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Carlos Nuno Granja: o miúdo tímido que se fez escritor e professor

Literatura

O que estava previsto ser uma entrevista, rapidamente se transformou numa conversa. A culpa talvez tenha sido do facto de coincidirmos - mais mês, menos mês - na época de nascimento: já pós 25 de Abril, mas criados ainda sob umas quantas regras e crenças da altura do Estado Novo. Também pode ter sido por conta dos interesses em comum, os livros e a rádio, ou do à-vontade que Carlos Nuno Granja acusa a falar sobre aquilo que lhe dá prazer. Ninguém diria que foi um miúdo extremamente tímido, tão tímido que teve de se servir dos livros para aumentar o seu conhecimento sobre a vida e o mundo. Começou a escrever aos 9 anos, chegou a imaginar-se jornalista, mas o destino levou-o até ao ensino, abraçando uma profissão na qual tem a oportunidade de trabalhar com um dos seus públicos preferidos: as crianças.

Se a vida de Carlos Nuno Granja desse um conto - um dos seus géneros literários de eleição, depois da poesia -, a história teria de começar a ser contada a 15 de novembro de 1975, em Ovar, que ainda continua a ser a sua terra. Cresceu num bairro típico daquele concelho, o Lamarão, onde o mais normal “era chegar ali ao sexto ou nono ano de escolaridade, deixar de estudar e ir trabalhar para uma fábrica”, conta. Os pais incentivaram-no a contrariar a tendência, prosseguindo com os estudos, inclusive, para além do ensino secundário. Nessa altura, Carlos Nuno Granja era “um miúdo muito tímido, mas mesmo muito tímido. Acho que era patológico”, confessa, a propósito desse momento da vida em que começou a refugiar-se na leitura e também na escrita. Tinha nove anos quando começou a rabiscar os primeiros poemas, inspirado pela mãe que tinha queda para a poesia popular.

Aos 11 anos, recebeu uma máquina de escrever. “Os meus pais tiveram essa sensibilidade e ofereceram-me uma máquina de escrever”, relata, consciente do esforço que os seus progenitores tiveram de fazer, na altura, para adquirir aquele aparelho. “Os meus pais trabalhavam muito. O meu pai trabalhava por turnos e ainda ajudava na mercearia. A minha mãe levantava-se às 5 da manhã para se deitar às 10 da noite”, enquadra.

À compra da máquina de escrever, os pais de Carlos Nuno Granja foram também somando o investimento, mensal, em livros, “através do Círculo de Leitores”. “Ia sempre um senhor bater à porta e todos os meses havia um dia de festa”, confessa o então miúdo tímido que “lia bastante”. “Amealhava para pagar todos os jornais ao domingo”, acrescenta, antes de desvendar que chegou a imaginar-se jornalista. Tanto que até concorreu à Universidade de Coimbra exatamente no ano em que abriu o curso de Jornalismo. Quis o destino que não entrasse, acabando por rumar a um curso superior na área do ensino - fez a licenciatura em Ensino Básico (variante de Português e Inglês), na Escola Superior de Educação de Viseu.

 

Dez anos a publicar livros

Ainda que tenha começado a escrever em criança, só aos 36 anos viria a publicar o seu primeiro livro. Porque nunca se preocupou muito com isso. Porque prefere deixar as coisas fluir naturalmente, sem obrigações e data marcada. Além do mais, não é metódico, confessa, sem qualquer tipo de pudor, e a sua vida “não é só a escrita”. “Sou professor, vou entregar a dissertação do Mestrado em Educação e Políticas Educativas e a seguir doutoramento”, nota já depois de ter confessado que também é radialista - tem dois programas na rádio na Antena Vareira.

Carlos Nuno Granja pode ter demorado a publicar, mas não tardou a apanhar o ritmo. Já conta com 12 livros de poesia, 16 infantis e um de crónicas. A poesia é o seu mundo, declara, confessando que também lhe dá grande prazer escrever para crianças. Os miúdos conseguem dar-nos coisas que os adultos não dão. São genuínos, fazem a crítica sem maldade”, afiança, com a experiência própria de quem é professor do primeiro ciclo há 24 anos. Nos últimos anos, tem trabalhado como professor bibliotecário, sentindo-se “como peixe na água”, a fazer “sessões de contos” e “mediação de leitura”.

A todas estas valências, o escritor vareiro vai somando mais uma, não de menor importância. É diretor do FLO - Festival Literário de Ovar, um evento de proximidade com os livros, os escritores, os leitores e todos os que se interessam pelos livros, pela leitura, pela palavra, e que decorre anualmente na cidade ovarense. “Foi um desafio que surgiu depois de ter organizado 88 tertúlias literárias no Museu de Ovar”, enquadra, orgulhoso de estar à frente de um festival que é, “acima de tudo, para os leitores, aproximando-os dos escritores”.

Terminada que está a edição deste ano do FLO - decorreu em setembro -, a atenção voltou a centrar-se nos seus livros. Está a ultimar um “livro de contos para adultos”, revela, antes de se confessar contista. “Nos contos, consigo esvoaçar mais, não estou tão agarrado à narrativa”, nota, sem, contudo, afastar a possibilidade de, no futuro, nos brindar com um romance.

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