz. “Podemos contar uma história a partir do Mondego”, frisa, desafiando-nos a tentar perceber “como é que em torno do rio se estruturou um território”, refere.

 

Pampilhosa da Serra

 

 

E já que a proposta passa por meter pernas a caminho, o ideal é viajar de olhos bem abertos e preparados para degustar umas quantas iguarias irresistíveis. “Comer um bom cabrito em Condeixa é uma experiência extraordinária, assim como a chanfana, com essa eterna e divertida guerra entre Poiares, Miranda e Lousã”, repara, juntando a esta lista “o leitão, na Mealhada”. No que toca aos doces, o diretor da Anozero destaca “os pastéis de Santa de Clara”, “as queijadas de Pereira” e os “pastéis de Tentúgal”. E deixa ainda uma nota de destaque para a cerveja da Praxis.

 

Para os que reclamam sugestões mais específicas, Carlos Antunes deixa alguns nomes de restaurantes: “gosto imenso d’O Burgo, na Lousã, e recomendo vivamente, começando desde logo pelo facto de ser um espaço maravilhoso, no meio da Serra da Lousã “, refere, prosseguindo com os “A Taberna, D. Lúcia e Casas do Bragal, em Coimbra”, assim como “As Medas, de Vila Nova de Poiares” a “A Parreirinha, em Miranda do Corvo”, entre outros.

 

 

 

 

Outros locais a visitar na Região de Coimbra

 

 

Jardins da Quinta das Lágrimas

 

Mais do que um belo passeio, este espaço verde tem para oferecer aos visitantes umas quantas lições de história – reviva o trágico amor de Pedro e Inês – e também de botânica. A sua origem remonta ao século XIV, altura em que a Rainha Santa Isabel mandou construir, na Quinta das Lágrimas, um canal para levar a água de duas nascentes para o Convento de Santa Clara.

 

Refreito da Baixa

 

Situado no Terreiro da Erva, este espaço de restauração também é um pequeno museu. Aquela que é considerada a última olaria tradicional de faiança ativa em Portugal, preserva o antigo forno da fábrica cuja origem remonta a 1824 e convida-nos a conhecer a arte do fabrico da louça de Coimbra.

 

Portugal dos Pequenitos

 

Se há local que tenha essa capacidade de marcar várias gerações é o Portugal dos Pequenitos. Um parque-jardim representativo do Património Arquitetónico de Portugal, não só no que respeita aos distintos estilos arquitetónicos, como às diversas tipologias de construção, realizadas de acordo com os diferentes fatores geomorfológicos de cada região e, ainda, a todo um conjunto de ofícios tradicionais.

 

Mata Nacional do Bussaco

 

Refúgio de monges e de reis, a Mata do Buçaco encanta pela variedade e riqueza das espécies botânicas presentes. Nestas serranias encontram-se vivas as memórias da batalha que opôs as tropas anglo-lusas comandadas por Wellington às tropas francesas. O pavilhão de caça do Rei D. Carlos, transformado em Palace Hotel, é um marco na paisagem.

 

Aldeias do Xisto

 

Ainda que a rede das Aldeias do Xisto se estenda para além da região de Coimbra, é na Serra da Lousã que se encontra a maioria das aldeias. Aigra Nova, Aigra Velha, Candal, Cerdeira, Ferraria de São João, Gondramaz, Pena e Talasnal, são alguns dos nomes que tem de decorar e incluir no seu roteiro ao longo das Aldeias do Xisto.

 

 

* Roteiro produzido em parceria com o Turismo do Centro de Portugal

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