Orlando Jorge Figueiredo lança, este sábado (17h00, Salão Nobre do Clube dos Galitos, Aveiro), o livro de poesia “Servos – A construção do Apocalipse”. Trata-se de “uma reflexão com uma dimensão simbólica e poética”, revelou o cofundador do Grupo Poético de Aveiro à Aveiro Mag.
Orlando Jorge Figueiredo tem 68 anos, é natural da Gafanha da Nazaré e está reformado. A poesia faz parte da sua vida.
«Esta obra impressiona pela sua profunda actualidade. Vivemos tempos marcados por ataques vis à liberdade[…]”, escreve Marta Dutra, a propósito desta sua nova obra. Foi a atualidade que o inspirou?
Quando escrevemos temos o mundo na ponta do lápis ou do teclado. Tudo pode acontecer. No meu caso, sou influenciado por aquilo que me rodeia, pelo belo e pelo medonho. Vivemos tempos estranhos e não consigo ficar indiferente.
O que podemos esperar deste novo livro?
Este livro é uma reflexão com uma dimensão simbólica e poética. É uma reflexão sobre uma sociedade doentia. Pensar traz novas interrogações e este livro quer fazer pensar e repensar. Cada leitor será confrontado com as perguntas que a sua sensibilidade lhe vai colocar.
É a sua quarta obra, certo?
Não. É o sexto livro. A aventura começou em 1977 com “Esta rua é uma rua feliz” escrito em parceria com António Luís Oliveira. Vinte anos depois publiquei “Guardador de sonhos”. Em 2011 “Os pássaros habitam a casa” e no ano seguinte “A luz de Agosto” em parceria com Milagros Vieira. Em 2023 foi a vez de “Onde estás, que não te oiço” em coautoria com Marta Dutra.
“Os pássaros habitam a casa” foi reconhecido com o Prémio Sarmiento de Poesia. Sente que, por vezes, é mais fácil ser reconhecido lá fora?
Não lamento a falta de reconhecimento porque nunca trabalhei para dar visibilidade àquilo que fui escrevendo. Recebi este prémio num momento especial e fiquei contente porque apareceu na sequência de um trabalho de divulgação de poesia e partilha com outros autores. Esse livro foi editado em Pontevedra e premiado em Valladolid. Aconteceu e foi um momento feliz.
Fundou o Grupo Poético de Aveiro, já lá vão mais de 30 anos. Como olha para o percurso que a associação tem feito?
Quando lancei a ideia da criação de um grupo de poesia, em 1993, tomei como exemplo as associações já existentes em Espanha. Com o António Luís Oliveira fomos convidando outros amigos e depois de uma ida a Valladolid avançámos para a formalização do grupo em associação. Promovemos inúmeros Encontros de Poesia e recitais, a criação da revista folhas-letras & outros ofícios, programa de rádio (que continua a existir na Rádio Terra Nova), etc. Nos últimos anos o Grupo tem vindo a adaptar-se aos novos tempos e privilegia como atividade o Poetry Slam mantendo, no entanto, a revista e a ligação às escolas.
No seu entender, ainda há muito trabalho a fazer em defesa da poesia?
Não sei se a poesia precisa de defesa, mas divulgar a Poesia é e será sempre uma nobre tarefa.
Nos tempos que correm, em que vivemos de imagens e textos instantâneos, superficiais, falta-nos mais poesia da vida, no sentido em que ela requer instrospecção e concentração?
Concordo consigo. Como contraponto a uma sociedade que vive de imagens e textos superficiais, que se alimenta de aparências e falsas verdades, uma sociedade em que algumas pessoas já não conseguem distinguir o Bem do Mal é importante que a Poesia sirva de âncora, de reflexão. Pensar, questionar é importante.