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Manuel Thomaz: Entre o dom de “voar” e o bem que a água proporciona

Sociedade

O sentido – e o sentimento - de “voar” pode ser encarado de forma literal – como “suster-see deslocar-se no ar com o auxílio das asas ou de membros análogos” ou no sentido figurado, como alguém que sai do conforto do “lar” e arrisca, aceitando desafios profissionais ou pessoais noutro país, noutro continente, noutra realidade bem distinta.

Também há quem nasça com essa aura. Que tenha, desde cedo, convivido com culturas e formas de ser distintas, de quem é, mais do que qualquer outra coisa, um cidadão do mundo, de diferentes mundos. De forma sucinta, esta é a história de vida de Manuel Fernandes Thomaz, um “aveirense” nascido em Sheffield (Inglaterra), que foi para a antiga Lourenço Marques aos 3 anos e chegou a Aveiro por altura da terceira classe. Estudou e trabalhou por cá, mas também em Maputo, Lisboa e, desde 2017, nas distantes Ilhas Caimão. Longe na distância, mas não de uma cidade onde ainda tem raízes familiares fortes e memórias intemporais.

Do conservatório à Universidade

Como muitos aveirenses, entrou para o conservatório – ali, bem na Gulbenkian – passou pela escola Secundária José Estevão e, a partir do 10º ano, na antiga Escola Industrial e Comercial de Aveiro, atualmente Escola Dr. Mário Sacramento. Lembra-se bem das muitas aulas “em contentores”, e, sobretudo, do “laboratório de eletricidade espetacular” que lhe permitia “pôr as mãos na massa e fazer experiências”, antecipando o que seria o futuro.

“Em 1984 entrei na Universidade de Aveiro e, em 1989, estava licenciado em Engenharia em Eletrónica e Telecomunicações. O último ano do curso foi passado na UCNW (University College of North Wales) ao abrigo do programa ERASMUS. Bem mais tarde, em 2014 tirei o Mestrado em Gestão e Engenharia Industrial também pela Universidade de Aveiro, o que era muito engraçado verificar que tinha idade para ser pai da maior parte dos meus colegas de curso”, explica.

Da Universidade à ANJE

Após terminar o curso a trabalhar na Phillips em Ovar. Apenas um ano, mas por bons motivos: “candidatei-me ao programa JEEP (Jovens Empresários de Elevado Potencial) e no final ganhei um prémio em dinheiro para investir numa empresa”. Essa aposta, de negócio próprio, levou-o ao primeiro cargo de notoriedade reconhecida: presidente da Associação Nacional de Jovens Empresários (ANJE).

“Estes 7 anos na ANJE foram absolutamente inesquecíveis. Durante esse tempo lançámos o movimento do empreendedorismo em Portugal, através da Academia dos Empreendedores e demos um enorme impulso à indústria têxtil portuguesa através da organização de dezenas de edições do Portugal Fashion em Portugal e no estrangeiro (Paris, Nova Iorque, São Paulo, etc…)”.

De salto em salto…

O passo seguinte surgiu logo de imediato à saída da ANJE. Estamos em 2013. “Foi-me lançado o desafio para integrar o Conselho de Administração da SIMRIA que resolvi aceitar com muito gosto pois senti que contribuir ativamente para a despoluição da Ria de Aveiro, seria muito gratificante. Considero que se hoje a Ria de Aveiro é o que é se deve em grande parte aos enormes investimentos que a SIMRIA fez para tratar e desviar os esgotos da Ria”.

Missão dada, missão cumprida. O convite seguinte não tardou muito e este obrigava a uma mudança drástica de paradigma. Outra cidade, outro país. “Após 4 anos na SIMRIA, o presidente da AdP - Águas de Portugal de então, perguntou-me se estaria disposto para mudar-me para Moçambique para liderar a empresa (AdM-Águas de Moçambique). Tendo tido o acordo da minha esposa, em 2007 a família toda (eu, a minha esposa e os meus 3 filhos) mudou-se para Maputo. Foi uma experiência pessoal e profissional extremamente enriquecedora apesar de muito dura do ponto de vista profissional”.

Portugal e a “headhunter” inglesa

Regressa a Portugal, nomeadamente a Lisboa, em 2011, para integrar os quadros da holding das Águas de Portugal e, em simultâneo, a presidência do Conselho de Administração da AdRA-Águas da Região de Aveiro, contribuindo para o arranque da nova empresa, funções que desempenhou até setembro de 2017.

Nessa altura, foi contactado por uma “headhunter” inglesa e o “bichinho” de voltar a sair do país começou a sentir-se. “Em 2017 comecei a equacionar um novo desafio profissional, agora nas Ilhas Caimão, como Diretor Geral da empresa Cayman Water. Um novo desafio profissional, novas tecnologias, novas culturas e claro uma perspetiva de carreira profissional extremamente aliciante numa empresa multinacional e cotada na bolsa de Nova Iorque”.

A família e a possibilidade de “voar”

A questão que se coloca então, e a família? E sair de novo do conforto. Manuel Fernandes Thomaz é taxativo: “Para as ilhas Caimão vim só eu e a minha esposa já que os filhos mais velhos já estavam a trabalhar e a filha mais nova a estudar no Instituto Superior Técnico em Lisboa. Viver longe da família não é nada fácil. A vida de emigrante tem claramente dois lados. O lado profissional e de desenvolvimento pessoal que tem de valer muito a pena para compensar”.

Ainda assim, o destino foram as Ilhas Caimão. Como explicar a quem nunca saiu do país, que essa pode ser uma possibilidade? “Primeiro e único conselho: que não tenham medo de sair da vossa zona de conforto. A aventura de passar uma temporada num país diferente, desde que bem amadurecida e refletida, pode trazer um nível de satisfação muito grande e um olhar sobre o nosso próprio país bem diferente. No entanto, há que admitir que muita gente tem a possibilidade de ‘voar’, mas simplesmente não quer, pois sentem-se realizados no seu próprio pais. E não há nada de mal nisso! No entanto, para quem quer ‘voar’, e ainda não teve a oportunidade de o fazer, é preciso ter em atenção que as oportunidades passam muitas vezes à nossa frente sem darmos por isso”.

Os projetos e a satisfação de ajudar

O impacto da mudança foi sentido. Mas a importância de ajudar, de ser o dinamizador na melhoria de vida das pessoas, é a mais-valia de um projeto desta dimensão. “Quando penso no que faço todos os dias sinto sempre uma grande satisfação pois sei que o resultado desse trabalho contribui diretamente para o bem-estar e saúde de todos. Em termos profissionais, sou o responsável por todas as operações de fornecimento de água em Grand Cayman, Nassau nas Bahamas e Tortola nas Ilhas Virgens Britânicas. Sou diretamente responsável pela gestão de 12 estações de dessalinização nestes 3 mercados. Para além disso sou responsável pela distribuição de água à população em Grand Cayman”.

A questão da “dessalinização” foi um dos fatores importantes para aceitar o “projeto das Ilhas Caimão”, por ser, sobretudo, “outro desafio interessante”, uma vez que, assume, não tinha “qualquer experiência prévia nessa tecnologia”. O balanço destes seis anos é, para Manuel Thomaz, positivo: “Considero que introduzi a cultura Kaizen e de melhoria contínua nas empresas e melhorei significativamente a eficiência das operações. Por outro lado, reduzimos as perdas de água em Grande Cayman para 8%, o que é um bom número em qualquer parte do mundo”.

Aveiro e o regresso

Com contrato e sem prazo para sair, até porque garante, de forma bem-disposta, que mora “no paraíso” e ainda é “pago para isso”, Manuel Thomaz sabe, no entanto, que um dia vai regressar a Portugal, não obrigatoriamente a Aveiro, ainda que a cidade more para sempre nele: “Foi em Aveiro que conheci a minhas esposa, onde nasceram os meus três filhos. A minha mãe e o meu sogro vivem em Aveiro e tenho irmãos e muitos amigos em Aveiro. Será sempre a minha terra pois passei lá toda a minha infância, juventude e uma boa parte da vida adulta”.

Dessa infância e juventude, muitas são as histórias que recorda com saudade. Grande parte delas que dizem muito a muitos aveirenses. “Lembro-me bem da abertura da Pizzarte, de ir ao cinema no Estúdio 2002, do 8 graus Oeste, da abertura do Fórum, das idas à Estacão da Luz. Tenho tantas memórias de Aveiro que me é difícil enumerá-las. Por exemplo, lembro-me de, pouco depois da inauguração do Fórum, a minha filha se ter desatado a rir quando tivemos de entrar no piso -2 sem sapatos e com as calças levantadas, para tirar o carro que estava quase submerso depois de uma grande inundação. Lembro-me das idas à Feira de Marco quando ainda se realizava no Rossio, lembro-me de ir com a minha mãe à feira dos 28 e ter de subir para as carrinhas de caixa aberta para experimentar roupa, coisa que simplesmente detestava”.

E voar, literalmente

Depois de tanto “voar”, nos projetos profissionais, nos desafios colocados, nos sonhos concretizados, de ter levado a família para Moçambique, de estar num sítio, hoje, que a maioria de nós desconhece, de que se arrepende Manuel Thomaz? Ou o que teria feito diferente? A resposta remete-nos agora para o verbo, para o sentido literal de voar.

“Só me arrependo de não ter tirado a licença de piloto de avião quando era mais jovem. Aviões sempre foram uma paixão minha desde que me conheço e ter a oportunidade de pilotar um avião foi sempre um sonho meu. Só já nos meus quase 50 anos é que me decidi a fazer o curso de PPA (Piloto Particular de Avião). Infelizmente com a minha mudança para Grand Cayman, há seis anos, não tenho tido a oportunidade de voar como gostaria. Se tivesse tirado a licença mais cedo seria hoje certamente, nas horas vagas, um instrutor de voo para pilotos particulares no meu clube de aviação, o Aeroclube de Portugal”.

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