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Solange Jesus quer voltar a correr em Paris. Desta vez, nos Jogos Olímpicos

Atletas

Em abril do ano passado, em Paris, a atleta bairradina Solange Jesus correu 42 quilómetros em duas horas, vinte e nove minutos e quatro centésimos de segundo, marca que lhe valeu a qualificação para o Campeonato da Europa de Atletismo, em Munique (Alemanha), e uma nova perspetiva quanto à sua carreira desportiva. Em breve, Solange estará de volta à capital francesa para uma nova edição da histórica maratona, mas a sua meta mais ambiciosa é a qualificação para os Jogos Olímpicos de 2024 que, curiosamente, também terão lugar em Paris.

Solange Jesus, que cresceu no lugar do Rêgo, em Oiã (Oliveira do Bairro), teve uma infância alegre e agitada - “sempre a correr de um lado para o outro” -, própria de uma criança que, ainda antes de se dedicar ao desporto, já revelava ser enérgica e vivaz. “Como sou filha única, brincava muito com os meus primos. Jogávamos à bola, ao jogo dos três pauzinhos, às escondidas... tudo sempre ao ar livre”, sublinha, a propósito das brincadeiras que não só a terão ajudado a desenvolver a destreza física e a agilidade, como, acima de tudo, lhe preencheram os primeiros anos de vida com momentos de estímulo e diversão.

É por volta dos 7 anos, já depois de entrar na escola, que Solange entra no “mundo das corridas”. “Ganhei duas competições inter-escolas e o meu padrinho desafiou-me a experimentar uns treinos de atletismo num clube de Oliveira do Bairro, a ADeRCuS – Associação Desportiva, Recreativa e Cultural da Serena. A partir daí, nunca mais parei”, recorda.

A atleta bairradina representou a ADeRCuS durante cerca de 15 anos. Ao transferir-se para o Sporting Clube de Portugal, em 2010, era desta forma que os dirigentes do clube da Serena, orgulhosos do percurso que a jovem havia trilhado até então, resumiam a sua carreira desportiva: “ nasceu para o atletismo na ADeRCuS e foi com as cores da ADeRCuS que desde tenra idade começou a alcançar lugares de destaque a nível nacional. Como juvenil, alcançou o seu primeiro título nacional de 3 mil metros nas Caldas da Rainha . Este foi o primeiro de vários, principalmente, nos 3 mil metros obstáculos, na qual viria a especializar-se a partir do escalão de júnior. Em estrada, corta-mato, pista coberta e pista ao ar livre foram muitas as medalhas conquistadas em campeonatos nacionais de juniores, sub-23 e seniores. Internacionalmente, a atleta representou a seleção nacional em campeonatos da Europa de corta-mato, como júnior e como sub-23. Na pista, fez o pleno de participação na especialidade de 3 mil metros obstáculos, tendo corrido enquanto júnior o campeonato da Europa e do Mundo. Já como sub-23, correu o campeonato da Europa e alcançou um brilhante 9.º lugar na final”.

Solange passaria a década seguinte no Sporting CP onde, entre muitas outras conquistas, fez parte da equipa que, em 2014, venceu o Campeonato Nacional de Corta-Mato, feito que o clube leonino não conseguia há 40 anos. Há cerca de três anos, porém, voltou a mudar de clube. Pelo Clube Desportivo Feirense, que atualmente representa, já conquistou um Nacional de Estrada.

Aliás, a verdade é que, aos 36 anos, Solange Jesus pode bem orgulhar-se do seu extenso histórico de conquistas. Para a atleta, uma das mais antigas é, também, uma das que guarda de forma mais especial: “Destaco, sem dúvida, a primeira vez que representei a seleção nacional”. Outro resultado relevante – este, por outro lado, mais recente – deu-se em abril do ano passado, na Maratona de Paris, e permitiu-lhe participar no Campeonato da Europa de Maratona. Em Munique, e “apesar de as coisas não terem corrido bem” – a portuguesa não conseguiria concluir a prova – Solange afirmar-se-ia, finalmente, como atleta sénior.

Para Solange Jesus, não há figura que se compare a Fernanda Ribeiro, a atleta portuguesa mais medalhada de sempre. “Lembro-me perfeitamente de acompanhar os Jogos Olímpicos de 1996 pela televisão e tenho memórias vivas da vitória dela” – Fernanda Ribeiro sagrou-se campeã olímpica dos 10 mil metros nos Jogos de Atlanta (Estados Unidos), batendo o então recorde olímpico. “Fiquei muito contente, senti-me inspirada”. Das Olimpíadas de Atlanta, Solange recorda ainda o 6.º lugar de Carla Sacramento na prova dos 1500 metros. A atleta portuguesa, que já tinha arrecadado a medalha de ouro no Europeu de pista coberta daquele ano, em Estocolmo (Suécia), e que viria a vencer o Campeonato do Mundo do ano seguinte, em Atenas (Grécia), teve uma prestação que, apesar de não se ter concretizado com uma medalha ao peito e uma subida ao pódio, povoará para sempre a memória de Solange.

Maratona: um acaso feliz

Afinal, como é que uma meio-fundista galardoada começa a correr maratonas? Em primeiro lugar, há que ter em atenção que “para treinar para a corrida de obstáculos é preciso uma logística muito exigente”. “E eu não estava a conseguir fazer os treinos necessários para evoluir na disciplina”, explica. Por outro lado, a atleta reconhece que “a maratona surgiu por acaso”, aquando dos períodos de maior confinamento da pandemia. “Era para ser o meu namorado, que também é o meu treinador há quatro anos, a fazer a maratona. Mas estávamos em tempo de restrições por causa da Covid-19, não tínhamos grandes perspetivas competitivas e eu propus-me a acompanhá-lo nos treinos de preparação. Entretanto, ele teve alguns problemas físicos que o impediram de continuar, mas deu-me todo o apoio para ser eu a abraçar esta nova disciplina”, narra Solange Jesus.

“Quando corri a primeira maratona, apesar de ter sido uma estreia muito boa, fiquei com muita vontade de tentar mais e melhor. A Maratona de Paris, no ano passado, mudou a minha mentalidade. Comecei a acreditar mais nas minhas capacidades”.

Ora, se a condição física é essencial, para um maratonista, o treino mental não é menos importante. “Quando falamos de corrida de resistência, falamos, sobretudo, de paciência. Eu corria muito com o coração – o que, por vezes, ainda acontece. Começo a exagerar o ritmo numa determinada fase e, alguns quilómetros depois, acabo por pagar a fatura – e tive de aprender a encontrar o equilíbrio entre esforço e contenção”, esclarece Solange Jesus. A atleta explica que, “hoje, a ciência está aliada ao desporto” e “os atletas são acompanhados por fisiologistas que monitorizam a produção de lactato e otimizam a gestão de energia”. “Não basta pegar nas sapatilhas e sair à rua para correr”, reforça Solange. “É preciso um estudo muito atento do nosso próprio corpo. O nosso corpo é uma máquina incrível da qual conseguimos obter respostas fantásticas”, assegura. Neste contexto, é importante referir que, além do treinador Ricardo Gomes - “um pilar fundamental” no desenvolvimento de Solange enquanto atleta e “a pessoa que tem conseguido transformar as minhas lacunas em coisas positivas, o que se reflete nos resultados” – a bairradina conta ainda com o fisiologista Amândio Santos e o massagista Vítor Soares na sua equipa de trabalho mais próxima.

Até há pouco tempo, Solange trabalhava numa empresa do ramo da logística, no concelho de Águeda, mas o recente contrato com a Puma permitiu que passasse a dedicar-se ao desporto a tempo inteiro: “Treino todos os dias, mesmo naqueles que são supostos dias de descanso. Digamos que faço um ‘descanso ativo’, isto é, vou correr na mesma, mas durante menos tempo e a um ritmo mais tranquilo. Faço sempre duas sessões de treino diárias, com a exceção do domingo, em que só faço um treino matinal, normalmente, de mais longa duração. A tudo isto, alio treinos semanais de reforço muscular e faço pilates para me ajudar na mobilidade e flexibilidade”, descreve Solange Jesus.

Uma das vantagens da maratona, na visão de Solange, é que permite aos atletas correr fora de portas. “E é muito importante que diversifiquemos o nosso local de treino. A monotonia pode levar à desmotivação”, alerta, dando nota dos seus locais de treino prediletos na região. “Gosto de treinar na zona das praias, junto à Ria e nos trilhos das Gafanhas; gosto de treinar na zona onde cresci, de cada vez que visito os meus pais ou os meus avós; a cidade de Aveiro também tem locais interessantes, mas acabo por fugir sempre dos grandes centros”.

Até garantir a tão desejada qualificação para os Jogos Olímpicos de Paris, no verão de 2024, ainda há muito que correr. Mas nada desanima Solange Jesus: “Até ao último quilómetro, é sempre tempo de continuar a tentar”.

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