Arranca hoje, 30 de abril, data em que se assinala o Dia Internacional do Jazz, a 6.ª edição do Campus Jazz da Universidade de Aveiro. Concertos, masterclasses, workshops, exposições, jam sessions e um concurso internacional compõem um programa que cruza criação artística, formação e investigação, estendendo-se até ao dia 3 de junho.
Ao longo dos anos, o festival tem vindo a consolidar uma identidade própria, fortemente ancorada no contexto universitário e na formação de públicos e novos intérpretes. Para João Martins, diretor artístico do Campus Jazz, esse tem sido um dos fatores-chave para a afirmação do projeto. “Tem sido um balanço bastante positivo. Começámos em plena pandemia, num contexto muito difícil, mas o festival foi vencendo pelo seu posicionamento artístico e pela diferenciação das atividades que oferece”, afirma. Hoje, acrescenta, o evento surge “em crescimento, a consolidar o seu caminho, tanto a nível nacional como internacional”.
A matriz do festival mantém-se centrada na articulação entre diferentes dimensões. “Queremos que o Campus Jazz continue a ser um espaço de encontro entre a criação artística, a formação e a reflexão em torno do jazz contemporâneo”, enaltece João Martins, evidenciando o papel do diálogo entre artistas consagrados e músicos emergentes como motor de partilha de conhecimento e experiência.
Essa lógica traduz-se numa programação que ultrapassa o palco e aposta no contacto direto entre artistas e comunidade académica. “Uma das nossas regras é que não há nenhum artista internacional convidado que não tenha um momento de contacto com a comunidade”, explica o responsável. A par das masterclasses e workshops, iniciativas como a exposição do Centro de Estudos de Jazz reforçam a ligação à investigação e ao património, dando a conhecer ao público um acervo relevante para a história do jazz em Portugal.
Para o diretor artístico, esta dimensão pedagógica é determinante na criação de novos públicos e novos músicos. “Esse é um dos principais objetivos: sensibilizar e cativar novos públicos, eventualmente novos alunos, criando pontes entre a universidade e a comunidade”, refere, destacando ainda a possibilidade de estudantes partilharem palco com músicos de referência internacional como uma das mais-valias do festival.
Embora enraizado na Universidade de Aveiro, o Campus Jazz estende-se à cidade e à região, com iniciativas em Aveiro, Albergaria-a-Velha e Estarreja. “A opção é clara: extrapolar a dinâmica do festival para fora de portas”, diz João Martins, destacando a criação de uma rede regional e nacional que potencia a visibilidade do evento.
Outro dos pilares do festival é o Concurso Internacional de Jazz, que tem funcionado como plataforma de lançamento para novos talentos. “Tem sido um papel relevante. Todos os anos há ensembles que se destacam e que ganham visibilidade, muitas vezes no início das suas carreiras”, assinala.
Olhando para o futuro, João Martins aponta a continuidade do percurso como prioridade. “Queremos consolidar o Campus Jazz como um território de encontro para a criação, a formação e a reflexão, e continuar a crescer, atraindo mais público e oferecendo uma perspetiva diferenciada sobre o jazz contemporâneo”.