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Henrique Vilão: “Vejo-me como um ‘experimentador’ sonoro e visual”

Artes

Pedro Mostardinha

Ainda não se cumpriu uma semana desde o último concerto de Henrique Vilão. Teve lugar no sub-palco da Casa da Cultura de Ílhavo e decorreu no âmbito da Milha – Festa da Música e dos Músicos de Ílhavo –, em conjunto com os Satha Lovek. A colaboração partiu de um desafio do 23 milhas, o projeto cultural do município de Ílhavo encarregue da organização do evento. A proposta era que os artistas registados na plataforma PRAIA formassem duplas e interpretassem versões de temas uns dos outros. Henrique Vilão, João Coutinho e Rúben Silva , porém, quiseram ir mais longe e passar para a criação. “Por ser mais experimental, o estilo de música que nós fazemos dá-nos maior abertura à improvisação”, introduz Henrique Vilão, em entrevista à Aveiro Mag. “Além disso, houve logo uma grande identificação entre nós, uma forte partilha artística. Acabámos por fazer tudo de raiz. Foi uma experiência super colaborativa”, elogiando o papel que o 23 milhas tem desempenhado no apoio aos artistas e à criação local.

Henrique Vilão é um artista multidisciplinar: realizador, vídeo artista, performer, docente de cinema experimental... primeiro, no entanto, apareceu a música. O artista recorda as sonoridades que marcaram a infância e juventude e faz questão de referir a importância de Maria João e Mário Laginha no seu percurso, congratulando-se pela “sorte” de ter visto a dupla ao vivo por diversas vezes. Não é de estranhar que, numa primeira instância, o jovem tenha decidido apostar numa carreira no jazz, tendo estudado piano na Escola de Jazz do Hot Clube com Filipe Melo, James Uhart e Andre? Fernandes, entre outros.

O cinema só chegou mais tarde, mas logo se lhe impôs como uma certeza inevitável. Uma vez mais, Henrique não nega influências externas: “Há sempre alguém que nos mostra uma cena ou nos leva a ver este ou aquele filme”, ainda que reconheça que, no que à exploração desta nova vocação diz respeito, tratou-se mais de “uma busca pessoal, caseira e solitária”.

Com o cinema veio uma visão mais multidisciplinar da arte. “ ajudou-me a dispersar o meu foco e a perceber que há todo um mundo de potencialidades expressivas nos sons que nos rodeiam, umas mais concretas, outras mais abstratas”. Pela primeira vez, Henrique deu por si a colocar em oposição as ideias de construção de um som e composição musical. “Eu não sou compositor”, sublinha Henrique Vilão. “Não sou capaz de escrever uma peça para um quinteto de cordas ou para um conjunto de percussão”. “Vejo-me como um ‘experimentador’ sonoro e visual”, esclarece, explicando que o seu processo de criação “funciona sob uma lógica de tentativa-erro”, goza de “uma maior materialidade” e tudo “decorre da exploração de várias alternativas”.

 

 

Henrique Vilão concluiu a licenciatura e o mestrado em Cinema na Universidade da Beira Interior e é naquela mesma instituição que, atualmente, veste a pele de docente. Dá aulas de Som e Cinema Experimental aos alunos do curso de Cinema e a experiência “tem sido bastante interessante”. “Gosto muito da interação com os alunos e das matérias que estou a lecionar. Além disso, estou na universidade onde estudei, há essa ligação de alumni com a sua alma mater. É como se, de certa forma, estivesse a retribui o que lá fui buscar”. E, de acordo com Henrique, “há talento à vista!”. “Reconhecer a capacidade e vontade dos alunos é que a parte mais estimulante de dar aulas”, diz o docente, explicando que tenta “antes de mais, não os atrapalhar”, enquanto os estimula a progredir, “colocando-lhes questões nas quais possam refletir para atingirem o que estão à procura”. “Foi isso, aliás, que fizeram comigo”, lembra o jovem docente.

Quando foi a vez de Henrique de se sentar naquelas salas e auditórios, houve professores que, sem imporem caminhos, lhe deixaram marcas para a vida. “Professores como Vasco Diogo, Rui Ribeiro, Manuela Penafria, Luís Nogueira, Fernando Cabral ou o professor Carvalhosa são pessoas que me lançaram questões em contexto académico às quais eu, ainda hoje, já em contexto de trabalho, procuro responder”, refere Henrique. “Alguns deles passaram mesmo de um grau de professor para um grau mais profundo: são meus mentores”, reconhece, na expectativa que, um dia, também ele possa cumprir esse papel para novas gerações de cineastas.

 

Zuhk, o peluche eletrónico 

Quem já assistiu a uma performance de Henrique Vilão, certamente, terá reparado numa espécie de adereço especial, um companheiro de palco ao qual é impossível ficar indiferente. Falo de Zuhk, o ursinho de peluche de olhos vermelhos incandescentes que o acompanha a cada concerto e que, na verdade, é também um instrumento artesanal. “É um sinal de base eletrónico que, com a minha manipulação, se vai alterando e que posso ir processando com efeitos e sobreposições”, explica o artista, confessando que a metamorfose daquele brinquedo em dispositivo sonoro “foi das minhas primeiras experiências” e, talvez por isso, “algumas ligações estão um bocadinho frágeis”. Apesar de nem sempre o utilizar, Henrique faz questão que Zuhk esteja sempre presente. “Recorda-me o meu lado experimental e curioso que é muito associado à infância”.

 

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Reconhecimento reforça a convicção de que é possível

Recentemente, Henrique Vilão arrecadou o prémio de Melhor Design de Som nos New York Movie Awards pelo seu trabalho no filme Old New Age, de Vasco Diogo. Uma conquista que honra e lisonjeia o artista ilhavense e que vem juntar-se às mais de duas dezenas de prémios e galardões que já faziam parte do seu currículo artístico. De todas estas conquistas, atribuídas por festivais, mostras e concursos em países como Portugal, Espanha, Alemanha, Reino Unido, Itália, Roménia, Grécia, Croácia, Kosovo ou Índia, Henrique não hesita em destacar aquela que, para si, teve mais significado: Em 2021, um videoclipe que realizou para um tema do grupo Grand Pianoramax foi distinguido com um dos 5 melhores do ano no prestigiado festival de cinema Solothurner Filmtage. “Pela componente financeira da distinção, claro, mas principalmente por ter aparecido naquele momento da minha vida, funcionou como uma espécie de pontapé de saída a partir do qual passei a acreditar que era possível. Que era possível viver em Ílhavo e continuar a trabalhar para o mundo; que era possível filmar um videoclipe em casa, com orçamento limitado e recursos artesanais e concorrer com projetos de orçamentos dez vezes superiores, filmados com câmaras de Hollywood, e no final ainda ser reconhecido pelo mais importante festival da Suíça”, justifica Henrique Vilão. “Foi, realmente, um momento-chave no meu percurso”, reforça.

Desde que abraçou a sua faceta de artista multidisciplinar que o futuro lhe ficou mais difícil de prever. Neste momento, por exemplo, tem “várias encomendas em mãos para projetos nas áreas da videoarte e do cinema”, , mas nada impede que, de hoje para amanhã, não possa estar novamente focado numa empreitada de design de som. “O que importa é continuar a explorar, a experimentar e a abraçar os desafios que forem aparecendo”, resume, em jeito de conclusão.

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