“Quanto mais envelheço mais dúvidas tenho sobre tudo. O que significa que afinal sei muito pouco de muito pouca coisa”
António Manuel Vieira da Silva nasceu no Hospital de Ílhavo, em julho de 1946, filho de pai operário da fábrica da Vista Alegre e mãe doméstica, que também costurava para fora – o casal teve dois filhos: o mais velho hoje médico aposentado e o outro exerceu profissão de capitão da frota bacalhoeira. António Vieira da Silva casou, em agosto de 1975, com Maria Edite e tem dois filhos (um é arquiteto e o outro engenheiro).
Após frequentar a Escola Nova de Ílhavo, vai para o Liceu Nacional de Aveiro, seguindo-se a Universidade de Coimbra onde faz o curso de Medicina. O Serviço Médico à Periferia é feito no Hospital da Lousã, especializando-se em Serviço Público. Foi Sub Delegado de Saúde em Penela e, posteriormente, Delegado de Saúde de Aveiro, em dedicação exclusiva, tendo se reformado no ano de 2008.
Para Vieira da Silva a ida para médico poderá ter sido influenciada pela leitura, enquanto jovem estudante liceal, de livros de Frederico de Moura, Bernardo Santareno, Fernando Namora ou Miguel Torga.
Desde cedo que começou a escrever poemas de intervenção social, nomeadamente no jornal da sua terra, O Ilhavense, onde alguns poemas foram censurados pela PIDE, na página Sol Nascente, em Outubro 1967, passando pelo Suplemento Juvenil do Diário de Lisboa, o Farol (publicação do Liceu Nacional de Aveiro), Lutador de Aveiro, revista Capa e Batina (Coimbra), Gazeta do Centro e na revista Mundo da Canção, publicação de referência da música portuguesa, onde depois de várias funções editoriais é diretor de 1976 a 1980.
Ainda em Coimbra, pertenceu a um grupo de Fados de Coimbra com o qual, além das serenatas por ruas e vielas da cidade, atua em várias localidades do país, incluindo um espetáculo em Ílhavo, em 1969, onde atuam Manuel Freire, Mirene Cardinalle e vários cantores de Ílhavo. Intervém na crise académica em Coimbra (1968/9). Atua pela primeira vez em público em 1968 no sarau do CJC no Seminário de Aveiro.
Inscreve-se no Círculo de Artes Plásticas da A.A.C. onde adquiriu conhecimentos de desenho, tendo já colaborado na feitura de capas de livros e eram conhecidas as caricaturas que desenhava nas pastas de fim de curso de estudantes da Universidade de Coimbra.
Mas nunca deixa de fazer intervenção na sua terra natal. Em 1967, faz música com letra de seu pai, para a Marcha Sanjoanina de Cimo de Vila, três anos depois, vence o 1º Festival de Música Popular Portuguesa no Casino da Figueira da Foz. Compôs o tema musical para a peça Longa Marcha para o Esquecimento do Círculo Experimental do Teatro Aveiro. No Illiabum Clube, dirigiu a secção cultural onde realizou vários eventos, desde exposições, encontros da canção popular e é o responsável pelo Boletim Informativo (1973) com, Fernando José e Zé Sacramento, mas devido à censura prévia da direção do clube só foram “policopiados” dois números!
Em 2002, publica o livro “Marginal”, com “poemas breves” e cantigas, com 2ª. edição em 2010. Livro de entrevistas feitas na revista Mundo Canção e colaboração no livro dedicado a Adriano Correia de Oliveira foram algumas das muitas colaborações editoriais que tem tido ao longo do tempo.
Presente em vários programas da RTP, Riso e Ritmo (1968), Cantos e Contos de Coimbra (1982), Lugar de Encontro (1989) e nas rádios Presença Coimbrã e Rádio Terra Nova, entre outras.
Já foi distinguido com dois Lemes (Música e Literatura) da AC.D. Os Ilhavos, recebeu o galardão “João Carvalho dos Santos”, atribuído pela Associação Chio-Pó-Pó, e recebeu a medalha de prata de Mérito Cultural da Câmara Municipal de Ílhavo, em 2024.
Destaque, também, para a atividade política. Fez parte das listas à Câmara de Ílhavo pela FEPU, em 1976. Em 1979, candidata-se pela APU à autarquia de Penela. Foi membro da Assembleia Municipal de Ílhavo pela CDU e, em 2005, candidata-se a presidente da Câmara de Ílhavo.
A nível discográfico, tem um EP de 4 canções, denominado Canção para um Povo Triste - este disco foi aprendido pela PIDE - e Canção para um Natal (1969); EP “Para a Construção da cidade necessária” (1970); EP “Canto a hora chegada” (1971); Single “Os lobos: eles estão aí” (1975); Single “A Sudoeste” (1977); CD “Vieira da Silva” que reúne todas as canções gravadas e duas novas (1998); Single “Onde estás ó liberdade” (2007).
Até ao presente tem registadas mais de 30 canções na Sociedade Portuguesa de Autores.
“......o que distingue os poetas das pessoas normais é ser capaz de descobrir, sempre, um mundo novo à sua volta, onde quer que seja; elevar as palavras à condição de diamante, sem se deixar ofuscar pelo seu brilho; saber que os poemas só valem a pena quando têm gente lá dentro, com ossos, nervos, veias, emoções, porque o sonho, esse, vale sempre a pena. Nós sabemos, porque voámos.
(Viriato Teles, jornalista da RTP, no prefácio de Marginal)