Um projeto desenvolvido na Universidade de Aveiro (UA) está a abrir novas perspetivas na área da medicina regenerativa, através da criação de substitutos ósseos personalizados com recurso à impressão 3D.
Os investigadores estão a recorrer a uma tecnologia de impressão 3D que permite criar peças à medida de cada paciente, tendo em conta as características específicas do osso a substituir. A técnica utilizada chama-se fotopolimerização em cuba e baseia-se na utilização de uma resina líquida que é solidificada camada a camada através da ação da luz. O resultado final é uma estrutura sólida com uma forma muito próxima da prótese óssea necessária para cada caso clínico.
O trabalho está a ser desenvolvido por Simão Santos, estudante de doutoramento no CICECO – Instituto de Materiais de Aveiro da UA e conta com a participação do estudante de doutoramento Manuel Alves e das professoras Susana Olhero e Georgina Miranda, do Departamento de Engenharia de Materiais e Cerâmica (na foto).
Mimetização do osso humano
Um dos elementos-chave deste projeto é o uso da hidroxiapatite, um material cerâmico biocompatível e bioativo, semelhante ao mineral presente na composição do osso nativo. Este material encontra-se suspenso numa resina de base aquosa, permitindo a produção de estruturas complexas e adaptadas às necessidades de cada paciente. “Na área dos substitutos ósseos existe uma procura crescente por soluções personalizadas, e esta tecnologia permite responder a esse desafio”, explica Simão Santos, atualmente a frequentar o Programa Doutoral em Ciências e Engenharia de Materiais da UA.
A utilização de uma base aquosa representa também uma vantagem ambiental importante. Ao reduzir em cerca de 80 por cento o uso de compostos orgânicos, o processo torna-se mais ecológico e com menor impacto ambiental.