Foi já pela voz de Leonor Barata, nova diretora do Teatro Aveirense (TA), que esta quarta-feira foram dados a conhecer a programação para o próximo quadrimestre, com um conjunto diversificado de propostas nas áreas da música, dança, teatro, cinema e novo circo. Um período que ficará igualmente marcado por uma presença reforçada no espaço público, com o regresso do Festival dos Canais. Tal como destacou Luís Souto Miranda, presidente da Câmara de Aveiro, a criação artística local e regional assume particular destaque nesta programação, através de projetos que refletem a identidade cultural do território e valorizam os seus agentes.
Toda esta programação, segundo reconheceu Leonor Barata foi ainda desenhada por José Pina, anterior diretor do Teatro Aveirense. No próximo ano, a nova diretora já conseguirá imprimir o seu cunho pessoal na programação.
Para já, as atenções viram-se para destaques como o espetáculo “Nós” (9 de maio), uma dramaturgia musical que cruza o samba e o fado e que reúne em palco dez músicos, três fadistas e dois atores, numa viagem entre Lisboa e o Rio de Janeiro que explora os laços culturais e emocionais entre dois povos. O espetáculo é uma criação da Escola de Artes Palco Central.
A Orquestra das Beiras, em colaboração com a Orquestra Sinfónica do DeCA, apresenta no dia 10 de maio um concerto de homenagem a Santa Joana, com um programa dedicado à Sinfonia n.º 5 de Gustav Mahler, uma das obras mais marcantes do repertório sinfónico.
A 30 de maio, “A Morte do Diabo”, interpretada pela Banda Amizade – Banda Sinfónica de Aveiro, apresenta-se como um espetáculo musical de forte componente visual que evoca o sonho enquanto motor de transformação coletiva. A partir dos fragmentos da opereta de Eça de Queiroz, Jaime Batalha Reis e Augusto Machado, o projeto propõe a recriação e reorquestração da obra para banda sinfónica.
A artista Andreia Ribeiro da Silva reúne criadores aveirenses em “18 Pontos”, um projeto multidisciplinar que reflete sobre a fragilidade humana, transformando a dor em expressão artística através do movimento e do traço. Um espetáculo para assistir nos dias 12 e 13 de junho.
A comunidade local é também chamada a participar com “As Filhas do Limo ou o Concelho das Águas”, no âmbito do projeto OLAS 2026, a realizar nos dias 20 e 21 de junho. Esta criação comunitária parte das memórias e vivências dos participantes para construir uma fábula contemporânea sobre o futuro de Aveiro.
Ainda no plano participativo, no dia 28 de junho, o projeto “Cantar-o-Lar”, orientado pela Orquestra Sem Fronteiras, envolve artistas de quatro lares do concelho, promovendo a partilha de histórias e memórias através da criação musical. Na sua terceira edição, reforça o compromisso com a valorização da comunidade através da arte.
Estruturas nacionais em destaque
A programação integra também a participação de reconhecidas estruturas nacionais. Nos dias 15 e 16 de maio, “Falsas Histórias Verdadeiras: Uma Pina Colagem”, de Victor Hugo Pontes, revisita o universo literário de Manuel António Pina, cruzando teatro, poesia e música numa criação contemporânea, com direção musical de A Garota Não.
No dia 3 de junho, a Companhia Nacional de Bailado apresenta “Only Duos”, um programa dedicado ao formato de dueto em dança, reunindo obras de coreógrafos como Michel Fokine, Angelin Preljocaj e Filipe Portugal, a par de novas criações contemporâneas.
Em “hOLD”, São Castro e Teresa Alves da Silva abordam o processo de envelhecimento, propondo uma reflexão sensível e crítica sobre esta fase da vida, enquanto realidade biológica e construção social. Um espetáculo para assistir no dia 26 de junho.