Este aveirense de gema - será de ovos? -, ceboleiro, nasceu em outubro de 1938, no Cais do Alboi a 30 metros da Ria. O seu pai esteve sempre ligado às contabilidades, tendo sido Chefe da Secretaria do Hospital de Aveiro e funcionário da Empresa de Pescas de Aveiro. João Barbosa fez a Escola Primária na escola da Glória e frequentou a Escola Comercial e Industrial de Aveiro. Devido a problemas financeiros, e com uma irmã a estudar fora da cidade, sentiu-se na obrigação de ir trabalhar: vai, com 14 anos, para o Banco Português Atlântico, com a categoria de “groom”. Vai fazendo o curso Comercial em aulas noturnas, conseguindo assim progredir na carreira de bancário, até chegar a diretor.
Em 1964, casa com Rosa Maria, professora do ensino secundário e têm duas filhas - uma é advogada e a outra economista. Tem três netos, que são o seu encanto.
É nomeado sub gerente do BPA em Coimbra e quando se preparava para ir abrir uma delegação do banco na Covilhã surge-lhe o convite para ir inaugurar e chefiar o Banco Comercial de Angola em Moçâmedes e S. Tomé Príncipe. É em Angola que nascem as suas duas filhas.
Lembra João Barbosa que, naquele tempo, o porto de Moçâmedes tinha grande importância para a banca portuguesa pois era por lá que se fazia grande parte das transações comerciais e de pesca, lembrando os barcos de pesca portuguesa, muitos do porto de Aveiro, que lá atracavam para descarregar a pescada capturada na África do Sul, em barcos fábrica espanhóis.
Surge o 25 de Abril de 1974, e sua esposa e filhas são enviadas para Portugal, tendo João Barbosa vindo de férias em 1975, mas ao saber-se que toda a administração do Banco tinha sido presa resolve ficar a conselho dos quadros superiores do Banco.

Em Portugal, e de novo em Aveiro, investe numa empresa de metalurgia/sanitários, mas após três anos tem um convite para regressar ao BPA, começando tudo de novo como se nunca tivesse trabalhado no Banco! Porto, Murça e de novo Aveiro, são anos de muita luta e trabalho, mas consegue reformar-se como diretor do Banco Comercial Português.
E orgulha-se que durante os 50 anos em que foi bancário nunca prejudicou nenhum colega de trabalho, aqui ou em África, lembrando que alguns dos seus colegas eram do tempo em que limpava os cinzeiros das suas secretárias e apanhava os papéis caídos no chão!
Aveiro e o “Fazer o bem sem olhar a quem”!
É com este slogan que além da profissão, é sócio fundador do Banco Alimentar contra a Fome, aceita cargos de direção nas Cáritas Portuguesas de Aveiro, durante três anos, no Centro Social e Paroquial da Vera Cruz, hoje Casa Vera Cruz, durante 23 anos, e entra para o Movimento Rotário em 1971 na cidade Sá da Bandeira – Angola, e em 1976 é convidado por Anselmo Santos para ingressar no Rotary Club de Aveiro. Neste clube foi, por duas vezes, presidente e, em 2005/6, é Governador do Distrito 1970, que abrange os Clubes Rotários a norte de Leiria/Mondego, participa nos EUA na Assembleia dos Governadores de todos os Continentes. Durante oito anos foi presidente da Associação Portuguesa Rotária que edita a revista dos Rotários e mesmo sem a obrigação Rotária de participar no Movimento continua como Conselheiro de Rotary.
Foi vice presidente do Beira Mar, na presidência de Gilberto Madail e, durante quatro anos, foi presidente da Banda da Amizade de Aveiro. Despedindo-se com alguma pressa - pois a Romi está à espera - ainda foi dizendo...“e pertenço a dois grupos gastronómicos, o da Ria de Aveiro e da Maia, com antigos colegas bancários!”
NA - Há histórias que davam para fazer grandes filmes!