O novo single “La Nena” nasce dessa vontade de experimentar. “Há quem diga que música eletrónica é só ‘puntz- puntz-puntz’, batida seca. Eu quero mostrar que é mais do que isso”. Produzida ao longo de vários três meses, a faixa combina batidas eletrónicas com amostras sonoras antigas e ritmos quentes. “Deixo fluir. Gosto de ir produzindo com calma, mostrar a amigos, ouvir opiniões. Às vezes basta uma sugestão para mudar tudo”.
Com graves vibrantes, percussões dançantes e um groove contagiante, La Nena é um convite à celebração e, em palco, “tem funcionado muito bem”. “Sempre que a toco, o público vibra”, afirma. Já nas plataformas digitais, o crescimento é mais lento. “É difícil. Há muita oferta e as rádios não apostam em artistas pequenos. Às vezes, uma simples partilha ou um like faria toda a diferença”. Ainda assim, o DJ acredita no valor do seu trabalho e na força da cena eletrónica local, embora reconheça que em Aveiro o género “ainda não tem o reconhecimento que merece”.
“Faz todo o sentido que rádios e eventos locais deem espaço aos artistas da região”, defende. Os sunsets de verão, mais ligados ao House e ao Afro House, são, na sua opinião, um bom sinal. “São janelas abertas para este tipo de som, mas é preciso ir mais longe e quebrar o estereótipo de que a música eletrónica é só para quem vai à discoteca”.
Paralelamente à música, João Correia trabalha há quase seis anos como técnico de luz no projeto cultural 23 Milhas, em Ílhavo. “A programação é intensa, e isso rouba-me algum tempo, mas também me ensina muito sobre palco e energia.” Apesar de considerar a música um hobby, admite: “Quem me dera que fosse o meu trabalho a tempo inteiro”.
Entre os projetos futuros, pensa lançar um EP com quatro a seis faixas e sonha com uma fusão entre a eletrónica e as tradições locais. “Gostava de gravar sons dos Cardadores de Vale de Ílhavo e dos Toca a Baldar, misturar esses registos com eletrónica. Mostrar o que é nosso, mas também levar a nossa cultura a quem é de fora”.
Com “La Nena”, DJ Blytz dá um passo firme na consolidação do seu estilo: uma eletrónica eclética, emocional e aberta ao mundo. “A música é feita de encontros – entre estilos, culturas e emoções”, explica. E é nesse cruzamento entre o local e o global, entre a tradição e o futuro, que este jovem artista parece ter encontrado o seu verdadeiro som.