O músico aveirense Dinis Mota, que tem já presença assegurada no Festival da Canção, já fez saber que caso venha a ser selecionado e caso a participação de Israel continue a ser uma realidade, não participará na Eurovisão. “É inequívoco que enquanto cidadão, músico, ser humano, sendo consciente das desigualdades e injustiças humanitárias que existem, nunca poderia estar do lado de um agressor”, argumenta, em comunicado.
“Agradeço à RTP a oportunidade de participar no Festival da Canção e o respeito e carinho com que tenho sido acompanhado ao longo deste percurso. Dito isto, deixo claro que, caso venha a ser selecionado e caso a participação de Israel continue a ser uma realidade, não participarei na Eurovisão. Como muitos músicos portugueses (acredito eu) sempre sonhei representar Portugal neste festival. Mas nunca nestas circunstâncias, nem enquanto vencedor, nem segundo, nem terceiro”, observa.
O jovem aveirense explica que não assinou “atempadamente a declaração conjunta não por discordar dos seus princípios - estou solidário com os meus colegas - mas por acreditar que a música pode ser pensada como um instrumento ativo de paz, diálogo e ação, necessitando de tempo para uma tomada de posição que considerasse estar alinhada com os meus princípios”.
Dinis Mota deixa ainda um desafio aos seus “colegas de Portugal, Espanha, Países Baixos, Eslovénia, Irlanda e Islândia, assim como a todos os que queiram fazer parte deste movimento. Proponho organizar na Áustria, na altura da Eurovisão ou data próxima, um concerto internacional, um momento onde ganhemos voz, revertendo todos os lucros para ajuda humanitária ao povo palestiniano. O mundo precisa de música, precisamos de renascer nestes momentos complexos, temos tempo e oportunidade de marcar a história pela força daquilo que é tão maior que o nosso individual. Mesmo com tudo o que se aponta de difícil, acredito que esta é a nossa chance”.