O Carnaval de Estarreja 2026 foi ontem apresentado pela Câmara Municipal e pela Associação do Carnaval de Estarreja, revelando uma programação que se estende por mais de uma semana e combina desfiles, música, espetáculos e animação noturna no Espaço Folia. Reconhecido como um dos mais antigos e prestigiados carnavais portugueses, o evento promete voltar a afirmar-se como um marco cultural, social e económico para o concelho.
Considerando que o Carnaval se distingue por ser "uma verdadeira manifestação cultural", a presidente da Câmara, Isabel Simões Pinto, sublinhou, em conferência de imprensa, o investimento contínuo do município na qualidade do evento, apesar das limitações de um espetáculo ao ar livre em pleno inverno. A autarca destacou que o objetivo passa por melhorar de edição para edição, uma vez que o Carnaval tem "um forte impacto não só cultural, mas também económico e social".
Este ano, o Carnaval de Estarreja contará com 13 grupos, incluindo sete grupos de folia, quatro escolas de samba e um grupo de passerelle - “As Eufémias” -, criado há dois anos. De acordo com Isabel Simões Pinto, esta valência "acrescenta brilho ao trabalho dos outros grupos" e veio colmatar uma dimensão que fazia falta ao espetáculo.
O envolvimento da comunidade é um dos pilares do evento, contando com cerca de 5.000 pessoas envolvidas na preparação e aproximadamente 2.000 participantes nos desfiles.
Para a autarca estarrejense, a aposta no Carnaval Infantil é fundamental para garantir o futuro desta festa, uma vez que considera ser através das crianças que se cria "o sentimento de pertença a esta manifestação cultural". O desfile infantil contará com mais de 1.600 crianças de 14 instituições do concelho, sendo uma iniciativa considerada "de extrema importância para a continuidade do Carnaval".
Em termos financeiros, o município dá conta que investe cerca de 185.000 euros na comparticipação aos grupos, sendo que o investimento global ronda os 700 mil euros. Isabel Simões Pinto sublinha que o objetivo é gerar retorno para a economia local, atraindo visitantes que possam usufruir da restauração, hotelaria e comércio do concelho. O impacto económico estimado do evento, realça, aproxima-se de um milhão de euros.
Animação para todas as idades
A vereadora dos Eventos, Paula Almeida, apresentou a programação oficial, que arrancará a 7 de fevereiro com a festa de abertura, marcada pela atuação dos Ena Pá 2000, seguida do grupo I Love Baile Funk, num warm up carnavalesco.
No dia 8, realiza-se o tradicional Carnaval Infantil. A 11 de fevereiro, as Marchas Luminosas levarão à cidade a chegada dos Reis - este ano serão Lília Marques, fundadora do grupo de samba Os Morenos, e João Paulo Redinha, fundador do grupo Trepa Coqueiro -, terminando com a atuação de Augusto Canário.
O Desfile Noturno das Escolas de Samba acontece a 13 de fevereiro, seguido do projeto de música brasileira Carnafest. No dia 14, a noite começa com a banda local Altamente, seguindo-se um concerto dos Nemanus e a atuação do DJ Quim das Remisturas.
O Grande Desfile de Carnaval realiza-se a 15 de fevereiro, sendo encerrado por bandas locais. Ao final da tarde, sobe ao palco o projeto É no Pagode, e a noite termina com um concerto de Nuno Bastos.
A Grande Noite de Carnaval, a 16 de fevereiro, contará com Quim Barreiros, José Pinhal Post Mortem Experience e a banda Axé Brasil. O encerramento acontece a 17 de fevereiro, com um concerto da Flash Band e o anúncio das classificações.
Crítica social e trabalho de bastidores
O presidente da Associação do Carnaval de Estarreja, Nuno Pauseiro, destacou o esforço dos grupos, sublinhando que, apesar de não serem profissionais, a sua dedicação tem permitido elevar a qualidade do espetáculo e atrair cada vez mais visitantes à cidade. Os temas deste ano, explicou, vão desde a crítica social às lombas, passando por cabarés, dinheiro, religião, descobrimentos e poetas da história portuguesa, refletindo a diversidade criativa dos grupos.
Nuno Pauseiro deixou, ainda, uma palavra de reconhecimento para todos os que trabalham nos bastidores, como costureiras, serralheiros e soldadores, cujo esforço diário permite criar "verdadeiras obras-primas".
Com raízes que remontam a 1897, o Carnaval de Estarreja mantém-se como um dos mais antigos e emblemáticos cortejos carnavalescos do país.